Em princípio, todo integrante da organização, sociedade ou nação é parceiro com iguais direitos e deveres. Gestor, governador, presidente da República são despertadores de desejos reais ou imaginários, conscientes ou inconscientes, avivados ou adormecidos, explícitos ou implícitos

 Pedro Antônio Bernardi *

Em princípio, todo integrante da organização, sociedade ou nação é
parceiro com iguais direitos e deveres. Gestor, governador, presidente
da República são despertadores de desejos reais ou imaginários,
conscientes ou inconscientes, avivados ou adormecidos, explícitos ou
implícitos. Quem desperta serve e premia sem distinção, principalmente
por meio da comunicação clara, informação precisa e ação equilibrada.
Qualquer comunidade, inclusive a família, reúne pluralidade de
identidades, crenças, expectativas e culturas.
Despertar visões assegura em parte a prosperidade, a paz, a
felicidade e o progresso a ser conquistado. Refletir sobre problemas
dos microuniversos multioperacionais é educar o ser humano a ver,
julgar e agir e, ao mesmo tempo, influir para o cidadão ter
consciência e responsabilidade cívica. O compromisso ético do gestor é
dizer a verdade sob todas as formas e valores em cada visão ou desejo
que desperta.
O ser humano transcontinental ultrapassa a fronteira do próprio ego e
sente prazer ao dimensionar sua capacidade e vontade de superação.
Enriquecidas por informações múltiplas e envolventes, as pessoas de
hoje são parte ativa da evolução ocorrida sobretudo no século XX. A
nova civilização não tem dificuldades de partilhar diferenças e
perceber tudo o que está em seu ciclo de referências.
Privilegiadamente, a década de 1990 ampliou as atenções ao novo
cidadão universal. A sociedade é superinformada, as fontes de
informação são instantâneas, os sistemas de teleinstrução se
diversificam. A partir de então, nascem mais desejos, visões e
vontades pessoais e coletivas. As ofertas e demandas são medidas com
precisão de tempo. Surgem conjuntos globalizados de escolhas e
percepções, atributos de qualidade de produtos e serviços, funções
críticas de utilidade, hierarquia de necessidades, exigências mais
amplas.
Frente a este cenário, gestores, governadores e presidentes colocaram
mais lenha na fogueira. Prometendo mais e mais bônus, sem calcular o
montante e os valores dos ônus. Surgem, então, as colisões entre
desejos despertados e recursos para satisfazê-los. Em sua maioria, as
colisões decorrem porque os gestores centram suas promessas em
faturamentos imediatos, sem pensar na continuidade, crescimento e
realização futura das pessoas, organizações e sociedades.
Como tudo é cíclico, conclui-se que a aparente estabilidade
brasileira é transitória, por isso geradora de insegurança. Há muito
tempo, o país reclama de ética na política, na educação, na saúde, nos
gastos públicos. Exige igualmente adoção de políticas justas e
estratégias consistentes em relação à previdência social e
planejamento familiar. O bem-estar e o respeito à dignidade passam a
ser exigidos de modo crescente. Não demorará a sociedade se mobilizar
para reclamar melhor qualidade de vida prometida e despertada pelos
gestores da esfera pública e privada.

 * Pedro Antônio Bernardi é jornalista, professor e economista, consultor
e assessor de comunicação social, palestrante, autor do livro Palavra
amiga. (pedro.professor@gmail.com)