Sem visibilidade nas semanas de moda, o masculino, entretanto, revelou-se um capítulo interessante nas passarelas do Dragão Fashion Brasil 2019, evento de moda autoral realizado semana passada em Fortaleza. De 36 desfiles, peças masculinas pontificaram em desfile solo e junto a coleções femininas, entre marcas estreantes às já conhecidas, Na roda de palestra, o assunto mereceu um amplo painel, com participação do estilista Mário Queiroz, sumidade na área.

A grata surpresa é a marca Baba, estreante no evento, que chegou respingando tintas coloridas em suas roupas divertidas. Amarela, azul e vermelha são as cores escolhidas pelo publicitário Gabriel Baquit e pela estilista Marina Bitu. Tema da coleçã0 No meu tempo, e com ele Baba faz referências à década de 90.

Na outra ponta, o veterano Ronaldo Silvestre não se intimida em criar para os homens, ainda que sua coleção feminina desabroche feminilidades. Para as peças masculinas, o criador mineiro reaproveita jeans e mistura com tecidos nobres e suaves. O uniforme militar, estilo armadura, vem em contraponto à trilha sonora e tema do trabalho, a música Assum Preto.

O designer revelado há quatro anos no evento, com notoriedade internacional a partir de uma instalação realizada este ano em Londres, David Lee levou à passarela o notável trabalho que mescla crochê de pontos generosos e coloridos. Morador do Morro Santa Terezinha, área de vulnerabilidade de Fortaleza, Lee trabalha a masculinidade realizando junção de opostos, como força e fragilidade.

Responsável pelo desfile mais divertido e provocador do evento, Lindebergue Fernandes reviu o brega chique para dar uma sacudida na pasmaceira e enaltecer a igualdade de gêneros. Pérolas gigantes, estampas de gatinhos, mix de tecidos muito bem modelado e costurado contextualizaram o tema Eu não sou seu lixo. O recado é para o clã de Brasília

Água de Coco by Liana Thomaz, homenageada na edição de vinte ano DFB, não deixa de compor um visual praiano também para os meninos. E eles se apresentaram muito bem com sungas, bermudas listradas e ousou sugerir   esvoaçantes saídas de praia. Predomina a estampa de coco verde.

Kallil Nepomuceno  também acrescentou peças masculinas  à coleção, unindo visual esportivo com boa alfaiataria. Afeito à moda festa, com brilhos e bordados, o estilista reservou para os homens um visual azul da cor do céu, blazer sensual, peças ajustadas como que enaltecendo cada físico.

Ao retornar à passarela de Fortaleza, Melk Z-Da compareceu com uma coleção de fina artesania. Mas, abrindo passagem, lá estava  sua concepção para o perfil masculino. Muito elegante e também descontraído. Destaque para a série de cores suaves e alfaiataria impecável .

De São Paulo, a marca D’Aura também contempla os homens e os vestem com macacões e outras peças folgadas no corpo. E Bruno Olly, com a coleção O Grito, fez a passarela transformar-se em ringue de boxe. Inspirado nos anos 1990, ele propõe shorts, calças e macacões ajustados ao corpo

Para confirmar a importância da moda masculina no DFB Festival, coube a ela, através da Parko, a abertura dos 36 desfiles. A coleção da marca cearense foi apresentada numa passarela ao ar livre, na areia e com vista para o mar. Destaque para a estampa de flor de lótus.

Vitor Cunha vestiu homens de pescadores e cativou a plateia. A coleção abusou de crochê e macramê, com cores natural, azuis (mar) e também amarela (sol). O estilista, que também tingiu as  peças com processo vegetal, optou por tecidos de fibras naturais e biodegradáveis.

Com o país em clima a favor das universidades federais, o protesto chegou à passarela cearense de forma direta. Caio Nascimento fez um desfile-manifesto –  “paz, elegância, amor e tesão” estamparam as vestes, enquanto modelos desfilavam amordaçados e a voz do presidente sovava em um rap raivoso.

Vista Fair exibe lançamentos de moda intima
Em sua primeira edição, e já anunciada como a maior feira de lingerie, moda praia e fitness da América Latina, a Vista Fair recebe lojistas, em São Paulo, neste fim de semana, abrindo na sexta dia 26 no Centro de Eventos Pro Magno. A paranaense Recco marca presença, ao lado de expositores como Amari Lingerie, Amni – Rhodia, Art Stilo,  Berlan, Bojo Tek, Bordados Afrodite, Delfa, Fruit De La Passion, Intima Passion, La Bamba, La Clofit, Liebe, Livelle, Maria Zilda Lingerie, Nayane Rodrigues, NILIT, Pliê, Rosset, T_Jama, Triumph, Valisere e Yaffa Lingerie, entre outros.

Ana Flôres, promotora da feira, realça que ela foi planejada para um público formado por compradores nacionais e internacionais, designers de moda, profissionais de marketing e vendas, representantes de multimarcas, tradicionais magazines e lojas de cross-branding, entre outras. E que o evento inova com a Arena Vista, um espaço para promover encontros de negócios, com Rodadas de Negócios e um ambiente para fomentar e disseminar conhecimento por meio de palestras, oficinas e mesas redondas, destinadas a lojistas de todos os portes.

Ana Flôres está confiante no sucesso da Vista Fair, partindo de dados do IEMI – Inteligência de Mercado, instituto especializado em estudos do mercado da moda. Segundo ele, o Brasil produziu em 2017, cerca de 813,8 mil peças de moda íntima, 4,5% superior ao ano anterior. Aumento maior do que a produção de vestuário em geral, que cresceu 3,2% em 2017, produzindo 5,9 bilhões de peças.

Os setores de moda íntima, praia e fitness também sofreram com a crise  econômica nacional, tanto quanto os demais. Porém, diz o IEMI, a moda íntima é o nicho com a melhor recuperação, retomando os níveis de produção pré-crise e em busca do maior nível de produção dos últimos quatro anos em 2018. Com maior frequência e gastando mais, o principal grupo consumidor é a classe B e C, que corresponde a 62% da população e 70% do consumo de vestuário.

Agende-se: 26 a 28 de maio, das10 às 20h, no Centro de Eventos Pro Magno (Av. Profª Ida Kolb, 513 – Jardim das Laranjeiras).