O trabalho manual de cerca de mil mulheres de Norte a Sul do país, incluindo comunidades do Paraná, ganhou visibilidade nacional e internacional na edição do Inspiramais recém-realizado em São Paulo. Feitas com matérias-primas naturais e recicladas, suas criações, orientadas pelo designer Luciano Pinheiro, pontificaram em dois locais – em um dos 180 estandes do salão de design e entre os 24 modelos de negócios, ideias e sustentabilidade do projeto Conexão Criativa e Comercial 2020_II, numa realização da Assintecal e Sebrae.

Nesse espaço, explica Flávia Vanelli, curadora do projeto Conexão Criativa e Comercial, os visitantes buscam produtos cujos valores visam “fomentar na indústria a sustentabilidade, o uso de tecnologias limpas e de diversidade. E esse interesse é genuíno porque estamos observando as parcerias se concretizando. O que torna o projeto realmente uma plataforma de negócios”. Inserido nesses valores, Luciano Pinheiro, nascido na praiana Bertioga, em São Paulo, há dois anos vem coordenando o trabalho de artesãs de Guaratuba-PR, Marataízes-ES e Vale da Ribeira-SP. Além da sustentabilidade econômica das comunidades caiçaras e ribeirinhas envolvidas, o projeto atua em defesa da natureza ao trabalhar com matérias orgânicas ou recicláveis e tingimentos de extratos naturais, como flor de hibisco.

O Colar Mangue, por exemplo, é feito de fios de seda rústica da paranaense Casulo Feliz e reaproveitamento de couro de peixe da colônia de pescadores de Guaratuba. A juta é descarte da empresa têxtil Castanhal, do Pará. Escamas de peixe é a especialidade da comunidade de Marataízes, como a carnaúba é das mulheres potiguares e o algodão orgânico atende cerca de 600 cooperadas da Justa Trama, do Rio Grande do Sul.

Entre as bases, a fibra de bananeira do Vale da Ribeira, outra matéria-prima bem utilizada no projeto, é até tema de mestrado que Luciano Pinheiro que vai defender na USP. “O uso de nossa flora livra a natureza de plásticos, de sintéticos e o nosso tingimento é 100% artesanal, sem uso químico, com a utilização de corantes naturais”, argumenta, mas lamenta: “O Brasil reaproveita muito pouco, mas nossos produtos causam menor impacto na natureza e agrega valor emocional”.