Sérgio Moro disse há algumas semanas que ser ministro do Supremo Tribunal Federal, o cargo máximo do Judiciário brasileiro, seria como “ganhar na loteria”, mas que não era “simples”. “Meu objetivo é apenas fazer o meu trabalho”, disse a um jornal português. Neste domingo, o presidente Jair Bolsonaro revelou que seu ministro da Justiça negociou uma espécie de bilhete premiado antes de aceitar assumir o cargo no Governo: “Eu fiz um compromisso com ele (Sérgio Moro). Ele abriu mão de 22 anos de magistratura. A primeira vaga que tiver lá [no STF], estará à disposição.” A primeira vaga à vista é a do decano do tribunal, Celso de Mello, que deve se aposentar no ano que vem, aos 75 anos.

A revelação de Bolsonaro a respeito do ex-juiz estrela da Operação Lava Jato foi feita em entrevista ao ao jornalista Milton Neves, da rádio Bandeirantes. Reforça publicamente o laço entre presidente e ministro num momento em que Moro acumula derrotas e dificuldades políticas à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A super pasta, desenhada para acomodá-lo, está sob pressão, entre outros aspectos, por estar à frente de pautas prioritárias ligadas a promessas de campanha de Bolsonaro.

Volto vencido

Nesta semana, a pasta de Moro foi apenas coadjuvante, e voto vencido, na formulação de um decreto que ampliou enormemente a possibilidade de posse de armas no Brasil. O texto levantou a resistência do próprio STF e do Congresso e obrigou Moro a medir as palavras para não criticar publicamente seu superior hierárquico. Do Parlamento, veio outra derrota, com decisão da comissão que debate reforma administrativa de retirar o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) da pasta da Justiça e levá-la de volta à da Economia. Moro queria o controle do Coaf porque argumentava que órgão, que rastreia movimentações de dinheiro atípicas, é essencial para ampliar o combate ao crime financeiro e lavagem de dinheiro, sua especialidade.

Bolsa de apostas

Na bolsa de apostas permanente dos caminhos do projeto político do ex-juiz da Lava Jato, e suas conexões com o bolsonarismo, o capítulo deste domingo marca inflexão. Questionado pelo UOL, o ministro da Justiça afirmou que não comentaria a inusual declaração de Bolsonaro. Num momento de dificuldades para o Planalto, é dado relevante que, à diferença de outros nomes do ministério, o ex-juiz tem capital político próprio. Segundo as pesquisas de opinião do Atlas Político e do Datafolha, Moro é mais bem avaliado que o próprio presidente, ainda que seu prestígio não viva o auge dos primeiros anos da Lava Jato, inclusive porque suas ambições políticas ficaram explícitas desde então.

Cartes na chincha

O ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes é alvo de mandado de prisão preventiva em desdobramento da Lava Jato que ocorre nesta terça-feira (19). A suspeita é que ele tenha ajudado na fuga de Dario Messer, considerado o doleiro dos doleiros. A decisão é do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal fluminense, e Cartes terá o nome inserido na difusão vermelha da Interpol.

Os rejeitados

Uma pesquisa do Ibope, realizada entre 18 e 22 de outubro deste ano, registrou que 43% dos entrevistados não votariam no PT, enquanto 50% não votariam “de jeito nenhum” no PSL – sigla a qual pertence, atualmente, o presidente Jair Bolsonaro. Como já era previsto, a rejeição ao PT é menor no Nordeste, onde 28% não votariam no PT, ante os 43% que rejeitam a sigla a nível nacional. Na região, a rejeição ao PSL também é maior, chegando a 62%. Como você já leu aqui no BRP, Bolsonaro está articulando sua saída do PSL para criar o seu próprio partido, o Aliança pelo Brasil. As informações são do BR Político.

10 milhões

De acordo com a revista Piauí, a diferença de sete pontos percentuais entre as duas siglas representam 10 milhões de eleitores. Na última pesquisa do instituto, realizada em setembro a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou que a desaprovação do governo Bolsonaro atingia metade da população.

Continua em cana

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, rejeitou ontem novo pedido para a libertação do ex-deputado federal paranaense Nelson Meurer (PP) e de seu filho Nelson Meurer Júnior, ambos condenados no âmbito da operação Lava Jato. Meurer e o filho foram presos em outubro, por decisão de Fachin, que determinou o início do cumprimento da pena do ex-parlamentar.

