O cargo de vice-presidente da Argentina, que Cristina Kirchner assumirá no próximo dia 10 de dezembro, tem particularidades com relação ao mesmo posto no Brasil.
Na Argentina, o vice não apenas assume o lugar do presidente temporariamente quando este está doente ou ausente -ou de forma permanente, em caso de morte, renúncia ou impedimento do titular: o vice também preside o Senado e tem poder de voto no caso de decisões legislativas que estejam empatadas. Ou seja, funciona como vínculo entre o Executivo e o Legislativo.
Na história da democracia argentina, há tanto um histórico de vices que viraram presidentes (nove) como de vices que tiveram problemas com seus presidentes e terminaram afastados ou renunciaram do cargo.
Entre os que viraram presidentes, a mais conhecida é Maria Estela Martínez de Perón, a Isabelita Perón, segunda mulher do general Juan Domingo Perón, que era vice do marido e assumiu após a morte dele, em 1974. Isabelita governou por dois anos, até que foi derrubada pelo golpe militar, em 1976.
Também entre os vices que depois assumiram o posto principal está Eduardo Duhalde, que se elegeu na chapa de Carlos Menem em 1989. Duhalde concorreu à presidência em 1999, mas foi derrotado por Fernando de La Rúa. Depois da renúncia deste, em 2001, foi designado pelo Congresso como presidente, já que o próprio vice de De La Rúa, Carlos “Chacho” Álvarez, também havia renunciado. Tudo isso em meio à grave crise econômica que eclodiu naquele ano.
Entre os vices que tiveram problemas com seus chefes está o próprio “Chacho” Álvarez, que renunciou por diferenças políticas “irreconciliáveis” com De la Rúa, e Julio Cobos, o primeiro vice de Cristina, de quem esta se afastou depois que ele votou contra uma lei criada por ela no Congresso.
Cristina não teve sorte também com seu seguinte vice. Amado Boudou se encontra preso, depois de ter sido condenado, em 2018, a cinco anos e 10 meses por tráfico de influências.