Uma das inovações modernas do futebol, o árbitro de vídeo (VAR) tem dividido opiniões. Alguns acham importante o auxílio do vídeo, principalmente em lances duvidosos. Outros acham que a interferência acaba tirando um pouco do romantismo do futebol, pois entendem que erros fazem parte do jogo.

A verdade é que o VAR vem sendo usado desde 2016. Primeiro como teste em ligas de menor expressão e depois sendo utilizado no Mundial de Clubes da FIFA daquele ano. No ano seguinte, além do Mundial, foi utilizado também na Copa das Confederações e em algumas ligas mais expressivas, como a liga alemã – Bundesliga.

Mas foi neste ano que o VAR ganhou grande repercussão. Após ser utilizado na Copa do Mundo da Rússia, o árbitro de vídeo ganhou adeptos e foi incluído em muitas outras copas, taças e ligas ao redor do mundo.

Aqui na América do Sul, o VAR passou a ser utilizado nas fases finais das competições organizadas pela Conmenbol – Libertadores e Sul-Americana. A Copa do Brasil também utilizou o assistente a partir da etapa das quartas de final.

Na Copa do Brasil ele foi decisivo, especialmente no último jogo da final, quando ajudou o árbitro a marcar um pênalti para o Corinthians e, mais tarde, auxiliou na anulação do que seria o segundo gol da equipe paulista. O Cruzeiro acabou ganhando também a segunda partida (pelo placar de 2 x 1) e foi campeão da competição.

Na Copa Libertadores da América o VAR ainda não teve nenhuma grande polêmica, precisando ser utilizado pouco e em lances sem muito perigo. Diferente da Copa Sul-Americana onde ele vem tendo um maior uso.

Na última quarta-feira, dia 24, ele foi utilizado nas duas partidas envolvendo os clubes brasileiros. No jogo do Fluminense contra o Nacional do Uruguai, o gol do zagueiro Gum tinha sido anulado pelo auxiliar e só foi validado após a conferência da imagem mostrar que o jogador estava em posição legal. A partida terminou empatada em 1 x 1.

No outro jogo, que envolveu dois times brasileiros, o Bahia perdeu para o Atlético-PR por 1 x 0, mas o resultado da partida poderia ter sido outro se o VAR não fosse utilizado. Isso porque o Bahia teve dois gols anulados. No primeiro gol, após a checagem, o árbitro viu jogo perigoso do Tricolor baiano e anulou o gol. No segundo lance, o jogador do Bahia estava em posição irregular.

Alguns lances resolvidos pelo VAR podem ser mais interpretativos, outros podem pegar aquela fração de segundo em que o árbitro, ou o auxiliar, acabou olhando para o outro lado ou piscando.

A decisão de gostar, ou não, do árbitro de vídeo é meio polêmica. No futebol sul-americano é pior ainda. Basta uma decisão validando um gol do seu time para ficar totalmente do lado do VAR. Já uma decisão anulando o gol ou marcando um pênalti para o adversário pode fazer a torcida odiar o recurso.

Embora a dúvida possa ser sanada com a repetição da imagem, a decisão final sempre será do árbitro de campo. Ele pode ver e rever a imagem quantas vezes quiser, caberá só a ele a decisão. Ainda que a imagem possa mostrar o contrário, o poder continuará em suas mãos.

Vale lembrar que o futebol é um esporte bem interpretativo, ou seja, o que para muitos pode ser, por exemplo, mão na bola, outros tantos verão como bola na mão. Em um esporte onde a contagem de pontos, de gols, não é, em regra, muito elevada, um simples lance pode decidir a partida.

Vendo por outro lado, em uma partida em que o VAR não estiver sendo utilizado, um lance não pode esperar um tempão e decidir um campeonato, como no Paulistão desse ano, quando o jogo ficou parado até ser resolvida a marcação de um pênalti, que poderia dar o título ao Palmeiras. Muitos falam em interferência externa no lance. Não se pode afirmar, mas não teremos a resposta tão cedo. Quem sabe daqui alguns anos alguém resolva falar o que, de fato aconteceu. Nesse caso, o VAR teria ajudado muito.

Enfim, gostando ou não, a realidade é que o VAR parece que chegou para ficar.

Libertadores e Sul-Americana

O Grêmio parece estar seguindo para a disputa da sua segunda final consecutiva de Libertadores. Na última terça, dia 23, o Tricolor Gaúcho venceu o River Plate por 1 x 0, em Buenos Aires, trazendo boa vantagem para o jogo em Porto Alegre. Já o Palmeiras, na quarta, dia 24, perdeu para o Boca por 2 x 0, em partida também realizada em Buenos Aires. Dessa forma, diminuíram as chances de uma final brasileira. As partidas de volta acontecem nos dias 30 e 31 de outubro, em Porto Alegre e São Paulo, respectivamente.

Na Sul-Americana, na quarta, dia 24, o Atlético-PR venceu o Bahia por 1 x 0, em uma partida em que o uso do VAR foi determinante, como dito acima. Com o resultado, o Rubro-Negro leva uma boa vantagem para o jogo de volta, no dia 31, em Curitiba. Quem passar dessa eliminatória pega o vencedor de Fluminense e Nacional-URU, que, na quarta, dia 24, empataram em 1 x 1, no Rio de Janeiro. A decisão ficou para Montevidéu, também no dia 31. Em caso de vitória do Tricolor Carioca, o Brasil terá garantido um lugar na final da competição.