NOTICIA BOA

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A safra agrícola do ano em curso caiu ligeiramente, para 230 milhões de toneladas de grãos, afetada pela seca verificada em 2018, mas a produtividade continua crescendo. O milho, para exemplo, teve melhoria de rendimento de mais de 40% em dez anos: saltou de 3.630 kg/ha em 2008/09 para 4.288 quilos por hectare na safra de 2017/18 na colheita de verão.

A produtividade também avançou na soja, algodão, feijão, arroz, na pecuária, suinocultura e avicultura, confirmando a importância da tecnologia no campo brasileiro.

DISCURSO MUDA
Após o incidente que vitimou o presidenciável Jair Bolsonaro as principais lideranças políticas estão pregando a redução do clima de confronto que se elevou perigosamente no país. Em vez de ataques, passaram a apresentar propostas pragmáticas em temas de urgência: reforma da previdência, simplificação tributária, reorientação do papel do Estado, etc. Na mesma direção o ministro Dias Toffoli assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal com apelo pela conciliação dos espíritos.

ANÁLISE
Nessa linha de distensão cortes superiores têm evitado sancionar figuras da visa pública sem base sólida. Por efeito foram arquivadas argüições contra um presidenciável (Jair Bolsonaro), uma candidata a vice (senadora Kátia Abreu), um senador (Fernando Coelho) e recomendada rejeição de acusação contra o senador Aécio Neves. Anteriormente o Supremo rejeitou denuncia eleitoral contra a senadora Gleisi Hoffman.

RETORNA O CLIMA
O clima eleitoral, momentaneamente pacificado logo após o atentado, voltou a exibir contundência. Os candidatos medianos perdem para os exaltados e a radicalização ganha ressonância – inclusive na imprensa – lamentam espíritos sensatos. Até agentes públicos estariam embarcando no clima, advertiu o corregedor do órgão constitucional de fiscalização do Ministério Público, que abriu investigação após a série de procedimentos contra candidatos.

RETORNA (II)
A decisão do corregedor do Conselho Nacional do Ministério Público ganhou endosso de ministros do Supremo. Um deles, Gilmar Mendes, reprovou a abertura de investigações na véspera das eleições contra postulantes à direita e esquerda – Alckmin, Haddad, a prisão de Richa no Paraná e a devassa contra o governador de Mato Grosso do Sul.

ANÁLISE
Em artigo a respeito, um importante jornal mostrou que nos Estados Unidos os promotores seguem cautela dobrada em suas ações, para evitar atingir candidatos. O problema brasileiro é que copiamos mal instituições de culturas alheias (espírito de imitação lamentado por brasileiros mais sérios, como o recém-falecido Hélio Jaguaribe), desde o modelo político geral até detalhamentos como as “delações premiadas”. Mais, nos Estados Unidos juízes e promotores são figuras amadurecidas no trato do Direito e não jovens bacharéis.

ANÁLISE (II)
Joaquim Nabuco alertava há mais de um século para o protagonismo e a radicalização de certos atores: “Sem os exaltados não são ganhas revoluções (nem eleições), porém com eles é impossível governar. Tema revisitado pela professora Maria Hermínia Tavares: É preciso evitar bravatas e ameaças na campanha.

CULTURA DE PAZ
Visando resfriar tais ânimos a próxima reunião conjunta da API/CEB, nesta sexta-feira, vai recolocar o tema da “cultura da paz”, convidando expositor credenciado para apresentar conceitos e princípios que buscam a convivência civilizada na sociedade. Trata-se de cultivar valores, atitudes, comportamentos, estilos, baseados no respeito à vida, à prática da não violência – explica Thais Accioly em ensaio sobre o assunto.

ANÁLISE
Tais padrões civilizatórios elevados podem ser obtidos por meio de educação, dialogo, cooperação entre as pessoas. Há um esforço nessa busca, que pode ser obtida via exercício de atitudes pessoais como coragem (para resistir aos impulsos), tolerância (para aceitar as diferenças entre os indivíduos) e solidariedade (para com os demais membros da comunidade), entre outros – o que inclui respeito a toda forma de vida e introduz a questão do ambiente.

MUDA O CICLO
Há dez anos o mundo foi abalado por uma pesada recessão iniciada com a sobrevalorização dos imóveis, ativos financeiros e movimentos especulativos nos Estados Unidos e economias desenvolvidas. O entrelaçamento entre os mercados de finanças dos países do Primeiro Mundo fez a crise se propagar com rapidez e turbulência, exigindo medidas vigorosas de ajuste de parte dos governos e bancos centrais. Esse derrame de moeda forte evitou que a recessão de 2008 repetisse o drama de 1929.

ANÁLISE
Mesmo assim a grande recessão recente afetou nações, empresas e consumidores pelo mundo à fora, inclusive nos países emergentes como o Brasil. Felizmente a atuação coordenada dos governos amenizou-lhe os efeitos, detonando um ciclo de expansão que agora pode estar chegando ao topo – afirmam experts como o professor Vagner Ardeo, da Fundação Getúlio Vargas.

ANÁLISE (II)
Os sinais da desaceleração estariam chegando aos mercados mais sensíveis, como imóveis, segundo o economista brasileiro. Para isso estariam contribuindo o término dos programas de incentivo financeiro dos bancos centrais, a elevação gradual de juros nos Estados Unidos e a perspectiva de um confronto comercial duradouro entre o governo local e parceiros como a China. A previsão preocupa o Brasil, que sofreu a sobreposição da crise global com desacertos governamentais internos, perdendo a década.

REMÉDIO À MÃO
No caso dos países da América do Sul, principalmente os situados no Cone Sul do continente, há um remédio à mão como um contraciclo: aprofundar a integração dos mercados regionais. Essa foi a conclusão do III Encontro de Consulados e Câmaras de Comércio realizado pela Federação do Comércio do Paraná. Representantes da Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile relataram perspectivas de maior intercâmbio entre empresas da região, favorecidas pela proximidade, complementaridade de economias e acordos de comércio.

ANÁLISE
Rui Lemes, diretor da área de comércio exterior da Fecomércio, avaliou que o aprofundamento da integração entre os países vizinhos vai reduzir os possíveis efeitos de uma desaceleração da economia a nível mundial. Nesse sentido ele vai liderar delegação paranaense à Exposição Paraguai-Brasil, que se realiza no fim do mês em Assuncion, que conta com o prestigiamento do novo presidente Mario Benitez, do Paraguai.