Após os solavancos de abril, maio inicia com mais estabilidade no cenário internacional: a crise que opunha a Coréia do Norte e os Estados Unidos cedeu após o movimento de aproximação encetado pelo regime norte-coreano com sua vizinha do Sul e, visando abrir dialogo com o governo de Washington. Em outra frente, econômica, o banco central americano anunciou pausa no ajuste dos juros internos, o que pode estabilizar o câmbio mundo afora.

ANÁLISE

Como o mundo é complexo, sobrexistem outras fontes potenciais de turbulências: a guerra comercial desencadeada pelo governo Trump para conter o pesado superávit de comércio detido pela China contra os Estados Unidos – e que se desdobra por outros parceiros (Brasil incluso), e a reativação do conflito diplomático que opõe os governos ocidentais e o Irã, a propósito do programa nuclear daquele país muçulmano.

ANÁLISE (II)

Potência de classe média e situada fora do foco de conflito, tanto no caso coreano quanto do Oriente Médio, o Brasil não está afetado por essas turbulências de caráter geopolítico. Porém recebeu o baque das restrições de comércio, ao sofrer a imposição de cotas de exportação de aço para o mercado americano. E sentiu a instabilidade cambial com a majoração dos juros internos dos Estados Unidos, embora em grau tolerável e sob vigilância do nosso Banco Central.

POLÍTICA DURA

A determinação de prisão do ex-presidente Lula no estabelecimento-sede da Polícia Federal em Curitiba, que vem sendo cumprida desde o início de abril, abriu ocasião para confrontos entre partidários e opositores desse líder político. A aglomeração de pessoas nas imediações da PF, no bairro curitibano de Santa Cândida, além de restringir a circulação na área, causa transtornos à própria operação daquela unidade policial.

ANÁLISE

Por isso a Prefeitura de Curitiba e a entidade dos delegados policiais federais pediram à Justiça que fosse designado outro local para a custódia do ex-presidente, o que até aqui foi negado. Fique ou saia Lula, o que é inaceitável é a ocorrência de episódios de violência, como o atentado a tiros praticado contra ocupantes do acampamento pró-Lula; radicalismo que não condiz com os foros de civilidade da gente paranaense e curitibana.

DOIS FERIADOS

Maio, um mês de 31 dias cheios, só terá 25 dias úteis; ou somente 21, se tirarmos os quatro sábados dessa fração do calendário. É que o quinto mês do ano abriu com um feriado – o Primeiro de Maio, consagrado ao Trabalho, e fecha com outra data bloqueada, o dia 31, em que a tradição cristã celebra (e o Brasil incorporou) o Corpus Christi.

ANALISE

Nada contra os feriados; o problema é que tanto o Primeiro de Maio quanto o Corpus Christi caem no meio da semana, significando que além da folga própria essas paradas comprometem a semana, afetando a já reduzida produtividade da nossa economia. Por isso há movimentos que se esforçam por anexar tais feriados ao começo ou final da semana; medida que não afetaria as celebrações, mas beneficiaria a jornada produtiva semanal.

SEGURANÇA

A criação do Ministério da Segurança Pública, reunindo órgãos antes dispersos na estrutura estatal, deu alento para os que esperam mais ação do poder público – especialmente da União. É que até aqui recursos e energia foram direcionados para outras áreas da segurança; na União para o controle de danos ao erário; nos Estados para ações de combate a vários tipos de delitos – dos ambientais aos sociais (discriminação, etc).

 MEIO MILHÃO

Mas a prioridade nacional é outra: lançar todas as forças do Estado na repressão dos crimes violentos, principalmente o homicídio. Com mais de 60 mil ocorrências anuais, esse delito roubou a vida de meio milhão de brasileiros em uma década – segundo levantamento divulgado na semana. E continuará ceifando vidas enquanto a sociedade não se levantar para exigir uma reorientação na ação do Estado.

