Màrio Petrelli em entrevista para o livro “Vozes do Paraná 10”. (Foto de Annelise Tozetto)

O empresário de comunicação Mário Petrelli, 82, é um integrante seleto da política nacional mesmo sem nunca ter disputado um mandato. Também não corporifica a “eminência parda” que deu fama a Golbery do Couto e Silva. É homem de almoços e jantares, de negócios à luz de refletores e de um dinamismo exemplar para um dono de emissoras da Rede Record no Paraná e em Santa Catarina.

PREFIRO REZAR

Sua memória é revigorante. Na longa entrevista que concedeu para o livro “Vozes do Paraná 10”, que será lançado em 25 de junho deste ano, na Sociedade Garibaldi, Petrelli diz que não teme a morte; mas teme o Alzheimer, uma doença degenerativa que faz o doente esquecer a si e aos outros. Foi aconselhado a fazer o teste para detectar a moléstia: cheirar canela, como ensinam os indianos. Respondeu de um jeito pródigo: “Prefiro rezar”.

FORMAÇÃO SÓLIDA

Explico: Petrelli aprendeu a rezar em casa, com os pais. Mas foi no Colégio Catarinense – na época, um dos três colégios que os jesuítas mantinham no Brasil -, que ele ampliou sua relação com o sagrado. Lá fez todo o primeiro grau.

Aos 15 anos mudou-se de Florianópolis para Curitiba, passando a viver na casa de seu irmão, o médico Armando Petrelli. Foi estudar no Colégio Estadual do Paraná (CEP), recém instalado na sede atual. Teve como colegas no CEP, alguns notáveis, como Norton Macedo. Chegou a liderar o Centro Estudantil do Colégio Estadual do Paraná, que presidiu em 1951.

No Curso de Direito da UFPR consolidou grandes amizades, que perduram sólidas, como com René Dotti.

CELULARES NO BOLSO

É o estilo de Petrelli. Ele é capaz de lembrar a bancada paranaense eleita em 1945, no reabrir democrático do Brasil. Lista reuniões das quais participou, mencionando participantes e datas. Almoça com ex-ministros e janta com empresários, é avesso à era digital mas carrega no bolso três celulares: cada um com o DDD das três cidades onde passa boa parte do ano: Florianópolis, onde fixou residência, Curitiba e Brasília.

ADVOGADO DE FORMAÇÃO

Petrelli tinha 15 anos quando aportou na capital paranaense. Era catarinense, mas a vida profissional erigiu nele um coração curitibano.

Foi estudante do Colégio Estadual do Paraná e depois da Universidade Federal do Paraná, onde cursou Direito. A advocacia atendia ao seu perfil contestador e algo beligerante, mas os caminhos que se abriram foram outros.

A RIC DESENHADA

Executivo de uma empresa de seguros, acabou por ocupar cargos importantes no Bradesco e depois no Banco do Brasil, no qual foi diretor de Crédito Geral. Na década de 1970, surgiu a oportunidade de adquirir uma emissora de televisão. Comprou-a, mas não viu. Nunca botou os pés na TV Coligadas, a primeira do grupo. Foi o filho, Leonardo quem, muitos anos depois, quando Petrelli já desenhava uma rede de comunicação voltada para a programação regional, quem assumiu os negócios e deu a eles a feição do que viria a ser a Rede Independência de Comunicação (RIC).

14 MILHÕES POR ANO

Leonardo havia estudado comunicação na San Diego State University, nos EUA. Quando voltou ao Brasil foi convidado para ocupar um cargo de produtor-executivo da Globo. Ficou no emprego até que o pai o convocou para tocar as emissoras da família no Paraná. “Ele podia estar ganhando 14 milhões por ano, mas preferiu a aventura de gerir uma rede com 1.400 funcionários”, afirma Petrelli.

UMA CANJA DE NÊUMANNE

O empresário mantém uma linha direta com José Nêumanne, colunista político de texto ácido e preciso. Durante a entrevista, liga para o amigo e faz questão que ele se envolva na entrevista, ainda que com uma participação curta.

PAPELUCHOS DOBRADOS

É o estilo de Petrelli. O telefone de Nêumanne ele alcança na agenda que é considerada das mais importantes do Brasil: uma lista impressa frente e verso com números de governadores, ex-presidentes da República, ministros, empresários, jornalistas, todos antenados com o poder nas variadas cores da paleta ideológica. Há outra, em farrapos. Esta ele guarda no bolso direito do paletó, colecionando folhas dobradas e papeluchos dantes navegados. Não se desapega porque teme perder número precioso. Nunca se sabe.

