Ney José de Freitas: modernização e memória

Se me perguntarem qual a característica com que posso definir Ney José de Freitas, 58, presidente do Tribunal Regional do Trabalho, Nona Região, e conselheiro do Conselho Nacional de Justiça,diria que o vejo como o magistrado das vitórias e primeiros lugares.

Porque as primeiras classificações caracterizam sua vida: passou pelo primário e fundamental em primeiro lugar. Entrou em primeiro lugar no vestibular de Direito da PUCPR, assim como, concorrendo com mil candidatos, homens e mulheres que para cá acorreram de todo o Brasil, ficou em primeiro lugar no Concurso para Juiz do Trabalho, em 1988; obteve o Primeiro lugar na Pós-Graduação em Direito, na PUCPR, em 1989. Foi o primeiro Mestre, na PUCPR, na área(depois, em 2003, doutorou-se em Direito Administrativo pela UFPR).

PROCESSO ELETRÔNICO

Homem de vitórias, Ney poderá contemplar neste dia 22 o a conclusão, em seu TRT, de uma nova era na justiça do trabalho em terras paranaenses, em suas 86 varas trabalhistas: a partir de agora todos os processos serão digitais.

Ser contemporâneo do futuro é obsessão e desafio para esse homem de espírito e cultor de música popular brasileira, o qual, no último dia 8, acrescentou novo marco significativo em sua biografia: é membro do poderoso Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em que terá assento até 2013. Pelo menos duas vezes por mês despacha de Brasília, no poderoso CNJ.

OS VOLUNTÁRIOS DA MEMÓRIA

É também visível a preocupação do juiz com todos os assuntos que envolvam a coleta e resguardo da memória do judiciário trabalhista paranaense. Como exemplo: conseguiu, com apoio de sua equipe e engajando um sem número de profissionais, ex-magistrados e funcionários aposentados do TRT, implantar o Centro da Memória do TRT.

Nesse trabalho de recuperação das pisadas do Tribunal e dos homens e mulheres que construiram sua história, conseguiu, de saída, a recuperação de 96 álbuns de fotografias, que foram agora digitalizados.

Empolgado, Ney José de Freitas – testemunham auxiliares próximos, como o jornalista Gladimir do Nascimento – consegue a adesão de muitos voluntários para essa missão. A cada semana, exemplifico, esses aposentados se reencontram para realizar tarefa o comum e que, quase sempre, só eles ainda podem fazer: identificar um sem número de tipos humanos que aparecem no acervo fotográfico. O próximo encontro será no dia 25, quando o presidente dará um dedo de prosa com o grupo, recolhendo – como bom observador que é – novos ângulos para a composição da grande empreitada.

PRESENTE, PASSADO, FUTURO

Ney de Freitas não é catequista da doutrina que professa (kardecismo). Mas, com delicadeza e muito sutilmente, responde sobre sua preocupação com o recolhimento da memória da instituição TRT com uma certa expressão religiosa. Fala sem meias palavras sobre a obrigação que temos de cuidar do passado, enquanto trabalhamos o presente e preparamos o futuro. Por isso, não esconde gratidão, quando fala do advogado Milton Vianna, fundador da antiga Faculdade de Direito de Curitiba: “Teve papel essencial para a criação do nosso TRT”, ao lado do monumental Mozart Victor Russomano.

Milton Vianna será homenageado dia 15 de setembro, quando se celebrará mais um aniversário do TRT.

PERSONAGEM DE “VOZES DO PARANÁ”

Ney José de Freitas é um tipo humano – dizendo o mínimo -, bastante incomum. O menino pobre da Vila Guaíra, filho de um guarda civil, José de Freitas, legatário de um sobrenome do velho Paraná – os Taborda, na raiz de tudo – é capaz de mergulhar em sessões de música popular brasileira, ao som de cavaquinhos, violões, pandeiros e banjos, em rodas de samba, em casas de amigos. Assim como, com igual empenho, percorrer, a pé, quilômetros – “se for o caso” – para acrescentar à sua biblioteca de 8 mil títulos uma obra nova rara.

