Antropóloga Maria Cecília Helm

Não pretendo fazer da pastora e ministra da Família e Direitos Humanos, Damares Alves, personagem privilegiada de análises deste espaço/blog/coluna. Não “tomei assinatura” contra ela, que, segundo se vocaliza em Brasília, já estaria sob estado de fritura pelo presidente Bolsonaro, que não a teria perdoado pela grande bobagem da definição “meninos veste azul, meninas, rosa”.

Já até mostrei alguns aspectos elogiáveis da vida de Damares, como sua defesa de crianças de rua e/ou violentadas, e o vigoroso trabalho contra o infanticídio em tribos indígenas.

QUERO ENTENDER

No entanto, tenho curiosidade enorme em tentar entender a dimensão cultural da ministra, sua percepção da realidade do que seja tratar da preservação das tribos brasileiros sob a tutela do Estado brasileiro.

São índios já suficientemente “atendidos” também por missões religiosas pentecostais e neopentecostais e algumas do protestantismo tradicional.

E que por séculos tiveram sob os ‘cuidados de missionários católicos’, particularmente dos salesianos, filhos e filhas de Dom Bosco.

IGREJA CATÓLICA

Para antropólogos ouvidos por mim, “os católicos causaram danos suficientes à cultura indígena, levando tribos inteiros a aceitar o cristianismo católicos e a desprezar valores que os identificavam pré-conversão.”

Hoje, na verdade desde o Concílio Vaticano II, a Igreja católica no Brasil – sob a orientação do CIMI, Conselho Indigenista Missionário, rompeu com o tradicional meio de evangelizar. Procura hoje em dia, em diálogo razoável com indigenistas da FUNAI e antropólogos da academia, tentando valorizar a cultura das tribos. E “conscientizar” os índios sobre direitos e deveres que têm e as obrigações que a Nação tem para com eles.

INFLUÊNCIA POLÍTICA

Seria ingenuidade garantir que o CIMI não sofre influência de partidos políticos, especialmente alguns à “gauche”. A linha do Conselho, de qualquer forma, adota franca posição de defesa das culturas indígenas (seriam 200 mil índios brasileiros hoje vivendo em reservas definidas pelo Governo).

PERDAS E GANHOS

Claro que a posição do CIMI levou a uma perda numérica, mais ou menos automática, de índios que se qualificam como católicos. E, ao mesmo tempo, o expressivo crescimento observado a partir do começo dos 1980 dos chamados crentes (pentecostais e neopentecostais). Em Aquidauana, MS, há até seminário para formação de missionários para trabalho exclusivamente com índios de variadas etnias.

SUGESTÃO A DAMARES

A sugestão de leitura do livro “Transformando os Deuses”, organizado por Robin M.Wright, Editora Unicamp (2004), é endereçada prioritariamente à ministra. Mas serve também para o ministro general Heleno (um dos quadros respeitáveis do Governo), que disse, dias atrás à Globo News, que o maior anseio das tribos indígenas seriam os confortos da eletricidade outras benesses da chamada vida civilizada.

Descaracterizado, não restou a algumas tribos senão ansiarem por uma errática assimilação.

Índios Kaingang na década de 1950 (Acervo do Museu do Índio); Hoje os Kaingang se dedicam à preservação cultural

NA REGIÃO SUL

A novidade do segundo volume, por exemplo, é abordagem do processo de cristianização – e perda da identidade dos índios – em regiões Sul e Sudeste do país.

A bem da verdade, pior do que essa perda de identidade pacífica foi a ação dos chamados bugreiros que, no século 19, promoviam amplo morticínio dos índios em Santa Catarina, para garantir a ocupação da terra pelos imigrantes europeus e fazendeiros. Quando muito, os bugreiros preservavam as vidas das crianças.

Os padres capuchinhos, que muito trabalharam com índios no Sul, têm certamente muita história para contar a respeito.

Assunto não falta para a ministra Damares, se ela quer mesmo entender da cosmologia dos índios brasileiros, suas crenças, seus valores, seus anseios e o como e por que assumem variados caminhos religiosos cristãos.

