O OLHO DO DONO E O PORCO

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Costuma se dizer que o “olho do dono é que engorda o porco”. Em verdade não só o olho e nem só o porco. É preciso estar de olho, mas, também dedicação, muita dedicação, seja para que bicho for ou para que atividade seja. De vez em quando aparece uma novidade sobre como conduzir negócios que seja, ao mesmo tempo, economicamente rentável, socialmente desejável, eticamente impecável e ambientalmente saudável. Cuidado, é bom ficar de olho.

 

A moda recente é a da integração lavoura/pecuária/floresta. A receita é simples: planta-se fileiras de eucalipto, no meio delas planta-se milho mais semente de capim. Quando se colhe o milho, o gado entra para comer o capim e engordar na sombra dos eucaliptos. Assim, é renda de todo lado e ano inteiro, tanto pela diversidade como pelo risco pouco. Se uma atividade falha as outras “pingam”, e segundo o velho ditado, é melhor pingar do que secar.

 

Na teoria é uma belezura. Algumas providencias, no entanto, são indispensáveis, como por exemplo, proceder a correção dos solos, fazer uso de espécies adaptadas, praticar o plantio direto e a chamada safrinha. Vai se dando conta, portanto, que a coisa não é tão simples assim, e é aí que entra o olho do dono. Só que esse olho tem que ser treinado para poder enxergar, pois tem muita gente que os olhos só vêem, mas não enxergam. E para quem já nasceu enxergando um pouco é preciso treinar os olhos para enxergar mais longe.

 

Isso porque quanto mais oportunidade for sendo percebida maior será a demanda de maquinário mais caro, mão de obra mais qualificada e gestão mais apurada. O busilis, o xis da questão continua e continuará sendo o da gestão. Como se diz, quem não tem competência não se estabelece e para quem tenta estabelecer-se artificialmente com benesses do governo a duração no negócio será curta, tipo vôo de galinha. Quando a crise bate só se salvam os precavidos e é por isso que se diz que as crises são bem-vindas, pois elas selecionam os bons.

 

Não se trata de fazer apologia ao dinheiro guardado no colchão, tanto porque a inflação o corrói como porque “quem não arrisca não petisca”, mas lembrar que nunca perdeu quem adota o princípio de ganhar pouco no muito (ganhar pouco ao longo do tempo) contrariamente àqueles que optam por querer ganhar muito no pouco (ganhar muito em pouco tempo). Controvérsias à parte, há quem entenda também que não ariscar nada é o mesmo que arriscar tudo.

 

Joaquim Severino – Diretor Presidente da empresa Agrária Engenharia e Consultoria S/A e Professor de Política Agrícola da Universidade Federal do Paraná – 1973/2010, tem escrito mais de mil artigos nesta coluna desde 1992.