As metas certas que identificam esse homem de grande importância no judiciário brasileiro, envolvem, no momento, redobrado empenho: batalha para que a Universidade Federal do Paraná conceda o título de “Doutor Honoris Causa” ao compositor Watel Branco.

Para Ney, cuidar do reconhecimento de Watel, pobre e esquecido do poder público, autor de trilhas musicais das ondas do rádio e TV, que foi parceiro de Henry Mancini (o qual teria se apropriado de peça do paranaense, “A Pantera Cor de Rosa”) é um dos seus desafios maiores.

Eu não tenho dúvidas que ele se sairá bem. Afinal, fazer justiça tem sido sua marca mais definitiva.

PRECEITOS ALIMENTARES

Do professor de História de Israel do Studium Theologicum e Faculdade Evangélica do Paraná, Antonio Carlos Costa Coelho, anoto observações que faz a respeito de recente registro da coluna sobre a chamada comida Kasher:

“Não são somente os ortodoxos é que guardam os preceitos alimentares; a maioria dos judeus evita alimentos “treif” – não próprios para uso, literalmente, rasgado”,diz.

E observa ainda: “Carne de galinha – é permitido. Aliás, há muitos pratos judaicos a base de carne de galinha. O problema está em como a carne – de ave, gado, carneiro, cabrito – foi preparada. Quanto aos frutos do mar, são todos proibidos.”

Só é permitido peixe com escamas e nadadeiras, como: Abrotea, sardinha, bacalhau, anchôva, truta, arenque, atum, badejo, tainha, etc.

As lei alimentares estão contidas nos livros Levítico e Deuteronômio, com detalhes estabelecidos no Talmud e codificadas no livro Shulchan Aruch, de Yosef Caro, um dos grandes rabinos que viveu em Safed (Toledo, 1488 – Safed, 1575).

ADVENTISTAS SEGUEM OS PRECEITOS

Os adventistas do sétimo dia e outros grupos adventistas que tiveram origem na Igreja fundada por Ellen G.White, seguem igualmente os preceitos alimentares estabelecidos no Antigo Testamento.

Os adventistas dão ênfase ao cuidado com alimentos e dietas saudáveis, chegando a parecer expressão “dogmática” do grupo religioso, cujos fiéis são popularmente denominados de sabatistas, por guardarem o sábado, em lugar do domingo.

“ONDAS CURTA E MÉDIA” É BOM PARA TODOS

Renato Mazanek, parte essencial da memória do rádio e televisão paranaenses, está com seu livro “Ondas Curta e Média sem Delonga” nas livrarias.

Para quem se interessa por nossa história recente, pela história do rádio, por exemplo, eis uma obra imperdível. Recomenda-se o livro igualmente aos estudantes de comunicação social (e professores da área) para que possam entender as melhores partes da evolução da chamada “mass media” do Paraná, seus personagens, seus grandes momentos, a evolução pelo qual (e como) passou.

Contatos: renatomazanek@gmail.com

GIL E ANDREA, RUMO À PATAGÔNIA, DE BICICLETA

Gil Leal Caruso, 27 anos, é engenheiro mecânico. Há anos desempenha uma função importantíssima: é especialista em energia eólica, instala as torres que captam energia solar, em todo o Brasil.

Um ntelectual de longos vôos esconde-se nesse homem das ciências exatas, que é filho do escritor Raimundo Caruso. Até por isso, pode-se entender mais facilmente o tempo sábatico a que se concedeu: há duas semanas, partiu de Curitiba com a namorada, a professora de Português e Matemática, Andrea Trapiello, cada um na sua “bike”, para uma longa jornada rumo à Patagonia. Serão cinco meses de imersão na natureza do extremo Sul do Continente.

Eles esperam contatos, e podem, ser acessados no endereço cicloterras.wordpress.com

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Esta coluna é publicada diariamente no jornal Indústria&Comércio.

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