Zeus, que se ‘manifesta’ da Paulicéia

O nome do mitológico Zeus não é usado em vão nas autorizações que, de SP, correm à solta. Privilegiam nomes escolhidos a dedo. Alguma coisa a lembrar os famosos ‘blogueiros do PT’. Lembram-se?

Quem tem ouvidos para ouvir e olhos pra enxergar, ótimo. Mas que não me venham com MP. Ainda não é o caso de procuradores com seus açodamentos e “delações”.

Mas se fizerem ouvidos moucos, então que tudo continue como antes, no quartel de Abranches.


CRISTINA SCHWANSEE ROMANÓ É DO PR. E É LINHA DURA

Cristina Schwansee Romanó

Nada mais curitibano do que o nome de Cristina Schwansee Romanó, que lembra suas origens na Capital, de cepas germânicas e italianas.

Ela é parte da nova e poderosa equipe da procuradora geral das República, Raquel Dodge, que a escolheu para chefiar a Procuradoria de Cooperação Internacional. Currículo não lhe falta: atuou na corte Pena Internacional de Haia, no processo que condenou o genocida Slovoban Mislosevic. Entre outras posições.

Formada em Direito pela UFPR, estudou na Universidade Federal do Paraná de 1980/84. E doutorou-se na Gold Gate School of Law, Estados Unidos., de 1986/89.

Tem uma ampla série de artigos publicados em publicações internacionais, sobre temas como defesa do meio ambiente, tributos, etc.

É uma poliglota: além do português, domina espanhol, inglês e francês.

Com Cristina a PGR tem pela primeira uma mulher nessa posição, que ganhou relevância mundial com a repercussão internacional da Lava Jato.

O pai de Cristina foi o médico curitibano Carlos Alberto Romanó

Leia abaixo noticiário da Agencia Estadão dando conta de uma posição “linha dura” de Cristina:

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CNJ DÁ AVAL A PROMOÇÃO DE JUÍZAS ACUSADAS DE CRIME

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por maioria de votos, cancelou a liminar concedida na semana passada pelo conselheiro Antônio Umberto de Souza Júnior, que suspendeu a indicação das juízas federais do Rio de Janeiro, Lana Maria Fontes Regueira e Salete Maria Polita Maccalóz, para os cargos de desembargadoras do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região (Rio e Espírito Santo). Lana Regueira é alvo de denúncia pelos crimes de peculato, estelionato e formação de quadrilha. Já Maccalóz é investigada por peculato, corrupção passiva, prevaricação e formação de quadrilha. A liminar suspendendo a indicação das duas foi dada dia 1º, a pedido da procuradora-chefe da Procuradoria Regional da República do Rio, Cristina Schwansee Romanó, para quem “as referidas juízas de forma alguma preenchem os requisitos constitucionais e legais necessários ao cargo de membro do Tribunal”. Para a procuradora, a nomeação delas atenta “frontalmente contra o princípio da moralidade estatuído no artigo 37, caput da Constituição da República e demais normas da Lei Orgânica da Magistratura”.

SEM DETALHES

Hoje, o conselheiro Souza Júnior, ao confirmar a suspensão da liminar, não quis entrar em detalhes, alegando que ele próprio colocou o processo em segredo de Justiça, uma vez que a procuradora-chefe fez referências a peças sigilosas em seu pedido. A informação que chegou à Justiça Federal do Rio é de que nove votos foram contrários à suspensão das promoções e apenas quatro favoráveis à liminar. A partir da decisão do plenário do CNJ, os nomes das juízas serão remetidos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que sejam promovidas por antiguidade.

SEM ALTERNATIVA

Souza Júnior admitiu que Lula, num caso como este, não tem alternativa. “É uma vontade dirigida. As promoções deverão ocorrer”. A promoção delas foi aprovada pela maioria dos desembargadores do TRF, no dia 11 de setembro, apesar da posição contrária do corregedor do tribunal, desembargador Sérgio Feltrin. (MARCELO AULER, Agencia Estado, 08 Outubro 2008)


PESSOA COM DEFICIÊNCIA

Professor Enio Rodrigues Rosa: surpercompensação

Para marcar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21 de setembro), o IPC (Instituto Paranaense de Cegos), a UFPR e a Uninter promovem o seminário gratuito “Modelo social da deficiência: reflexões, desafios e perspectivas”. Os especialistas vão mostrar que o atual modelo médico é criticado pela Convenção da ONU Sobre Pessoas com Deficiência e pela Lei Brasileira da Inclusão (LBI), que defendem que ele já se esgotou e precisa ser definitivamente superado, mas ainda é dominante no Brasil. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo (41) 3342-6690 (no ramal da Escola Osny Macedo Saldanha) ou no link http://bit.ly/2fdQJD0.

O evento acontece das 8h30 às 17h, no auditório da Uninter (Rua Luiz Xavier, 103 ou entrada acessível pela Voluntários da Pátria, no 7º andar). Para as pessoas surdas, haverá mediação linguística por intérpretes de libras da Uninter.

