BEATRIZ VILANOVA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Quem navega pelo YouTube percebe que a plataforma é cada vez mais dominada pelo universo gamer.
Seja pelos streamers ou pelos vídeos que solucionam dúvidas de como instalar um jogo ou como passar de fase nele, os games já são parte significativa do site -em 2018, foram assistidas 50 bilhões de horas de conteúdo de jogos no YouTube.
São mais de 200 milhões de jogadores que vão a plataforma todos os dias só para ver vídeos e transmissões de games, segundo dados divulgados pela plataforma.
“Investindo na comunidade gamer há alguns anos”, diz Alessandro Sassarolli, gerente de parcerias de gaming no YouTube para América Latina, à reportagem.
“Pensamos nos criadores, fãs, marcas e publishers, que são as empresas que desenvolvem os jogos. Queremos que o criador tenha cada vez mais ferramentas para monetizar o conteúdo dele: não só a publicidade, mas também a doação de um público que acompanha o conteúdo deles”, completa.
Pensando nisso, a plataforma desenvolveu três produtos de monetização para vídeos: o “Clubes dos canais”, no qual os fãs pagam uma taxa mensal para serem membros de um canal e receberem um distintivo, emojis, e vídeos exclusivos; a “Prateleira de Merchandise”, que permite que os criadores vendam seus produtos diretamente no YouTube; e o “Super Chat”, no qual os usuários do YouTube podem “comprar mensagens” com destaque nos bate-papos com seus ídolos -​mais de 90 mil canais já receberam um Super Chat e para 20 mil deles esta é a principal fonte de receita no YouTube.
“O Clube de Canais e o Super Chat são funcionalidades do YouTube que começaram no mundo de games. Foram primeiro testadas nele, e depois se tornaram disponíveis para todos”, diz Sassarolli. Ele afirma que a equipe percebe cada vez mais marcas investindo nos canais de games no YouTube, e que a plataforma se tornou um “lugar para você criar sua base de fãs”.
Entre os jogos mais buscados e publicados estão o “Minecraft”, que é o primeiro no ranking de maior tempo de visualização de vídeos em comparação a outros games, e o “Free Fire”, que fica em segundo lugar.
“‘Free Fire’ está tendo uma performance muito interessante por ser mobile, o que diz respeito à realidade do brasileiro. É um jogo leve, que te permite jogar e capturar conteúdo. Muita gente começou a se tornar criador de conteúdo por ter baixado esse jogo no celular”, afirma Sassarolli.
“A comunidade de jogadores e criadores transformou o YouTube na plataforma de games que é hoje. Existe um lugar para todos, de jogadores mais experientes a gamers casuais, de qualquer etnia, orientação sexual ou gênero”, diz. “O YouTube tem que ser entendido como um local para criar uma comunidade e se relacionar com ela através de vídeos”.
COMPETITIVIDADE E TWITCH
O YouTube não é a única plataforma utilizada pelos gamers para acompanhar seus assuntos de interesse. “Trata-se de um ecossistema competitivo. Existe a Twitch, o Facebook Gaming”, diz Sassarolli. Mas, para ele, o diferencial do YouTube é o fato de não existir apenas conteúdo ao vivo, e a plataforma servir também como ferramenta de busca.
“O Google é a maior ferramenta de buscas no mundo, e o YouTube é a segunda maior. As pessoas também vão até ela para buscar coisas relacionadas ao mundo de games, por exemplo: ‘Como eu passo de fase’, ‘Como instalar o Freefire no celular’, ‘Finais do campeonato brasileiro de LOL’. Esse é um dos nossos diferenciais no mercado”.