por Claudia Queiroz

Há pouco mais de 100 anos, as mulheres ganharam um dia especial, só delas, pra comemorar. A data carrega como objetivo valorizar as conquistas sociais, políticas e econômicas. No entanto, desde que descobrimos o ‘outro lado da força’ e passamos a competir de igual para igual com os homens, parte da nossa essência foi perdida.

Não sou contra qualquer tipo de movimento… Mas herdamos a dor do grito das mulheres que queimaram os sutiãs, que se vestiram de homens ou que negaram sua feminilidade por ilusões de poder. O que poucas de nós percebem é o quanto esse eco ainda nos aprisiona. A biologia feminina continua implorando pela vida… Seja no auge da carreira, perto dos 40 anos, quando o sonho da maternidade está quase se apagando, seja sussurrando para Deus com sua criança doente adormecida nos braços… Toda mulher tem a chave mágica da sobrevivência humana!

Muitas famílias sofrem com a falta de qualidade de tempo para a formação do caráter de um filho… A ideia fixa de beleza e estética perdura, mesmo que indeterminadamente, nos perfis sociais femininos. A ânsia do sucesso profissional embriaga boa parte das mulheres, que passam a vida tentando equilibrar o que conseguiram comprar com aquilo que não tem preço…, para mais tarde virarem reféns de antidepressivos.

Nunca tivemos uma sociedade tão carente de afeto! E afirmo sem hesitar, com a insegurança multiplicada em escala industrial! “Hey, goste de mim, curta meu ‘face’, siga minha página no ‘insta’, dê um ‘like’ você também nas tantas ‘lives’ virtuais….” A data merece reflexão bem mais profunda que a enxurrada de mensagens que recebemos via whatsapp.

Na antiguidade, todos os homens caçavam, enquanto as mulheres cuidavam da prole. Vivíamos em comunidade, compartilhando experiências, somando experiências. O aconchego do lar era o porto seguro para nos sentirmos amados, até que a revolução industrial ‘comprou’ a ilusão de que nadando contra a maré…

Apenas um século foi o suficiente para desequilibrar a humanidade. Hoje temos que administrar assuntos indigestos e super complicados como legalização do aborto, aumento dos índices de suicídio, drogas por toda a parte, mais divórcios que casamentos e tanto desamor.

Não é fácil ser mulher na atualidade. Eu mesma busquei a independência aos 16 anos, quando comecei a trabalhar. Sempre valorizei meu lado empreendedor, investindo em faculdades e pós-graduações. E meu maior orgulho, a peça mais bonita que carrego no portfólio chama-se Gabriella, minha filha! Nunca havia imaginado me doar desta maneira, tão cansativa e prazerosa. Mas desde que me aventurei neste ballet de enfrentamento em aceitar as mudanças de prioridades, fiquei gigante! Potencializei competências, desenvolvi novas habilidades, inaugurei talentos, desafiei previsões, superei expectativas.

Por isso questiono: de que adianta saber domar o cérebro, fazer tanta musculação no coração, se muitas de nós ignoram os próprios instintos? Mulher se escreve com ‘AME’ maiúsculo e ‘EME’ de amor! Aquele que enxerga em toda criança uma esperança; em cada oportunidade, um aprendizado; nas entrelinhas, um bom pensamento; e nos beijos, o pedacinho de céu… E isso tudo gera a força mais poderosa que precisamos para lutar contra o que for preciso quando acreditamos nos nossos sonhos.

O mundo é movido por estes encantos. Muitas mulheres ficaram ilustres simplesmente porque acreditavam! Mas também muitos homens obtiveram sucesso porque conviviam com mulheres inspiradoras! Que as causas e as lutas sejam para engrandecer o feminino, que sabe calibrar a força com a doçura e transformar realidades por amor. Podemos ser tudo o que quisermos e mães também, dos nossos filhos e dos filhos dos outros, para nunca perdermos os laços, que enfeitam ainda mais nossas tantas histórias.

*Claudia Queiroz é jornalista.