As três mil unidades museológicas registradas no IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus ganharam uma ferramenta capaz de auxiliar sua permanência no tempo e no espaço. É a pesquisa do instituto Oi Futuro, realizada pela Consumoteca com 600 frequentadores e não-frequentadores de museus, classes A, B e C, de todas as regiões do Brasil. E já está disponível, gratuitamente, no site https://oifuturo.org.br/pesquisa-museus-2019/
A Consumoteca realizou a pesquisa no segundo semestre de 2018, quando o país estava angustiado com o incêndio que consumiu o Museu Nacional, que em junho completa 201 anos. Saber o que o público pensa atualmente sobre os museus brasileiros foi a mola mestra da pesquisa, da qual constaram questões sobre desinteresse de frequência, como os museus podem atrair mais público e se a tecnologia pode ajudar nessa conexão.
A pesquisa foi apresentada ao meio cultural e jornalistas na semana passada, no Centro Cultural Oi Futuro, no Rio de Janeiro, em painel formado pela museóloga Bruna Cruz, do Museu das Telecomunicações, a historiadora e coordenadora do Memorial da Resistência, Marília Bonas, o diretor do Museu da República, Mário Chagas, e o antropólogo Michel Alcoforado, da Consumoteca.
Bruna Cruz, museóloga do Museu das Telecomunicações do Oi Futuro, revela que o estudo Narrativas para o futuro dos museus faz parte da linha de atuação do instituto Oi Futuro na produção de conteúdo de referência e no estímulo à inovação.
A pesquisa teve três temas enfatizados no painel: a percepção de que acervo é tudo o que está dentro de um museu, o primeiro contato com um museu deu-se pela via escolar (55% dos entrevistados) e museu não é programa para se repetir – uma vez visto, está visto (50%).
“Nosso recorde de visitação aconteceu logo após o incêndio no Museu Nacional”, revelou Mário Chagas, ilustrando a comoção causada pela tragédia e o sentimento percebido de que acervo não é apenas o objeto expositivo. E, se assim é, advém uma lição: os jardins, o mobiliário, enfim, até os banheiros devem ser bem cuidados.
Diante da constatação que a escola é o primeiro elo do visitante e o museu, todos os painelistas manifestaram preocupação da escola tornar o museu objeto de teste, de tarefa, de provinha, enfim, tirando o prazer do aluno na quebra da rotina escolar. “A relação da maior parte dos brasileiros com o museu nasce com a escola. “Museu deveria ser meio, um caminho para o aprendizado e não um fim, um lugar onde o conhecimento está pronto para ser absorvido”, observou Michel Alcoforado.
Para Mário Chagas, “a relação dos visitantes com os museus deve ser permeada pelo afeto. A potência poética dos museus precisa ser recuperada”. E deve-se haver preocupação com novidades, com atrações constantes, ou seja, adotar estratégia para fazer o visitante virar frequentador. “Não existe o já visto. O pior para educação brasileira é essa ideia. Não existe o mais visto na arte, na literatura. A potência poética dos museus, se recuperada, mostra que o já visto não existe. O museu é”, ensinou. E Marília Bonas, do alto de sua experiência na direção do Museu da Resistência, observou: “Museus são instrumentos contra a barbárie. Trazem objetos vivos, com todas suas memórias e humanidades”.

Novidades no Museu das Telecomunicações

Localizado no bairro do Catete, Rio de Janeiro, o Museu das Telecomunicações, unidade do instituto Oi Futuro, vai passar por reformas. Sua diretora, a museóloga Bruna Cruz, informa que o estudo Narrativas para o Futuro dos Museus também serve para nortear os projetos de atualização programados para 2019.
O primeiro é o upgrade tecnológico e modernização das instalações físicas e expográficas, com novas atrações de interação e gamificação para o público. As obras iniciam no segundo semestre de 2019. O segundo é o lançamento do edital Hipermuseus, com foco na formação de profissionais para os desafios do museu do século XXI.
Criado em 2007, o Museu das Telecomunicações tem acervo com 130 mil peças, entre réplicas e originais.