Os tecidos sustentáveis estão se tornando astros de passarela, eventos e salões de design. Para exemplificar, na semana passada, a modelo curitibana Isabeli Fontana foi ao Hollywood Science for Gala, usando um vestido feito com seda biodegradável certificada, livre de agrotóxicos.

Segundo a marca catarinense Colcci, o tecido seguiu rigoroso manejo sustentável de água e utilizou corantes biodegradáveis de baixo resíduo. Nada mais apropriado para o evento que beneficia o Instituto de Meio Ambiente e Sustentabilidade da UCLA, prestigiosa universidade norte-americana.

Madrinha desta edição, Isabeli Fontana tem proximidade com questões ambientais – é vegetariana, não usa produtos de origem animal e alerta: “Sempre digo que as ações do presente refletem no futuro. E qual futuro desejamos construir?”.

O Texticel, um biotecido feito a partir de cultivo de bactérias, e o primeiro tênis After Skate do Brasil em poliamida biodegradável, destacaram-se no Inspiramais 2020_I, salão de design de recém-realizado pela Assintecal em São Paulo. Notabilizado pela criatividade e tecnologia, o salão mostra que as inovações rendem bom negócio: apenas para compradores internacionais, registrou 4,3 milhões de dólares de vendas e seis mil visitantes interessados nas novidades em couro, tecidos, estampas, sintéticos, saltos, enfeites e aviamentos, entre centenas de matérias-primas que estarão nas vitrines a partir do próximo ano. (O Inspiramais 2020_II está agendado para 4 e 5 de junho).

O biotecido foi apresentado através do projeto Conexão Criativa e Comercial, com o qual o Sebrae e Assintecal apoiam o  desenvolvimento de matérias primas originais e inovadoras, ao mesmo tempo em que promovem a diversidade, a sustentabilidade e a tecnologia.  Nessa edição, 31 empresas, de Norte a Sul, responderam à chamada pública.

A  Biotecam – Assessoria e Desenvolvimento de Tecnologia Ambiental produz, no Rio de Janeiro, o Texticel, matéria totalmente biodegradável, mas que lembra (no tato e no visual) o couro, como se avista também nos trajes da marca Movin, apresentados na passarela do Brasil Eco Fashion. .

Já a Natural Cotton Colors trabalha com algodão colorido orgânico da Paraíba, produzido a partir da agricultura familiar. Entre suas inovações, está um tecido tecnológico utilizando fios desse algodão ecológico com poliamida biodegradável, dialogando com a renda renascença.

Também no Inspiramaism a Rhodia, empresa do Grupo Solvay, fez o lançamento do primeiro tênis After Skate do Brasil, em poliamida biodegradável. Batizado pela Mary Jane, a primeira marca de tênis de skate feita para meninas, por Prototype, o modelo tem como objetivo levar conforto, inovação e sustentabilidade às skatistas. O cabedal é de fios Amni Soul Eco®, primeira poliamida biodegradável do mundo, e construído em Knit, uma técnica de tecelagem 3D, onde o fio dá lugar ao cabedal quase que totalmente pronto, permitindo que o calçado tenha estrutura, flexibilidade e leveza, mas também otimize a matéria prima e minimize o desperdício durante a produção.

O  cabedal foi feito pela Bertex, empresa especializada em componentes para calçados, que empregou todo o seu know-how em Knit no projeto. Palmilha e cadarços, também produzidos com Amni Soul Eco, foram desenvolvidos  pelo Grupo Cofrag. E a linha de costura da Linhasita garantiu que toda a montagem do tênis tivesse poliamida biodegradável, do início à finalização.

No setor de fibras inteligentes, outra novidade da Rhodia no Inspiramais utilizou a tecnologia Amni Soul Eco® em fios de alta tenacidade. Com este fio a ITM, indústria têxtil com foco em tecnologia e sustentabilidade desenvolveu o Tanguá Eco Fio, tecido biodegradável de alta performance com resistência à abrasão. Para apresentar o lançamento ao mercado, a Rhodia e ITM juntaram-se à Skinbiquini no desenvolvimento de dois modelos de bolsas, que utilizam a nova tecnologia.

Bem interessante também a sandália com cabedal em biotecido, desenhado e produzido pela gaúcha Ipadma e ateliê Antimateria. O tecido, que a Bio Híbrido batizou por B-Cel, resulta de um processo em que bactérias fermentam chá e açúcar, gerando um manto de nanofibras de biocelulose, que é atóxico e biodegradável. O modelo levado ao Inspiramais tem palmilhas recicláveis e o solado é composto por borracha reciclada e colado com adesivo à base d’água. E o B-Cel, tingido naturalmente (acácia negra, cebola e ruibarbo), é dublado com tecido feito de aparas de algodão e PET.