por Claudia Queiroz

 

 

 

 

Mulher bonita sofre. Sofre assédios. Sofre de inveja. Sofre com os rótulos. Sofre pelo julgamento da intimidade que tem com o tempo… E sofre até pela generosidade com que o mundo a recebe. Todos são solícitos com gente bonita. E muitos são malvados com a beleza alheia.

Sempre quis escrever sobre isso. Quando era pequena fazia comerciais de TV. Imagina uma loirinha bochechuda e doce… Encantava a todos. Veio a adolescência e fiquei esquisita. Só que todo mundo fica esquisito. Uns menos, eu sei. Nesta fase, me sentindo feia, fiquei ainda mais legal. Mas não era o suficiente. Porque as feias são legais, assim como geralmente as gordinhas são engraçadas…  Rótulos à parte, talvez um dia escreva sobre isso também.

Cresci e estudei muito. Com minha personalidade independente ao extremo, desenvolvi inteligência, habilidade e competência para articular e resolver o que eu quisesse. Descobri então certa potência em mim. E de repente me enxerguei doce, solícita, legal, independente, inteligente e bonita. Foi justamente aí que vieram muitos dos problemas na minha vida.

Por que tudo isso? De fato, me tornei o que queria ser, …, para ouvir, numa sessão com o meu coach, “produza-se menos”, “às vezes olhar pra você incomoda”. Trágico? Cômico? Pois é….

A beleza também isola. Quantas festas não fui convidada? Quantas amigas se afastaram? Quanto tempo perdido em reuniões em que eu acreditava que seriam produtivas? O bullying ensina, e essa é a parteboa de toda história. Não importa porque as pessoas enxergam a gente diferente, ser diferente move o mundo e transforma realidades.

Hoje tenho uma réplica em miniatura. Uma minimim. E todos os dias estimulo as descobertas e potencialidades dela, que além de tudo é divertida. Um encanto de menina, que é tudo de bom que existe na vida. Na minha especialmente! Mas ela sabe o que quer e como toda menina bonita, tem um gênio daqueles!!!

O fato é que logo ela estará convivendo com mais crianças, percebendo e sentindo as coisas por ela mesma. Vai crescer e talvez, quem sabe, ter tantas portas se abrindo que o grande dilema será escolher. Ou não, se eu souber educar direito. A mim, caberá sempre que possível, orientar, proteger e ajudar a fazer com que ela seja a melhor versão dela mesma. Esse é o poder! Uma construção pessoal, gradativa e intransferível. Então, Mr. Bullying, ajude minha menininha a crescer!

Claudia Queiroz, é jornalista.