Na noite desta quarta-feira 22, no Museu das Telecomunicações, Rio de Janeiro, o Oi Futuro, instituto de inovação e criatividade da Oi, anuncia resultado da pesquisa Narrativas para o futuro dos museus, que aponta tendências inédita sobre a relação do público com museus no Brasil. O estudo será disponibilizado para download nas principais redes de referência do campo da museologia e patrimônio.

A pesquisa foi desenvolvida pelo instituto Oi Futuro em parceria com a Consumoteca, envolvendo análise de relatórios internacionais sobre tendências relacionadas a museus e um corpo de seis especialistas em museologia, patrimônio, educação e história. Foram ouvidos 600 brasileiros, frequentadores e não frequentadores de museus, das classes A, B e C, de todas as regiões do Brasil, durante o segundo semestre de 2018. O processo incluiu ainda grupos focais em cinco capitais (Rio, São Paulo, Porto Alegre, Recife e Belém), que trouxeram informações qualitativas sobre o perfil comportamental do público de museus e uma visão sobre a experiência digital com museus nos país.

O objetivo da pesquisa é apontar alternativas e estratégias para que os cerca de três mil museus brasileiros registrados no IBRAM -Instituto Brasileiro de Museus possam se comunicar melhor com o público de hoje, conquistar novos visitantes e seguir como espaços relevantes de produção cultural, aprendizagem, conservação da memória coletiva e fortalecimento de comunidades.

Para chegar às tendências apontadas pelo estudo para o campo dos museus, a pesquisa buscou responder questões como: O que o público pensa atualmente sobre os museus brasileiros? Por que muitas pessoas não os frequentam? Como os museus podem atrair mais público? Como a tecnologia pode ajudar? Qual é o papel da escola nessa relação? Como o museu pode estar conectado com a comunidade?

Entre os destaques da pesquisa quantitativa, está a percepção de 50% dos entrevistados de que museus são lugares para visitar uma só vez, locais elitizados, monótonos e sem novidade. Para enfrentar esse chamado “efeito viu, tá visto”, os especialistas que participaram do estudo apontam para a necessidade de os museus se reinventarem como espaços onde o público pode viver experiências, que não podem ser reproduzidas virtualmente, e também apostarem em ciclos mais dinâmicos de exposição, inspirados na rotina dos centros culturais.

 

Outro ponto de destaque é a relação entre museus e educação: 55% dos entrevistados tiveram seu primeiro contato com museus em excursões escolares, contribuindo para uma visão de que museus são locais com regras rígidas, onde não se pode tocar em nada nem fazer barulho, e onde a aprendizagem ocorre de forma passiva, tendo como objetivo a transmissão de conhecimentos a serem cobrados em provas. O estudo aponta para a necessidade de as instituições colocarem a criança no centro do dia a dia do museu, investirem na preparação dos professores e na participação das famílias, incluindo-os todos nos movimentos de criação e recriação do museu, para que a comunidade se veja representada no museu.

A pesquisa faz parte da linha de atuação do Oi Futuro na produção de conteúdo de referência e no estímulo à inovação. No campo dos museus, o instituto atua através do Museu das Telecomunicações – pioneiro em interatividade e gamificação – e na geração de conteúdos e articulação de redes para formação de novos públicos, promovendo pesquisas, seminários e cursos.

O estudo também serve para nortear dois importantes movimentos de atualização do Museu das Telecomunicações, programados para 2019:

  • Upgrade tecnológico e modernização das instalações físicas e expográficas do Museu, com novas atrações de interação e gamificação para o público. As obras iniciam no segundo semestre de 2019;
  • Lançamento do edital “Hipermuseus”, com foco na formação de profissionais para os desafios do museu do século 21.

Com doze anos de história, o Museu das Telecomunicações é pioneiro no uso de interatividade e tecnologia integradas à museologia no país. O museu fica dentro do Oi Futuro no Flamengo, no Rio, e recebe cerca de 19 mil visitantes por ano. Com entrada gratuita, o espaço reúne passado, presente e futuro de forma arrojada em um mesmo ambiente e leva o visitante a uma viagem pela história da comunicação humana no Brasil e no mundo. São 210m² que traduzem o conceito moderno de museu: o máximo de informação no mínimo de espaço. A ideia é integrar os variados objetos do acervo – como telefones, aparelhos de telex, cabines telefônicas – com vídeos, fotografias de época, textos e programas interativos, permitindo aos visitantes navegar por uma infinidade de janelas de conteúdos diversos.

A exposição permanente do Museu das Telecomunicações é resultado de um trabalho contínuo de pesquisa sobre o acervo histórico mantido pelo Oi Futuro em sua Reserva Técnica, que hoje possui cerca de 130 mil itens, entre objetos, fotografias, gravações e documentos de diversas épocas. Entre os principais objetos em exposição estão uma réplica do aparelho experimental criado por Graham Bell, aparelhos telefônicos de diversas décadas, incluindo a coleção de telefonia pública, uma das mais completas do Brasil. Há também listas telefônicas digitalizadas que revelam os endereços de cariocas ilustres e arquivos sonoros inéditos, com vozes de Clarice Lispector, Freud e Thomas Edison, entre outros.

A instituição também tem como missão inspirar o campo dos museus para o que está por vir, colocando o visitante no centro do museu, ativando redes e inspirando programas de formação e modernização das atividades fins dos museus no Brasil.