MARIA CECÍLIA HELM

Sugiro ainda à ministra, se for estudar a questão indígena no Sul do país, que acesse aos estudos da catedrática aposentada da UFPR, Maria Cecília Vieira Helm, antropóloga de enorme significância para o conhecimento da realidade kaingang.

Maria Cecília e o também professor José Loureiro Fernandes (in memoriam) têm uma obra seminal sobre o universo e a cosmologia dos nossos índios.

RESSIGNIFICANDO CRENÇAS

O livro citado, “Transformando os Deuses”, organizado pelo antropólogo Wright, deve estar esgotado. Mas a ministra sempre poderá conseguir um exemplar.

A obra poderá ser-lhe muito útil, pois mostra as muitas maneiras como os índios têm absorvido, rejeitado, transformado e ressignificado as doutrinas cristãs introduzidas por missionários cristãos entre eles. O que é importantíssimo para entender a alma indígena.


DOS LEITORES (1)

Primeira medida era ‘preservar’ a marca da empresa

Prezado Professor Aroldo Murá,

Na década de 60, trabalhei na MasterSom, da agência de Publicidade CARBUS do saudoso Sech Junior. Entre outras contas, atendemos a empresa N.Sra. da Penha. Quando acontecia algum acidente, a gente ia para preservar a “marca” da empresa. Em várias oportunidades, constatei que acidentes quase sempre, aconteciam ferimentos por falta de um cinto de segurança, que na época não se utilizavam, em ônibus.

Simples, até nos carros leito, com qualquer batida frontal, por mais simples que fosse, o cidadão dormindo no assento era arremessado para a frente e machucava a testa, sobrancelhas, boca, colidindo no encosto do banco da frente.

Hoje, colocaram o cinto nos ônibus, mas colocaram o cinto “abdominal”, que ajuda, mas não protege da colisão do passageiro com o banco a sua frente. Este, que aparece na foto do carro acima, seria o ideal para ônibus. Mas, será que interessa??? Na época, cansei de falar com o “chefe”, que deve ter levado a empresa. Nunca fizeram nada!

WASYL STUPARYK, Curitiba


DOS LEITORES (2)

Contestando Evaristo Miranda

Tons de Verde, o último livro sobre meio ambiente de Evaristo de Miranda

Prezado jornalista,

Ao ler hoje, no blog, o artigo de Evaristo Miranda sobre a questão das mudanças climáticas, em que ele defende o Brasil, dizendo que aqui se preserva muito bem o meio ambiente, não fiquei surpreso.

Ex-estudante de Teologia, assisti, há 3 anos passados, mais ou menos, a conferência, em Curitiba, no Studium, em que esse técnico da Embrapa falou sobre a encíclica “Laudato Si”, do Papa Francisco. Na verdade, atacou (inteligentemente) a magistral encíclica em que pontífice apenas reafirmou a necessidade de os homens e mulheres preservarem o Planeta, com o que estarão sendo, disse Francisco, verdadeiros filhos de Deus.

Evaristo pode até continuar católico. Com o passar dos anos, quando passou a registrar opiniões (e escrever livros) constantes em defesa do agrobusiness, notei que deixou de publicar livros de cunho histórico-religiosos (e ele tem uma farta bibliografia, preciosa).

Não acredito que tenha trocado a sua fé pela bandeira de Katia Abreu, antes, e agora a de Tereza Cristina, atual ministra da Agricultura. Ou da bancada Ruralista e CNA.

R.S.SIMÕES FILHO, Curitiba

 

RESPOSTA:
Evaristo continua cristão e também uma cabeça privilegiada.
Pode ter um olhar diferente do seu em torno de temas como meio ambiente. Mas sempre defenderá suas posições com honestidade e clareza. Aceita contestações. Habilite-se, pois, enviando um artigo de opinião para este espaço. (AMGH)

Flamengo, Botafogo e Santos perderão patrocínio da Caixa

Paulo Guedes

A obsessão de Paulo Guedes por cortar gastos do governo ganhou novo alvo durante a posse do novo presidente da Caixa: “às vezes é possível fazer coisas cem vezes melhor com menos recursos do que gastar com publicidade em times de futebol”, disse o ministro da Economia.

