O violoncelo de Jaques Morelenbaum e a voz de Zélia Duncan na abertura e em concerto agendado para esta quinta-feira com a Orquestra Sesiminas, o show de Jota Quest no desfile da marca Skazi, ambiente de 20 mil m2 com cenografia de piscinas, boias, barcos, água, areia, passarela em forma de deck e o tema Em Dias de Sol esperam fazer da 24ª edição do Minas Trend um trampolim para tempos melhores.

“Vivemos uma apatia generalizada, precisamos acordar, saltar o muro. E somente através da arte, da cultura, é que vamos voar”, sinaliza Ronaldo Fraga, diretor criativo do evento que termina esta sexta-feira, em Belo Horizonte. Todos os desfiles, isso posto, trazem música brasileira, ao vivo. É um manifesto político sem ser panfletário, expresso desde as composições de Milton Nascimento, presentes no desfile de abertura e no concerto que a

Orquestra de Câmara Sesiminas realiza no palco/passarela nesta quinta-feira 11.
Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, concorda que o Minas Trend precisa celebrar a diversidade e a democracia da moda. E já havia declarado que o evento quer mostrar uma indústria “criativa, inovadora e tecnológica – sobretudo, inclusiva e transformadora”.

Esse clima deve ser percebido pelos quinze mil visitantes, que percorrem 253 estandes de 187 expositores, sendo 81 vestuário, 69 joias/bijuterias e 37 bolsas e calçados. O salão de negócios registra 47 estreantes.

E, na passarela, o desfile Design de Autor responde com a ousadia das marcas A.Gots, Anne Est Folle, Camila Akemi, Candê, Carlos Penna, Fe-Lis, Jardin, Jessica Andrade, Libertees, m.AKT, Miêtta, Moon, Nouveau Jour, Nuu Shoes, Pauzzi, Victoria e Virginia Barros , que contou com uma de suas clientes, a atriz Erika Janusi, para estrear seus vestidos de couro.

O calor por esperados dias de sol reverbera nas coleções de Fátima Scofield, Skazi e das bijuterias do Sindijoias-MG, além dos desfiles coletivos abertos ao público, uma novidade – pela primeira vez em doze anos, quem estiver pelo pavilhão do Expominas poderá conferir as apostas dos expositores para Primavera/Verão 2020.

A Skazi surpreendeu com um show e não apenas trilha sonora do desfile: Jota Quest interagiu com modelos, criadores e plateia. A coleção, geométrica e luminosa, ainda contou com aplausos de Lulu Santos na primeira fila. Outro artista que já esteve no evento, mas transitando na passarela, foi a atriz Érika Januza, que desfilou um vestido de couro vazado de Virgínia Barros.

Nesta quinta-feira, mostram suas criações para verão 2020 as marcas Patrícia Motta, Denise Valadares e Raquel de Queiroz, além da exuberante bijuteria, inspirada no livro Vidas Secas, vinda de Maceió, capital alagoana que soma esforços para participar o Minas Trend.

A próxima edição do Minas Trend, em outubro, vai também sediar o Congresso Internacional Abit 2019, que propõe o tema Fim das Fronteiras: Da Criação ao Consumo. O anúncio foi feito nesta terça dia 9, em Belo Horizonte, pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Fernando Pimentel. São esperados cerca de 350 congressistas nos dias 22 e 23, para troca de ideias, conhecimentos e, pela primeira vez, haverá espaço para exposição de produtos têxteis. As inscrições estão abertas em http://www.congressoabit.com.br.

 

“Infelizmente, o ano não começou como desejávamos. O país passa por ebulições”, ponderou Fernando Pimentel, lembrando que a indústria têxtil brasileira é a quinta maior do mundo – “Poderia estar em melhor situação se não fosse o famigerado custo Brasil”. Revelou que a expectativa de crescimento do setor caiu para dois por cento. “O cenário não é confortável”, descreveu, porém, manifestou otimismo com a possibilidade de acontecer a reformada tributária.

A Abit ainda estuda a cidade que abrigará o quarto congresso, em 2020. Estão em análise três possibilidades em Mato Grosso, Ceará e Santa Catarina.