O pai da Vale

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Na Constituinte de 1946, Israel Pinheiro, deputado do PSD de Minas, apresentou emenda constitucional determinando que Brasília, a futura Capital, fosse construída entre Minas e Goiás, no Triângulo Mineiro, perto de Cachoeira Dourada

Na Constituinte de 1946, Israel Pinheiro, deputado do PSD de Minas, apresentou emenda constitucional determinando que Brasília, a futura Capital, fosse construída entre Minas e Goiás, no Triângulo Mineiro, perto de Cachoeira Dourada.
 Israel justificava dizendo que o local reunia as duas condições preliminares básicas: acesso e energia elétrica fáceis, porque perto de Uberlândia. Os paulistas logo começaram a apoiar a emenda de Israel, porque o Triângulo Mineiro é uma província meio mineira, meio paulista.

 BRASILIA
 Mas, os que não queriam a capital fora do Rio ou a queriam em outro lugar, manobraram. Puseram a votação para uma segunda-feira à tarde, quando os paulistas e mineiros estavam em sua maioria ausentes, pois costumavam chegar ao Rio segunda à noite ou terça cedo.
 Mesmo assim, a emenda quase foi aprovada. Perdeu por apenas cinco votos. Israel tinha feito longa exposição sobre a necessidade de levar a capital para o interior e a conveniência de fixá-la no Triângulo Mineiro, centro geográfico do País.
 Desceu debaixo de palmas.

 SOUZA COSTA
 O deputado Souza Costa, antigo ministro da Fazenda de Getúlio Vargas, chamou Israel a um canto:
 – Seus argumentos são perfeitos, mas vou votar contra. Se sua emenda passar, a mudança vem logo.
 – Mas é para fazer a nova capital mesmo, e logo.
 – Pois é, Israel. Prefiro ser diretor da alfândega no Rio a ser ministro da Fazenda em Brasília.

 DUTRA
 O que Israel não disse então a Souza Costa, nem a ninguém, e só mais tarde revelou a alguns amigos e jornalistas, a mim por exemplo, é que escolheu o Triângulo Mineiro porque o general Dutra, eleito presidente, lhe disse que, se o local escolhido fosse o Triângulo, ele começaria imediatamente a construção de Brasília.
 Dutra perdeu o monumento para JK.

OMBUDSMAN
 O jornalista é um professor em sala de aula. Quando assina uma coluna é mais ainda, é titular da cadeira. O que diz ensina ou desensina.
 Em sua sempre viva e excelente coluna “Gente Boa”, no “Globo”, o Joaquim Ferreira dos Santos deu a palavra ao cineasta Victor Lopes, depois da sessão especial de seu documentário “Eliezer Batista, o Engenheiro do Brasil”, exibido no Palácio da Cidade. Victor Lopes pisou na bola e chutou as canelas da Historia:
 – “A vida de Eliezer é riquissima. Ele fundou (sic) a Vale do Rio Doce, foi o brasileiro que mais criou empregos na historia do pais”…

 ELIEZER
 “Menas” verdade, como dizia Lula antes de ser alfabetizado pelo Luiz Dulci. O engenheiro Eliezer Batista, para ser, como era e é, um dos mais ilustres e meritórios brasileiros do ultimo século, não necessita que tomem para ele pedaços da biografia dos outros. Não precisa disso.
 Mineiro de Nova Era, nascido em 1924, engenheiro pelo Paraná em 1948, em 49 já estava trabalhando na Vale do Rio Doce. É um pioneiro. Doze anos depois, em 1961, Janio lhe entregou a presidência da Vale.
 Depois, Eliezer foi o que se sabe : ministro de Minas e Energia do governo João Goulart, voltou à presidência da Vale de 79 a 86 e Secretario de Assuntos Estrategicos do governo Fernando Collor.

 ISRAEL
 Mas, antes dele, bem antes dele, mineiro como ele, nascido na Caetés de Minas e não na de Lula, engenheiro também como ele, formado na Escola de Minas e Metalurgia de Ouro Preto, com pos-graduações em Siderurgia na França, Inglaterra e Alemanha, houve Israel Pinheiro, filho do governador mineiro João Pinheiro.
 Secretario da Agricultura, Viação e Obras Publicas de Minas a partir de 1933 no governo Benedito Valadares, em 1º de julho de 1942 foi convocado por Getulio Vargas para “fundar (sic) e presidir (sic) a nova Companhia Vale do Rio Doce, sociedade anônima destinada à exploração, comercio, transporte e exportação de minério de ferro das minas de Itabira (MG), alem da exploração do trafego da Estrada de Ferro Vitoria-Minas, diretamente subordinada à presidência da Republica” (FGV).

 VITOR LOPES
 Portanto, Eliezer Batista ainda era um jovem estudante de curso secundário no Paraná, nem na Escola de Engenharia havia entrado, e Israel Pinheiro já fundava e presidia a Vale de julho de 1942 a fevereiro de 1945, quando se desincompatibilizou para disputar as eleições da Constituinte de dezembro de 45, sendo eleito. O pai da Vale foi ele. Eleito presidente da Republica em 1950, Getulio chamou Juracy Magalhães para presidir a Vale em 51 e 52.
 Reeleito deputado federal em 50 e 54, em 56 Israel renunciou ao mandato para presidir a “Novacap” e comandar a construção de Brasília. Em 66, elege-se governador de Minas pelo PSD-PTB, derrotando o “comando civil-militar revolucionário” da UDN de Magalhães Pinto.
 Eliezer Batista tem historia demais para avançarem na dos outros.

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