Em entrevista após deixar seu posto em Pequim, o embaixador brasileiro Marcos Caramuru explicou o milagre contemporâneo da ascensão da China como potência mundial. Para ele a nação asiática se apoia na milenar filosofia confuciana, exibe forte coesão social e foca o crescimento. “Enquanto outros países, como o Brasil, miram o controle da inflação, o governo chinês tem projeto e passa ao seu banco central a meta de crescer”.

Análise

Esse fator explica, segundo o diplomata, a continuada expansão da China após reorientar-se para o crescimento há 40 anos. Com uma taxa que ainda agora é superior a 6%, a China também melhora a renda de uma população de 1,3 bilhão de habitantes que já se aproxima do ganho per capita do Brasil (15 mil dólares/ano). Fica a lição: crescimento sustentável é a melhor forma de elevar um país.

Análise (II)

Na dimensão geopolítica, o embaixador Caramuru vê interesse na relação amigável entre o Brasil e o gigante asiático, para quem exportamos a maior parcela de produtos. Ainda, a China converteu-se em fator de equilíbrio no mundo polarizado de nosso tempo, compondo o novo diretório de poder em conjunto com os Estados Unidos, Rússia e, na medida em que se consolidar, a União Europeia. Mesma opinião do historiador britânico Michael Burleigh.

MERKEL ALERTA

“A Europa deve se reposicionar para enfrentar seus três grandes rivais globais – China, Rússia e Estados Unidos,e buscar poder  político proporcional à força econômica do bloco”, afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel. A dirigente observou não haver “dúvida de que a Europa precisa se reposicionar em um mundo que mudou”, porque “as velhas certezas da ordem do pós-guerra não se aplicam mais”.

Análise

Ao defender a marcha para a unidade européia, a governante alerta para a mudança de eras históricas: a arquitetura política do pós-guerra gerou um mundo bipolar liderado por duas superpotências (Estados Unidos e União Soviética), passou pela hegemonia norte-americana após o colapso soviético, mas inicia o século com três grandes atores e os europeus unidos procurando espaço nessa arena. Henry Kissinger, avaliando a nova geopolítica, admitia que Índia e Brasil poderiam entrar no tabuleiro. Crescendo com vigor, os indianos já chegaram à segunda fileira.

FALTOU COMUNICAÇÃO

Seis meses após a movimentação das eleições gerais as ruas brasileiras voltaram a experimentar o fragor das multidões que foram protestar contra os cortes federais na área da educação, notadamente para as universidades mantidas pela União. As marchas de protesto se espalharam pelo país, engrossadas por sindicalistas e militantes de partidos da Oposição.

Análise

O episódio trouxe a voz das ruas, adormecidas desde a campanha eleitoral. Mas sua origem foi identificada, com razão, pelo vice-presidente Mourão: houve falha de comunicação. Uma operação de mídia bem estruturada deveria ter informado que o contingenciamento (e não corte definitivo) no orçamento das instituições tem caráter geral: atingiu todas as esferas da administração; restrição usual no início do exercício, passível de ser revista à medida que a arrecadação melhora ao longo do ano.

 

 

TEMER X LEVIATÃ

Liberado em decisão unânime da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (composta, entre outros magistrados, pelo paranaense Nefi Cordeiro), o ex-presidente Temer poderá se dedicar agora, ao preparo de suas defesas ante o rosário de denúncias criminais que passou a acossá-lo após deixar a chefia do governo. Os juízes superiores reconheceram que a prisão preventiva a que foi submetido por um juiz do Rio de Janeiro era ilegal.

Análise

Uma das julgadoras, a ministra Laurita Vaz – conhecida por seu rigor – lamentou a autêntica tentativa de antecipação de pena que está a refletir o ativismo que tomou conta de parcela do judiciário. Ativismo que se espraia, de juízes a procuradores, os últimos

proclamando para uma imprensa a-crítica que Temer era o líder de uma organização criminosa (eufemismo para quadrilha) há mais de 40 anos. “Fake”: nesse tempo remoto o então jovem procurador paulista Michel Temer era professor de Direito Constitucional na PUC-SP, sem condições de exercer a influência que maliciosamente lhe é imputada.

 

Análise (II)

O problema é que o ex-presidente tem que se defender às próprias custas, enquanto acusadores, julgadores e autoridades encarregadas de executar tais ordens de prisão dispõem de um aparato que, na primeira operação exibiu um aparato de guerra. Numa situação dessas (e nas milhares em que presos provisórios superlotam cadeias do país) cabe lembrar a lição de Thomas Hobbes: o Estado se converte no mítico e gigantesco Leviatã contra o mísero e impotente cidadão…

NA INFRAESTRUTURA

A Associação Paranaense de Imprensa (API), em conjunto com a Câmara Municipal de Curitiba, o Instituto de Engenharia do Paraná e o Movimento Pró-Paraná, convida a todos para o fórum de debates “Desafios da Infraestrutura Viária de Curitiba”. O evento tem o objetivo de expor e encaminhar propostas de solução de interesse público para problemas da área e será realizado no dia 20 deste mês (segunda-feira), das 14h às 18h, no plenário anexo da Câmara Municipal de Curitiba. A participação é gratuita.

Rafael de Lala e Vagner de Lara, jornalistas

David Ehrlich – Graduado: Comunicação Social – Jornalismo pela UFPR