O encerramento das atividades da companhia aérea BRA, anteontem, e a anunciada demissão de 1.100 funcionários representam mais um duro golpe na já combalida aviação brasileira.

O encerramento das atividades da companhia aérea BRA, anteontem, e a anunciada demissão de 1.100 funcionários representam mais um duro golpe na já combalida aviação brasileira. É a prova, mais uma vez, de que não há governo sério interessado em fiscalizar nada. A famigerada Anac deixou tudo correr livre, desde o  tempo do seu presidente recém defenestrado Milton Zuanazzi, um politiqueiro gaúcho, muito papudo, que trocou o PDT pelo PT apenas para conquistar posições no governo federal, primeiro como secretário nacional de turismo e depois como chefe geral da Anac. Seus pares de diretoria abandonaram a agência um pouco antes, diante de uma série de denúncias sobre irregularidades. E ninguém percebeu, ou não quis perceber, a crise voando a jato.

A BRA, que começou operando com vôos fretados, passou a companhia aérea regular em 2005 e até se aventurou a decolar, recentemente, para destinos internacionais como Lisboa e Madri. Em junho, firmou um acordo de operação conjunta com a OceanAir, mas a nova parceira, antevendo dias nebulosos pela frente, desmanchou logo o negócio. Com frota de 11 Boeings, já capengando, a BRA ousou divulgar, há bem pouco tempo, a intenção de comprar 40 jatos fabricados pela Embraer.

Ainda esta semana, o ministro Nelson Jobim, da Defesa, declarou que há necessidade de novas companhias aéreas nos céus brasileiros. É importante ampliar a concorrência e não deixar tudo nas mãos da TAM e da Gol. Mas é preciso que os órgãos reguladores da aviação brasileira fiquem permanentemente atentos, atuem previamente, e não sejam surpreendidos com notícias desagradáveis como esta nova crise da aviação nacional. Graças à omissão do governo, dezenas de milhares de passageiros foram logrados. E 1.100 funcionários da BRA vão perder seus empregos. Bela notícia às vésperas do Natal.