Condenações

O paranaense foi condenado em maio do ano passado a 13 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e o filho por corrupção passiva a 4 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão em regime inicial semiaberto, por terem recebido recursos do esquema de corrupção na Petrobras. As informações são do Bem Paraná.

Em defesa

Uma das bolsonaristas mais fiéis Carla Zambelli (PSL-SP), que deve ir para o partido que será criado por Bolsonaro, saiu em defesa do presidente em um dos assuntos que foi um dos mais comentados na semana passada: a fala de Bolsonaro sobre seu vice. “Eu estava presente e o presidente não citou o Mourão. Ele estava falando do Bebianno, que plantou fake news para atrapalhar os planos do Luiz Philippe de Orleans e Bragança de ser o vice na época”.

Outra fintech

Uma fatia dos R$ 4,7 bilhões que o Magazine Luiza acaba de captar na Bolsa será destinado à criação de uma plataforma financeira. A ideia é montar um hub de soluções, especialmente em pagamento digital e crédito. À propósito da rede de varejo: Luiza Trajano tem confessado que não apoia atitudes como as de Luciano Hang, das lojas Havan, que suspendeu propaganda na Globo. Acha que negócios e ideologia não se mistu

Outros tempos

Na campanha, Bolsonaro dizia que “a China queria comprar o Brasil”, tomando partido na guerra comercial entre Estados Unidos e o país asiático. Agora, Paulo Guedes até fala em “livre comércio”, entre China e Brasil. o melhor saldo da reunião dos Brics em Brasília foi a possibilidade de aprofundar a relação com a China, maior parceiro comercial do Brasil e com potencial em investir por aqui, com prioridade para a área da Infraestrutura, prioridade do governo Bolsonaro.

Não é o culpado

O general Paulo Chagas, que foi candidato ao governo do Distrito Federal pelo PRP, com apoio de Jair Bolsonaro, saiu em defesa de Gustavo Bebianno. Garante que o PSL e Bebianno não são culpados pela crise do governo: “Bebianno foi, nesse ínterim, o mais próximo, leal e confiável membro do staff do candidato Jair Bolsonaro, condição que o converteu em alvo injustificável da desconfiança e da antipatia de Carlos Bolsonaro, o filho que, segundo a mídia, é o mais protegido pelo pai”.

Gerador de crises

Ainda o general Chagas: ele acredita que o gerador das crises política do governo são os filhos. “Como observador, como eleitor e como apoiador do governo Bolsonaro, vejo este e outros casos que envolvem o Presidente e seus filhos como as origens e a essência de grande parte das ‘crises políticas’ que puseram e ainda põem em risco a sua imagem e a do seu governo”.

Poste, de novo

Dirigentes do PDT, PSB, PV e Rede começaram a articular uma frente alternativa ao petismo. A ideia é juntar forças nas eleições municipais de 2020. Se funcionar, as legendas permanecem unidas em 2022. Lula nem se incomoda: terá candidatos próprios do PT nas eleições municipais e também na presidencial. Em sua caravana pelo país, repete a dose: deixa no ar sua possível candidatura, mas sempre levando a tiracolo Fernando Haddad. Afinal, o poste teve 47 milhões de votos e foi ao segundo turno.

 

Cena trágica

Para quem não tem ideia: o vazamento de óleo coincide com o verão, época em que o Nordeste recebe mais turistas. Na Bahia, o turismo representa 20% do PIB, o que é quase a mesma proporção (21,4%) da indústria no PIB paulista.

Porta aberta

Se Jair Bolsonaro não conseguir fundar seu partido “Aliança pelo Brasil”, o senador Ciro Nogueira, do PP, já mandou avisar o Capitão que as portas de seu partido continuam abertas para o retorno dele. Ciro, à propósito é réu na Lava Jato.

Continuará

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), assim como seu pai anunciou a saída da sigla. A desfiliação do presidente Jair Bolsonaro deve ser feita nos próximos dias e a de Eduardo deverá esperar a próxima janela partidária. Por isso muitos acreditam que ele deverá permanecer no posto de líder do PSL na Câmara, se não houver outra reviravolta. Os outros deputados que também anunciaram a saída do PSL também aguardarão a janela partidária.

Frases

“Eu fiz um compromisso com ele (Sérgio Moro). Ele abriu mão de 22 anos de magistratura. A primeira vaga que tiver lá [no STF], estará à disposição.”

Jair Bolsonaro, presidente.