SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente do Fed (banco central americano), Jerome Powell, indicou que novos cortes de juros podem estar a caminho.
Em discurso nesta sexta-feira (23) no simpósio de Jackson Hole, no estado americano do Wyoming, Powell disse que vai agir de forma apropriada para sustentar a expansão da economia americana.
O mandatário chamou atenção para as três semanas que sucederam o corte de juros de 0,25 ponto percentual promovido pelo Fed em 31 de julho. Neste período, o governo americano impôs novas tarifas à China, dados mostraram desaceleração das economias chinesas e alemã e os juros de títulos americanos de longo prazo caíram para patamares anteriores à crise de 2008.
“Baseado na avaliação das implicações desses desenvolvimentos, vamos agir conforme o apropriado para sustentar a expansão, com um mercado de trabalho forte e inflação próxima do objetivo de 2%”, disse.
O presidente citou, ainda, o provável Brexit sem acordo, os protestos em Hong Kong e a crise política da Itália ao falar sobre a piora da economia global nas últimas semanas.
“Junto ao corte de juros de julho, a antecipação de mudanças na política monetária favoreceu as condições financeiras e ajuda a explicar porque a perspectiva para a inflação e e emprego se mantém amplamente favoráveis [nos Estados Unidos]”, afirmou Powell.
Powell acrescentou que os cortes nos juros na década de 1990 ajudaram a manter a expansão econômica intacta.
Mas o tom geral de sua declaração pode decepcionar os investidores que esperam que o Fed reduza os juros em sua reunião de setembro e várias outras vezes este ano.
“[O Fed tem que] Olhar para o que podem ser eventos passageiros, focar em como a evolução do comércio está afetando as perspectivas, e ajustar a política monetária para promover nossos objetivos”, disse Powell, em referência a inflação dentro da meta e baixo desemprego.
Com o discurso mais favorável a incentivos monetários, as Bolsas globais reduziram quedas. O Ibovespa, que chegou a cair mais de 1% pela manhã, recua 0,54%, a 99.602 pontos por volta das 11h27. O dólar, que chegou a R$ 4,10 recuou para R$ 4,078,
O presidente americano, Donald Trump, ficou decepcionado com o discurso de Powell. Para Trump, o Fed impede o franco crescimento da economia dos Estados Unidos ao não promover cortes de juros mais expressivos.
O republicano é um duro crítico de Powell e pede um corte de um ponto percentual na taxa básica de juros americana.
Pelo Twitter, Trump criticou o banco central americano por não dialogar com o governo de modo a alinhar a política monetária com os planos da presidência.
“Minha única pergunta é, quem é nosso maior inimigo, Jay Powell ou o presidente Xi?”, disse em referência ao presidente chinês Xi Jinping.
Nesta sexta, a china anunciou tarifas sobre US$ 75 bilhões de importações americanas, em retaliação as tarifas que os Estados Unidos impuseram aos produtos chineses.
A próxima reunião do banco central americano para definir a taxa básica de juros será em 18 de setembro, mesmo dia em que o banco Central brasileiro define a meta para a Selic.