No ano passado, o banco estatal patrocinava mais de 20 times do país. Ao Flamengo, por exemplo, a Caixa pagava R$ 25 milhões anuais para estampar sua marca no uniforme rubro-negro. O time já vai estrear nesta quinta-feira na Florida Cup, nos EUA, sem a logo do banco na camisa.

Torcedores de Atlético Mineiro, Cruzeiro, Botafogo e Santos também devem ver seus times perderem o patrocínio. O episódio mostra a disposição de Guedes de tomar medidas impopulares para enxugar os investimentos do governo federal.

(O GLOBO – Miguel Caballero)

Flamengo ainda com o patrocínio da Caixa

Mais segurança para Sergio Moro

Sergio Moro (foto Sergio Lima-AFP)

Bolsonaro mandou publicar no Diário Oficial de ontem a necessidade de aumentar a segurança de Sergio Moro e de toda a sua família. “Diante de informações sobre situações de risco decorrentes do exercício do cargo de titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública, determino à Polícia Federal providências no sentido de garantir, diretamente ou por meio de articulação com os órgãos de segurança pública dos entes federativos, a segurança pessoal do ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública e de seus familiares”, diz o despacho.

Segundo os nomes que estão em volta de Moro, a preocupação se relaciona mais com o cargo de ex-juiz do que com o de ministro.

(blog Fabio Campana)


OPINIÃO DE VALOR

Exercícios de “Atenção Plena” (Mindfulness) podem melhorar nossa vida?

Conheça os objetivos e benefícios da prática de mindfulness – comprovada pela ciência como tratamento eficaz para estresse e ansiedade

Javier Fiz Pérez / Redação da Aleteia | Jan 07, 2019

Mindfulness é um conceito psicológico que significa “atenção plena”. Consiste, de fato, em tomar consciência do momento presente, focalizando a atenção nos próprios pensamentos, emoções, sensações corporais, respiração, e inclusive no ambiente que nos cerca (sons, cores, temperatura etc.).

Essa consciência no momento presente deve estar livre de julgamentos, ou seja, trata-se de focalizar a atenção, mas sem julgar, sem interpretar, sem justificar. Simplesmente prestar atenção.

Há muitos estudos que destacam os benefícios da prática contínua de mindfulness. Ela começou a ser utilizada para melhorar o bem-estar emocional de doentes crônicos; também com crianças para ajudá-las a lidar com suas emoções e favorecer um maior autocontrole e resiliência; e em geral para melhorar nosso estado de saúde psicológica ou emocional.

CONSCIÊNCIA LIVRE

O objetivo da mindfulness é chegar a um profundo estado de consciência livre de julgamentos sobre nossas sensações, sentimentos e pensamentos, prestar atenção no que acontece em nosso interior a cada momento.

Esta técnica busca uma atenção total ao momento presente; reconhecer nossos pensamentos e aceitá-los como são, colocando em dúvida nossos padrões mentais habituais, nossa forma de pensar cotidiana. O objetivo é que a pessoa possa observar seus pensamentos com perspectiva, transcendência, sem mergulhar no conteúdo deles naquele momento.

Qualquer pessoa pode praticar mindfulness, independentemente da idade ou condição. Recomenda-se começar com sessões curtas, de 5 ou 10 minutos, para ir se acostumando com a prática. Se passamos do tempo indicado no início, pode ser que nos sintamos frustrados por não conseguir focalizar nossa atenção e, então, abandonar a técnica e voltar aos nossos padrões habituais de pensamento.

ALGUNS BENEFÍCIOS DA MINDFULNESS:

A prática desta técnica psicológica nos leva a obter múltiplos benefícios, como por exemplo:

– Melhora a percepção da dor em enfermos crônicos, resultando em um maior bem-estar emocional.

