MORINGA CHEIA – PRIMEIRO CONTRATO

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            Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Pois é, mais dez anos se passaram desde que às margens do Reservatório do Iraí, operado pela Sanepar, teve inicio um processo erosivo que avançando lenta e continuamente, fez resultar em uma situação de voçoroca e sulcos profundos, os quais fazem lembrar o noroeste do Estado nos anos 70 quando se dizia que o “Paraná estava ficando do jeito que o diabo gosta”.

Com o lançamento, há um ano, do Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná – PROSOLO, a Sanepar pela primeira vez em sua história o integra através de seu Subprograma MORINGA CHEIA, o qual tem como alvos, primeiramente o manejo adequado do entorno de seus reservatórios. Na sequência e/ou concomitantemente, a reposição e/ou melhoria das Áreas de Proteção Permanente – APPs nas microbacias de mananciais de captação em todo o Estado do Paraná.

Passar das boas intenções à prática constitui desafio desde sempre. Não foram poucas as tratativas visando debelar esta ferida não cicatrizada do Iraí, inclusive com elaboração de projetos, mas a coisa não saiu do papel. É como se diz tudo tem seu tempo e prova disso é que acaba de ser assinado contrato entre Sanepar como responsável pela área e a Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná – CODAPAR.

Vale a pena considerar as circunstâncias em que está se dando a assinatura desse contrato e, mais ainda, atentar bem sobre como se dará a execução do mesmo. Elaborado pela EMATER, o Projeto Executivo para as obras será executado pela CODAPAR, entidades especializadas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento – SEAB, coordenadora do PROSOLO e, portanto, não poderá restar dúvida quanto à excelência do resultado esperado.

Estando sendo considerado como um projeto piloto, esse trabalho no Reservatório do Iraí, além da exemplar execução da obra em si, proporcionará indicadores vários que serão tomados como referências concretas para projetos futuros em situações similares.

Definir e avaliar continuamente esses indicadores constituirão providências indispensáveis para correções que por ventura venham ser necessárias e, assim, assegurar sucesso. O insucesso, no entanto, caso venha a ocorrer, lançará fundadas dúvidas quanto à capacidade das organizações e atores envolvidos. A experiência acumulada de EMATER e CODAPAR, no entanto, permite supor que a SANEPAR terá encontrado nelas, boas parceiras.

Joaquim Severino- Diretor Presidente da Empresa Agrária Engenharia e Consultoria S/A e Professor de Política Agrícola da Universidade Federal do Paraná (1973/2010), escreve esta coluna desde 1992.