O Mineirão vê como rescindido o contrato de fidelidade que possuía com o Cruzeiro desde 2013. A gestora do estádio confirmou a posição em relação ao acordo depois de uma nova cobrança ao clube em abril passado. A diretoria cruzeirense acredita que o vínculo permanece válido.
Com a quebra unilateral do contrato de fidelidade, os mineiros perdem o direito na definição de datas, tendo prioridade sobre eventos e jogos de outros clubes. Há outros pontos abordados no documento, como a questão de vagas no estacionamento, receita de bares e ações institucionais no telão do estádio.
Em posicionamento divulgado à reportagem, o Mineirão explica que há uma dívida de R$ 26 milhões em aberto e explica que este é o motivo principal para a quebra do compromisso.
“A Minas Arena e o Cruzeiro firmaram, em 2013, um contrato de fidelidade para que o clube mandasse suas partidas oficiais no Mineirão até o final de 2037. Devido ao inadimplemento do clube desde o segundo semestre de 2013, e após inúmeras notificações e tentativas de soluções amigáveis para a questão, a Minas Arena notificou mais uma vez o clube, em abril/2019, para a quitação de todo o seu débito, o que não ocorreu. Portanto, conforme consta do próprio contrato, o mesmo foi rescindido”, explicou.
“Importante destacar que, durante a vigência do contrato de fidelidade, a concessionária que administra o Mineirão sempre colocou o estádio à disposição do Cruzeiro em pleno funcionamento, tendo assegurado, mesmo com a inadimplência do clube, a contratação e o pagamento integral das despesas, como segurança, limpeza, orientação de torcedores e demais condições necessárias para que as partidas pudessem ser disputadas, conforme exigido no contrato”, acrescentou.
A gestora do Mineirão explica também o valor da dívida -R$ 26 milhões- e segue cobrando o clube judicialmente o valor.
“A Minas Arena ajuizou duas ações, uma relativa a inadimplemento no período de julho de 2013 a dezembro de 2015, e outra referente aos débitos dos anos de 2016 e 2017, que continuam tramitando na Justiça. Além disso, existe um débito referente a partidas dos anos de 2018 e 2019 que, até o momento, não foram quitados. A soma de todos os débitos está em torno de R$ 26 milhões”, concluiu.
Entre 2013 e 2017, o presidente do clube foi Gilvan de Pinho Tavares. A atual gestão, comandada por Wagner Pires de Sá desde janeiro de 2018, herdou uma dívida de R$ 24 milhões e deixou de pagar R$ 2 milhões, de acordo com o Mineirão. O atual mandatário tentou manter conversas no início de sua administração, mas não chegou a um consenso.
Perguntada sobre a alegação do clube em relação às recorrentes cobranças, a adminstradora optou por não se manifestar.
O Cruzeiro também foi procurado por meio de sua assessoria de imprensa e se manifestou: “O Cruzeiro entende que o contrato de fidelidade com a Minas Arena segue em vigência e está discutindo de boa fé os eventuais valores pendentes desde a administração anterior na esfera judicial”.

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