O Dragão Fashion Brasil Festival 2019, que acontece na Praia de Iracema, em Fortaleza, surpreende desde a primeira noite, pela qualidade, juventude e pelo talento dos designers cearenses. Um dos mais aclamados desfiles foi o de Gisela Franck, que após oito anos, iniciados em 2006 como estilista da célebre Água de Côco, estabeleceu, e bem, marca própria. Atemporal e diáfana, a coleção é feminina e muito delicada.
Apresentada em uma passarela de flores secas e aroma de lavandas do campo, a coleção vestia meninas-moças parecidas saídas de um quadro impressionista de Renoir. O que surpreende é que Gisela conta que ficou muito inspirada ao visitar a exposição do chinês Ai Weiwei, dono de uma obra nada sutil nem romântica (em Curitiba, pode ser vista no Museu Oscar Niemeyer).
No entanto, a designer cearense demorou-se diante da Cesta de Bicicleta com Flores em Porcelana, cuja leitura, para ela, é de amor à vida, à natureza . “Minha inspiração nasce sempre de algo que me emociona”, diz, acrescentando que gosta também de unir moda e arte.
E Gisela conseguiu emocionar a plateia com uma coleção de peças lânguidas, de formas orgânicas, transparentes, constituídas de gaze de linho (Casa Blanca Tecidos). A areia empresta sua cor aos vestidos, calças, blusas, blazers. Os cortes são modernos e a modelagem é invejável. Agradecida, Gisela Franck conta ser importante a parceria com a excepcional modelista Paula Menezes. Nem sempre os designers se lembram desse trabalho fundamental. Mas Gisela diz que Paula não só modela, como “cria e idealiza comigo”.
Os acessórios, compostos pela chapeleira Jamara Cid, são trançados de palhas de carnaúba, tratadas pelo artesão Severino. E as bolsas de junco Nanna Cay nasceram do trabalho de moda social que Marcia Kemp realiza com uma comunidade de artesãs peruanas.
Gisela é prata da casa: formou-se na Faculdade Católica do Ceará, depois estudou design de moda na Itália (Instituto Morangoni) e em Londres (Central Saint Martins). E seu futuro parece ser mesmo internacional.