CRIME COMPENSA

O articulista Hélio Schwartsman foi preciso: enquanto no Brasil menos de 15% dos assassinatos são esclarecidos e menos de 8% dos acusados são condenados, em países europeus essa taxa sobe a 90%. Aqui a triste realidade é a de delegacias de Polícia mal aparelhadas, com pessoal deficiente; e “escrivães tomando depoimentos de pouca utilidade e de forma burocrática” – reclama o jornalista. Com uma estrutura dessas, arremata Schwartsman, “o crime compensa”.

SEPARAR FUNÇÕES

No Paraná a governadora, Cida Borghetti, anunciou a separação de funções da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária, criando uma Pasta específica para lidar com o sistema prisional. A medida, segundo o Palácio Iguaçu, permitirá liberar efetivos da Polícia Militar – e, com o esvaziamento das Delegacias, da Polícia Civil – para a missão precípua de patrulhamento e investigação. Em paralelo cabe coibir o crescimento vegetativo da população carcerária com penas alternativas e solução das prisões provisórias.

JUSTIÇA POLITIZADA

Com a sabedoria experiente dos 90 anos recém-completados o ex-ministro Delfim Netto adverte: o Brasil está se afastando do mundo, ficando perdido no passado. Sintomas: cinco milhões de jovens estão se preparando para concurso público, objeto de desejo de uma sociedade que vê as benesses de uma casta que se apropriou do poder, sem controle social. Em paralelo, nossa realidade: judicialização da atividade administrativa combinada com politização da Justiça.

ANÁLISE

O resultado dessa disfunção – segundo o veterano professor e ex-ministro – é que o país está se tornando “inadministrável”. Por isso o risco de perda da ambição histórica que determinou a consolidação do território, a expansão da economia até décadas recentes, em contraste com a estagnação presente. Como o processo histórico é dinâmico, o Brasil corre o risco de acabar como satélite de outros atores internacionais que vão ocupando a cena.

 ANÁLISE (II)

A avaliação do professor Delfim se conecta com o diagnóstico do presidente do Chile, Sebastian Piñera, em passagem pelo Brasil. O líder chileno, empresário de sucesso e defensor de uma economia aberta, rechaça o maniqueísmo de alinhar seu país com os Estados Unidos contra a China (na guerra comercial à vista) ou vice-versa. Em vez, propõe o fortalecimento de laços entre o Mercosul (Brasil incluso) e a Aliança do Pacífico (Chile e outros países daquela orla) para contarem no jogo.

DEZOITO PARTIDOS

A rodada de mudanças de deputados promovida no ano, sob o abrigo de uma polêmica “janela partidária”, reposicionou as principais legendas na Câmara, porém manteve a fragmentação anterior. Mais à frente, passado o pleito, o fato obrigará o presidente eleito – qualquer que seja – a negociar as famosas “coalizões” que estão na raiz da instabilidade republicana.

ANÁLISE

Observadores avaliam que, se já estivesse em vigor a cláusula de barreira, aprovada pelo Congresso e derrubada pelo Supremo, teríamos uma representação mais enxuta: 14 das atuais 32 legendas não atingiriam a meta necessária para diplomar candidatos. De toda forma essa regra estabilizadora vai vigorar nas eleições de 2022 – se nada mudar até lá.

APRESENTANDO

Sob iniciativa do Movimento Pró-Paraná o professor Oriovisto Guimarães, um dos fundadores do grupo Positivo, se apresentou como pré-candidato ao Senado pelo “Podemos”. Alinhado ao senador Álvaro Dias, que postula a presidência da República por essa sigla – oriunda do tradicional PTN – Guimarães explicou sua postulação: após uma carreira vitoriosa nos negócios e na educação, entendeu se apresentar para a vida pública. No evento ele não pediu votos diretamente, atendo-se às regras do pleito; apenas formulou análise e propostas sobre a conjuntura brasileira.

Rafael de Lala e Vagner de Lara, jornalistas

                            Beatriz Santana – Estagiária de Jornalismo, UNIBRASIL