O Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e serviços produzidos no país, deve crescer acima de 5% em 2010, na avaliação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.


O Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e serviços produzidos no país, deve crescer acima de 5% em 2010, na avaliação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A afirmação foi feita nesta quinta-feira à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), depois de entrevista a emissoras de rádio, durante o programa Bom Dia, Ministro.

Para Meirelles, 2009 termina do jeito esperado e 2010 terá crescimento, “ancorado na geração de emprego e aumento do crédito”. Ele enfatizou que o crescimento se dará com a inflação sob controle.

Na entrevista a emissoras de rádio, Meirelles disse que caso surja pressão sobre os preços, o Banco Central está preparado para “tomar uma decisão a tempo e a hora”.

“O Banco Central está sempre alerta para o risco de inflação. Existe sempre a possibilidade de algum descompasso entre a capacidade de produzir e o consumo”.

Meirelles acrescentou que os Estados Unidos tiveram que manter uma política monetária, com taxas de juros muito baixas, o que gera muito dinheiro em circulação. Segundo ele, essa situação leva desequilíbrio aos preços e à moeda. “Estamos tomados todos os cuidados para evitar que venha algum desequilíbrio para o Brasil”.

Ele lembrou, porém, que as projeções dos analistas do mercado financeiro indicam inflação dentro da meta de 4,5% para 2010, com limite inferior de 2,5% e superior de 6,5%. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o escolhido pelo governo para acompanhar a meta.

Segundo Meirelles, o crescimento do crédito no próximo ano será equilibrado. “Haverá aumento saudável. Estamos tomando todas as providências normativas e de fiscalização para evitar que haja desequilíbrio”, disse. Há analistas que esperam crescimento do crédito em relação ao PIB acima de 50% em 2010.

Meirelles evitou comentar a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta. Na reunião, o comitê decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 8,75% ao ano. “Temos uma política de governança de não comentar a ata, principalmente no dia de divulgação. Estamos no momento em que os analistas estão lendo a ata. Acho importante não perturbar essa leitura”.

DÓLAR
Henrique Meirelles afirmou que a médio prazo, a cotação do dólar tende a se equilibrar. “Não há dúvida de que em uma economia equilibrada como a brasileira hoje e com o sistema de câmbio flutuante, certamente a tendência será sempre de equilíbrio no médio prazo”, disse.

Segundo ele, com a queda do dólar, há aumento das importações e do deficit em conta corrente (registra as compras e vendas de mercadorias e serviços do país com o exterior) e, “em consequência, isso gera uma reversão paulatina no futuro”.

O presidente do BC voltou a enfatizar a importância do câmbio flutuante e lembrou que o papel do banco é evitar desequilíbrios de curto prazo.

“Às vezes, pode haver um excesso de entrada que gera desequilíbrio ou uma bolha e pode ocorrer, como no final do ano passado, um excesso de saída (de moeda estrangeira do país). Neste momento, o Banco Central compra ou vende dólares para equilibrar”, explicou.

Meirelles acrescentou que o Brasil “felizmente” adota o regime de câmbio flutuante, que tem se mostrado o mais bem sucedido dos últimos anos.

“No passado, quando o governo tentava controlar um determinado valor do dólar, isso gerava desequilíbrios na economia”.

Segundo ele, entretanto, “não há dúvida” de que há dificuldades para o setor exportador, mas o “o governo está olhando isso com atenção”.

Kelly Oliveira – ABr