José Richa: desprezou oportunidade única

VIDA PÚBLICA ALHEIA

Petrelli gosta de política.

Com amigos, mantém um canal de comunicação exclusivo onde discorre sobre as coisas do país. Nêumanne é um prolífico. Envia ao menos três e-mails por dia ao amigo e exige dele a leitura crítica. O empresário tem algumas certezas. Vê em Geraldo Alckmin, o chuchu tucano, um forte candidato à sucessão de Temer.

No Paraná, aposta em Ratinho Jr, mas o quadro político insinua, disse, boa chance para a vice-governadora Cida Borghetti. Ele explica: há negociações em curso que indicam o apoio do PP à candidatura de Alckmin desde que o partido – a qual pertencem Cida e Ricardo Barros – ganhe apoio em suas incursões eleitorais no Sul do país. A estratégia ainda está sendo desenhada.

MISSÃO CRUCIAL

Quanto a Beto Richa, aposta em sua candidatura ao Senado. Ponto. Mas ele prefere lembrar do Richa pai, o José Richa.

Euclides Scalco: interlocutor privilegiado (Foto: Annelise Tozetto)

Quando ocupou o governo do Paraná (1983-1986), Richa recebeu o empresário no Palácio do Iguaçu. Ele vinha de Brasília com uma missão: convencê-lo a disputar a presidência no Colégio Eleitoral. A história tinha um capítulo anterior: Tancredo Neves, que era o candidato conciliador com trânsito livre entre os generais, relutava em renunciar ao cargo de governador de Minas Gerais. Richa não se apegou à oportunidade, conta Petrelli.

SEGREDO DE JOSÉ RICHA

Ligou para Franco Montoro, governador de São Paulo, e sugeriu um jantar na capital paulista com a participação de Tancredo. A proposta serviu para pressionar o mineiro a aceitar a indicação do PMDB e dos dissidentes do partido governista para que fosse o candidato da conciliação. Richa manteria em segredo essa passagem da história, só revelada, inclusive ao filho Beto Richa, após sua morte, em livro escrito pelo jornalista Hélio Teixeira. Poucos sabiam disso. Petrelli era um deles.

SCALCO, GRANDE ARTICULADOR

Mário Petrelli, por esses e outros momentos na vida política do país, tem autoridade de sobra para fazer avaliações. Por exemplo: não titubeia quando nomina Euclides Scalco com o “o mais sólido articulador político que o Brasil já teve. E que continua importante e privilegiado interlocutor de notáveis, como Fernando Henrique Cardoso”.

Fotos de Annelise Tozetto:

Com 83 anos é ativo empresário de comunicação.
Com dinamismo formou a Rede Record do PR e SC
Sua agenda de contatos é uma preciosidade.
Em entrevista com Aroldo Murá.

“BOLINHA” GANHA NA JUSTIÇA DIREITO DE VIVER

“Bolinha”, de Pereira Barreto, SP

O cachorro ‘Bolinha’, de Pereira Barreto, interior de São Paulo, ganhou na Justiça o direito a viver. O animal foi diagnosticado com Leishmaniose Visceral Canina em 2016, quando o Centro de Controle de Zoonoses da cidade determinou que ele deveria ser sacrificado. Para não se afastar do pet, a família se recusou a entregar o animal e entrou na Justiça, ganhando a causa.

ESCONDENDO O PET

“É muito comum que famílias acabem escondendo seus animais de estimação com Leishmaniose para evitar o sacrifício. Muitos tutores e até mesmo veterinários ainda desconhecem o tratamento que pode garantir a vida dos animais diagnosticados”, explica o veterinário Ricardo Cabral.

Veterinário Ricardo Cabral: orientando

AGORA TEM REMÉDIO

Desde o final de 2016, o laboratório francês Virbac, que atua no Brasil há 30 anos, conseguiu aprovação junto aos Ministérios da Saúde e da Agricultura para venda do único medicamento aprovado no País para tratamento da LVC.

FICAR VIGILANTE

Cão contaminado com Leishmaniose

Assim como nos seres humanos, o cão tratado não elimina completamente a Leishmania do seu organismo. Isso ocorre basicamente pela capacidade do parasita em se esconder em algumas células e tecidos dos doentes. Apesar disso, o tratamento garante uma redução significativa da quantidade de parasitas e dos sintomas, que podem ser graves.