– Melhora nossa capacidade de concentração e atenção, o que leva a uma maior eficiência na hora de realizar qualquer tarefa.

– Ajuda a lidar com as situações de estresse e melhorar os estados de ansiedade, já que contribui para reduzir os níveis de cortisol (hormônio responsável pelo estresse) no nosso organismo.

– Fortalece nosso sono noturno e é eficiente contra insônia.

– Melhora nossa inteligência emocional, já que nos permite enfrentar nossos pensamentos e emoções e interpretar as situações com perspectiva, sem julgar e sem nos ver arrastados por elas.

Uma boa prática de mindfulness predispõe as pessoas para uma maior consciência de si mesmas, facilitando a gestão das próprias responsabilidades e objetivos na vida.

A técnica não é um fim em si mesmo, mas um meio, um instrumento eficaz para aumentar constantemente a consciência de nós mesmos, o valor da nossa existência e da dos outros.

ESTUDOS CIENTÍFICOS

Alguns estudos científicos sobre mindfulness podem ser lidos clicando aqui (https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&lr=lang_pt&as_sdt=0%2C5&q=mindfulness+ansiedade&btnG=&oq=mindfulness+ans).

Atenção Plena e Manual Prático de Mindfulness

No Brasil, existem cursos com um protocolo de 8 semanas (esse protocolo é baseado nos estudos científicos que comprovam a eficácia da técnica) para aprender a praticar mindfulness. O protocolo de 8 semanas é o “curso oficial” baseado na ciência; outros cursos, especialmente os que envolvem práticas duvidosas ou esotéricas, fogem dos objetivos científicos.

Existem também livros e manuais que complementam ou até substituem tais cursos, na impossibilidade de realizá-los pessoalmente. Indicamos alguns a seguir:

– Atenção Plena: Mindfulness – a leitura básica sobre o tema.

– Manual Prático de Mindfulness: Um Programa de Oito Semanas Para Libertar Você da Depressão, da Ansiedade e do Estresse Emocional – um manual prático que funciona como o curso das 8 semanas.


Governo quer desenvolver turismo e produção com respeito ambiental

Esse é o foco da política para esta área, segundo enfatizou o governador Carlos Massa Ratinho Junior em reunião, terça-feira (08), com a equipe que vai compor a Secretaria de Desenvolvimento Ambiental e Turismo.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior se reuniu nessa terça-feira (8) com a equipe que vai compor a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental e Turismo. (Foto: Rodrigo Félix Leal)

O Governo do Paraná buscará o desenvolvimento do turismo e da produção do campo com responsabilidade ambiental. Esse é o foco da política para a área, segundo enfatizou o governador Carlos Massa Ratinho Junior em reunião, terça-feira (08), com a equipe da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental e Turismo e representantes de organizações não governamentais que atuam no setor.

No campo do agronegócio, o governador ressaltou que a produção paranaense precisa ser entregue para o mundo. Por isso, há a necessidade de melhorar a infraestrutura, um desafio a ser solucionado junto com o setor ambiental. “Devemos tratar a questão de maneira técnica, científica, sem paixão”, afirmou Ratinho Junior. Ele lembrou que o aperfeiçoamento da infraestrutura acarreta impacto ambiental e que é essencial adotar mecanismos de compensação. “Tirou uma árvore aqui, planta-se mil ali. As coisas precisam acontecer de forma organizada e planejada”, exemplificou.

TURISMO

O governador destacou, também, a importância de uma boa estrutura do turismo. “O turista quer um bom lugar, com conforto, qualidade e bons serviços”, disse. A estrutura é fundamental para o desenvolvimento do setor, sempre com foco no respeito ao meio ambiente”, afirmou. Ele disse que a ideia é buscar parceria público-privada na área do turismo de natureza. “Estamos a abertos a todos os projetos, seja de ONGs ou de empresas, que venham para melhorar a vida das pessoas, com responsabilidade ambiental”, afirmou.

FUSÃO

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental e Turismo é uma fusão da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos com a pasta de Turismo, que antes estava vinculada ao Esporte.