Meios de comunicação atuam como escavadeiras na formação da consciência

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"Como todas as instituições e coisas humanas, a imprensa também tem um lado bom e outro mau." (1.ª edição do primeiro jornal do Paraná, O Dezenove de Dezembro, 1.º/abril/1854).

"Como todas as instituições e coisas humanas, a imprensa também tem um lado bom e outro mau." (1.ª edição do primeiro jornal do Paraná, O Dezenove de Dezembro, 1.º/abril/1854). Entretanto, "o primeiro dever de toda pessoa em sociedade é ser útil aos membros dela, cada uma segundo suas forças físicas, morais, intelectuais."(1.ª edição do primeiro jornal do Brasil, Correio Braziliense, junho de 1808).

Praticamente, todas as situações políticas, econômicas, educacionais e sociais têm alguma base em substratos da informação, encontro, diálogo, preleção, leitura. Meios de comunicação, pais, professores, Igreja, líderes agem como escavadeiras na formação da consciência, da vontade e da vivência familiar, pública e organizacional.

Domingo, 11 de novembro, depois de algumas pessoas que se encontravam na Missa das 10h, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, manifestar sua insatisfação e descontentamento com os cantos, homilias, celebrações e comunicação da Igreja, um professor e médico dizia ter saudades do Papa João Paulo II, pelos conhecimentos, competência e habilidade de se comunicar com a humanidade. O saudoso "João de Deus" sabia usar dos modernos meios de comunicação com perfeição, e aproveitava todos os eventos de repercussão, como a Copa Mundial de Futebol, por exemplo, para transmitir sua mensagem evangelizadora.

De fato, os meios de comunicação são pilares para a formação da mentalidade pessoal e comunitária. A boa e conveniente comunicação é dever de todos. A Igreja também tem compromisso de preparar profissionais para as suas ações específicas. Investir em comunicações e comunicólogos é criar melhores condições para supervisionar e divulgar corretamente o próprio Cristo na terra, gerar, periodicamente, novos apóstolos e profetas, treinar pessoal eficiente para promover a paz, a ética e a justiça por meio da palavra, solidariedade e amor.

A modernização dos veículos de comunicação e preparação de profissionais são exigências da inter-relação e evolução das telecomunicações, redes mundiais e viagens espaciais. É oportuno lembrar que 97% dos conhecimentos do mundo foram gerados nos últimos 50 anos. Ainda, o conhecimento está se duplicando de 5 a 10 anos. A utilização e gerenciamento correto de todas essas criações são possíveis por meio da formação da vontade e da consciência. É por esta razão que defendemos que profissionais de imprensa, religiosos, autoridades tenham visão orgânica da pessoa, do mundo e da transcendência.

Entendemos que a ação da família, da escola, da Igreja e dos meios de comunicação pode ser maior, mais ampla e universal, a partir do momento em que houver modernização da linguagem falada, pregada, escrita, eletrônica. Crianças e jovens exigem atitudes correspondentes às complexas elaborações mentais, cada vez mais técnicas e científicas.

Falta na Igreja de Curitiba veículo de comunicação eminentemente pastoral e educativo, que reflita e aprofunde aspirações da população e atue no interesse do bem comum. Pergunto: Qual é o jornal paranaense ou brasileiro que divulga, de forma clara, acessível e precisa as atividades e pensamentos do Papa Bento XVI, dos bispos, dos religiosos e dos pensadores cristãos? Informe e esclareça ao leitor sobre polêmicas relacionadas às novas descobertas científicas? Integre, auxilie, promova e incentive interesses comuns da ciência, da cultura, da fé, da esperança e do amor?

Embora tenha infra-estrutura física e recursos financeiros, a Igreja carece de um veículo que estimule processos de conscientização, ofereça democraticamente espaço para veicular a realidade local, promova a união e a solidariedade familiar.