AUMENTO DA SOBREVIDA

“Isso aumenta a sobrevida e melhora significativamente e qualidade de vida dos cães infectados, além de impedir a transmissão da doença, pois o cão com baixa carga parasitária geralmente não apresenta parasitas na pele. Assim, o mosquito pica e não ingere o parasita, evitando a possibilidade de transmissão da doença”, explica o veterinário.


A SOLUÇÃO DA POBREZA

“O traço comum entre todos será xingar os banqueiros”

José Pio Martins (*)

Este ano teremos eleições para presidente e exceção, farão duas promessas: reduzir a pobreza e reduzir o desemprego. Esses são os dois maiores flagelos sociais brasileiros. Ainda que todos governadores.

Todos, sem nenhuma digam as mesmas coisas e façam as mesmas promessas, não importam seus partidos e sua ideologia, as divergências estão no caminho escolhido para atingir os objetivos.

TIRAR DOS RICOS

Os socialistas irão propor mais Estado, mais impostos, maior interferência na vida das pessoas e prometerão tomar o que puderem do patrimônio dos outros, especialmente dos ricos. Falarão em aumentar impostos sobre lucros e dividendos, tributar as grandes fortunas e aumentar o imposto sobre heranças. E darão como justificativa que assim agirão para oferecer mais serviços públicos aos pobres. Aliás, é isso que propõe o badalado economista francês de esquerda Thomas Piketty, em seu livro O Capital no Século XXI.

Thomas Piketty

AUMENTAR IMPOSTOS: FALÁCIA

Em nome de combater as desigualdades, Piketty sugere aumentar impostos.

A falácia desse raciocínio é simples: é grande ilusão acreditar que aumento de impostos vai beneficiar os pobres. A prática mostra que aumentar a tributação não resolve a pobreza, e a maior parte do dinheiro vai para o bolso dos políticos, dos funcionários públicos e para a burocracia inchada e ineficiente. Quem diz isso é o Ipea, órgão do governo federal, em estudo feito no fim do governo Lula, cujo presidente era um petista.

XINGAR BANQUEIROS

Os sociais-democratas irão propor ampliação dos programas de transferência de renda para os pobres (como o Bolsa Família e outros do tipo), pois eles querem se parecer com o discurso da esquerda. O traço comum entre todos será xingar os banqueiros e defender intervenção no mercado via protecionismo e xenofobia. Talvez apareça candidato propondo o controle de preços de bens e serviços. Não haverá disputa de objetivos. Haverá disputa de caminhos, até porque, qualquer pessoa minimamente sã é favorável a reduzir a pobreza e diminuir o desemprego.

SABEDORIA CHINESA

A propósito, vale lembrar dois provérbios. O primeiro vem da filosofia chinesa. “Dê um peixe a um homem e o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar e o alimentará por toda a vida”. Esse é o problema do Bolsa Família. É um programa sem porta de saída. Há décadas se sabe que qualquer política de ajuda aos pobres que não inclua a educação obrigatória e qualificação profissional está fadada ao fracasso e eterniza o pobre na pobreza.

Roberto Campos

DAR COMIDA E VALES AOS POBRES

O segundo é a resposta de Roberto Campos a uma pergunta no programa Roda Viva da TV Cultura. Acusado de não se preocupar com os pobres, ele respondeu que passou a vida dedicado a erradicar as duas maiores causas da pobreza: a inflação e a baixa educação. E afirmou que a diferença entre os socialistas e os liberais é que os primeiros querem resolver a pobreza dando comida e vales aos pobres (dar o peixe), enquanto ele, liberal, queria exterminar a inflação e elevar a educação (ensinar a pescar). A curto prazo, os programas de combate à fome são necessários, mas não são receita para pôr fim à pobreza.

MAIS CONTROLE OU MAIS MERCADO?

Outra diferença é que os socialistas pregam mais controles, enquanto os liberais querem mais liberdade e mais mercado. Um bom exemplo é Singapura que, de país pobre e sem perspectiva, passou à riqueza, com renda por habitante de US$ 81 mil/ano, contra US$ 10 mil/ano no Brasil.

E qual foi a solução? Mercado! Mercado e liberdade econômica. “O respeito ao produtor de riqueza é o começo da solução da pobreza” era uma frase repetida por Roberto Campos, para quem o mundo não será salvo pelos caridosos, mas pelos eficientes. Mesmo porque, se os eficientes não produzirem, os caridosos não terão o que distribuir.

(*) José Pio Martins, economista, reitor da Universidade Positivo.