Minha filha, sob nova direção

732

*por Claudia Queiroz

Daqui a poucos dias minha princesa vai descobrir que não é mais o centro do mundo. Vai dizer “abuu” e ninguém se assustará… Ao levantar os bracinhos e falar: “estátua!!!”, duvido que alguém fique imobilizado (rss). Na brincadeira do esconde-esconde provavelmente não haverá tanta festinha ao encontrá-la…

Ela vai estranhar… ou não. Estará numa sala de aula com vários outros “herdeiros de diferentes reinos”… Todos príncipes de primeira viagem.

Dividir a atenção da Profe, somar responsabilidades, compartilhar seus pertences, diminuir o tempo com a mamãe e o papai, compreender que chorar não é resposta para muitas coisas e se jogar no chão, menos ainda, só pra começar….

Terá que multiplicar amigos e responder por si , pensar por ela mesma, defender seus interesses, querer coisas fora do script.

Então as claquetes terão que acompanhar a velocidade de cenas em sequência, sem sossego, sob a própria direção.

Ajudar a virar essa página no desenvolvimento físico, mental, emocional e espiritual da minha pequena é de uma importância gigante na formação dela. Isso é educar. Por isso chama ensino FUNDAMENTAL.

Plantamos boas sementes e precisamos arrancar as ervas daninhas (pela raiz) sempre que nossos filhos ousarem desviar a atenção e energia. Devemos estar atentos e intencionais com tudo o que envolve a vida deles.

Mas é empolgante imaginar essa nova fase. E respeitar o espaço e os talentos que irão brotar, a maneira como vamos resolver problemas e conversar sobre as teorias de tudo.

Quanto ela vai inspirar coleguinhas? Como nós, pais, encontraremos o ponto de equilíbrio ideal entre a superproteção e a autonomia que ela vai exigir?

Esse pensamento me fez perceber que literalmente estou na PRÉ-ESCOLA!!! Eu e todos os outros pais, provavelmente!!! Desbravando o futuro e confiando na essência, aquela que nos motiva a ser exemplo, apesar dos defeitos, só que fortes nas virtudes e cientes que vamos errar muito.

É a vida, oferecendo provas em forma de testes surpresa. A nota máxima será medida pelo esforço consciente em oferecer nosso melhor (tanto dela no desempenho escolar quanto de nós, pais, como educadores.). Gabarito único. Sem culpas, medos e outros sentimentos parentes que nos roubam a fé.

Esse é só o primeiro passo dessa maratona que é formar alguém para encontrar seu caminho e ser feliz. Seremos, em pouco tempo, uma espécie de porto, e ela, navio, chegando e partindo, rumo ao seu destino.

Mas prometa, filha, não deixa de ser pra sempre minha menininha.

Continuar sendo serelepe, curiosa, arteira e criativa.

Crescer sem perder a própria personalidade mas olhando com carinho as outras crianças.

Batalhar pelos seus sonhos.

Cantarolar enquanto brinca de descobrir o mundo.

Me abraçar sempre quando eu chegar para te buscar.

E se amar com todos os cachinhos que você tem.

Que assim seja,
com todo o amor do mundo, mamãe, mãe, mamanê ou manhê da Gabi!

Claudia Queiroz é jornalista.