O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, admitiu ontem que o Brasil não está imune a uma recessão dos Estados Unidos.


Ele ressaltou, no entanto, que, hoje, o país está mais preparado para enfrentar um cenário adverso.

"Não temos a ilusão que o Brasil está imune a desenvolvimentos externos. Mas cremos que estamos mais preparados para enfrentar cenários adversos", disse Meirelles.

Ele lembrou que o cenário básico de projeções feito no "Relatório de Inflação" do BC contempla um cenário externo adverso e que por essa razão a autoridade monetária está tranqüila.

Segundo Meirelles, o BC estará preparado para tomar medidas no caso de um agravamento do cenário externo, mas avisou que elas terão caráter preventivo e, não emergencial.

"Se necessário tomaremos medidas, mas sempre medidas preventivas para evitar problemas no futuro."

Sobre a forte queda na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) e na Europa nesta segunda-feira, ele avaliou que esses movimentos de queda refletem o temor de uma recessão nos EUA.

Meirelles destacou que nos últimos anos o BC tem trabalhado para reduzir a vulnerabilidade externa do país e essa é a razão para, atualmente, os indicadores econômicos mostrarem maior sustentabilidade.

O presidente do BC citou três pontos que devem ser mantidos no país: responsabilidade fiscal, regime de câmbio flutuante e compromisso com as metas de inflação.

"Não há atalhos para o crescimento sustentável. Não há como prescindir do equilíbrio", afirmou.

Para Meirelles, uma possível recessão nos EUA terá efeitos "substancialmente menores" do que o Brasil sentiria no passado e também em relação ao que pode ocorrer em outros países. "Minha mensagem é uma só. Estamos preparados", concluiu o presidente do BC.

Meirelles participou ontem da cerimônia de posse de Maria Celina Berardinelli Arraes no BC, que assumiu a diretoria de Assuntos Internacionais.