O INDICADOR TILÁPIA DE PALOTINA

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A inauguração, na semana que passou do frigorífico de tilápias em Palotina, ou “Tilapfrico” como alguns poderiam assim querer denominar, constituiu mais que um simples evento comemorativo dado o simbolismo da complexa obra das engenharias, a técnica, a sócio/econômica e a política.

Construir um complexo agroindustrial privado de R$ 110 milhões de reais em nove meses já é por si só uma façanha, à vista de obras públicas de pequeno porte cuja execução se arrasta por anos e, não raramente, recheadas de malfeitorias. Esta obra/empreendimento com aproximadamente 10.000 metros quadrados de área construída está sendo considerada como a maior e mais moderna da América Latina.

O feito da C. Vale, a segunda maior cooperativa agroindustrial do país, com sede em Palotina, no Oeste do Estado, vai processar através dessa unidade a matéria prima resultante do abate de 75.000 tilápias por dia, na expectativa de duplicar esse abate em curto prazo e com a perspectiva de abater 600 mil peixes por dia. O arrojo já demonstrado permite considerar essas metas como plenamente atingíveis.

A engenharia socioeconômica por sua vez, não obedece a essa linearidade da construção civil em si. Foi preciso mais de dez anos para que a piscicultura paranaense ganhasse a condição de escala com retornos crescentes. Hoje a C.Vale conta com 70 cooperados dedicados a essa atividade, os quais dispõem de 300 tanques que cobrem 130 hectares e abrigam mais de seis milhões de peixes.

É como se diz, nada é por acaso e nem cai do céu. A famosa combinação de atividades do setor primário, a chamada “integração horizontal” ganhou relevância no Paraná, principalmente no Sudoeste do Estado, impulsionada pelo binômio: produção de milho para criação de porcos. A safra do milho quem fazia era a porcada solta nas ribanceiras. Surgiu daí a expressão muito comum à época que era a “safra de porco”. Tudo isso e nos moldes primitivos dos anos sessenta, por aí.

Na sequência e aos olhos da extensão rural, veio a criação de porcos criados em chiqueiro suspenso sobre represamento de água na beira da casa, de onde os peixes se valiam dos resíduos e foi ficando evidente que uma nova integração estava nascendo, a agro/suinícola/piscícola. Agora os peixinhos da C.Vale tem cardápio próprio, ambiente ideal de higiene e sanidade, manejo adequado, e papel importante na renda dos membros da cadeia de produção, industrialização, comercialização e alimentação. É o “pogresso”

Joaquim Severino- Diretor Presidente da Empresa Agrária Engenharia e Consultoria S/A e Professor de Política Agrícola da Universidade Federal do Paraná (1973/2010), escreve esta coluna desde 1992.

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