PESSOA COM DEFICIÊNCIA (2)

“Por um pensar sociológico sobre a deficiência” será a primeira palestra, seguida de debate, ministrada pelo professor e escritor Gustavo Martins Piccolo, doutor em educação especial. Após o almoço, o diretor do IPC, professor Enio Rodrigues da Rosa, fará a palestra “Teoria vigotskiana sobre o defeito e a supercompensação”. Em seguida será a vez de “Um olhar antropológico sobre a baixa visão”, com o palestrante Manoel Negraes, especialista em sociologia e política e em sociopsicológica, e mais um debate.


PANCHO AGORA NO JORNAL DO JUVEVÊ: DE HUMOR E CUIA

O jornalista Francisco Camargo, que é também o Pancho das tiras de quadrinhos, está de casa nova. É o mais novo colaborador do ‘Jornal do Juvevê’, um impresso editado pelo jornalista Bernardo Carlini que já ultrapassou os limites do bairro e agora, aos 11 anos de existência, planeja reformulações.

Pancho é parte do projeto que inclui também um novo site, ora em construção. A ideia de Carlini é que Pancho ilustre as capas da edição mensal impressa e, em breve, traga as tiras diárias de Rolmops e Catchup, as criaturas do cartunista, para a homepage.

Francisco Camargo, o Pancho, é jornalista de longa data. Foi editor do “Correio de Notícias”, da “Tribuna do Paraná”, em sua primeira dentição, e da “Gazeta do Povo”. Era na redação desta última que, ao fim do burburinho dos repórteres ele sacava de uma caneta bic preta e desenhava a tira diária.

TOQUE FILOSÓFICO

Havia algo de “Frank e Ernest”, personagens de Bob Thaves (1924-2006), nas piadas de “Rolmops e Catchup”. Com toques de irreverência e iconoclastia. Pancho dava a eles um toque filosófico, sem jamais escorregar no chulo ou no xucro contemporâneo.

Na redação, personificando o editor, Camargo falava pouco, quase nada, e escrevia muito, ainda que apenas com os dedos indicadores. Na reeleição de Beto Richa à prefeitura de Curitiba, em 2008, a tira de “Rolmops e Catchup” contrapunha ao “Fica!” do slogan da campanha do tucano o “Vai!” exibido por um personagem. Não que Pancho fosse ferrenho defensor ou opositor de quem quer que seja. Muito pelo contrário.

UMA CURTA SOBREVIDA

Pancho e Francisco Camargo (e vice-versa) ainda resistiria mais dois anos à “távola redonda”, que abrigava o núcleo editorial da Gazeta, antes de ser convidado a “encarar novos desafios profissionais”, uma outra maneira de dizer “está demitido”.

Pancho teria ainda uma sobrevida na Gazeta pelas mãos da diretora de redação Maria Sandra Gonçalves. Mas não por muito tempo. Com o fim da edição impressa, no primeiro semestre deste ano, o jornal entendeu que deveria extinguir os quadrinhos de suas páginas. Foi uma medida incompreensível até para aquele sisudo leitor que rejeita palavras cruzadas e abomina horóscopo. Foram-se as charges do Bennet, as tiras do Bennet e mais os rústicos e impagáveis flashes do cotidiano de Pancho.

O “Jornal do Juvevê” devolve agora às páginas dos jornais o “Rolmops e Catchup” como ele é. Desenhado com simples caneta preta e humor indissociável à realidade.


ERA O QUE NOS FALTAVA: UM TERREMOTO

A máxima de que Deus é brasileiro porque nos poupou de desastres naturais como o furacão e o terremoto, parece estar com seus dias contados.

Nesta segunda-feira (18), a terra balançou em Rio Branco do Sul, na Grande Curitiba, deixando um saldo pequeno de apocalípticos à beira de um ataque de nervos. Na escala Richter, o tremor foi de 3,5 graus em uma escala de 0 a 9. Nas redes sociais, contudo, o chão das casas por pouco não se abriu, as labaredas lamberam as canelas dos moradores e tudo ou quase tudo foi arrastado para o vórtice do fim do mundo. Valha-nos Deus.

BOLETIM REVISADO

Parte da culpa foi do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo.

Na primeira medição, informou-se que os tremores haviam ocorrido ainda mais fortes na região de Itaperuçu e São Jerônimo da Serra, no Norte Pioneiro. Depois da revisão, por volta de 9h30 da manhã, o relato foi mais comedido. O abalo sísmico ficou restrito a Rio Branco do Sul, epicentro do tremor que foi sentido a 100 quilômetros de distância.

Os sismólogos da USP também erraram na profundidade. O primeiro boletim, divulgado por volta de 6h30 da manhã, indicava que a profundidade do tremor era de 50 quilômetros, nada desprezível, portanto. Horas depois, o boletim revisado dizia que o abalo representava apenas 10% da profundidade divulgada inicialmente: 5 quilômetros.

O CÉU HÁ DE DESTELHAR-SE

Como se já não nos faltassem catástrofes, os catastrofistas resolveram derramar previsões catastróficas. A essa hora, Chik Jeitoso, aquele bruxo que ronda o Centro Cívico, está pronto a ver o céu destelhar-se e o céu rachar sob nossos pés.

ANTES DO TERREMOTO, A CORRUPÇÃO

Na política, os mais afoitos encarregaram-se de transformar o senador Roberto Requião (PMDB-PR) em um terremoto digno de fazer o sismógrafo paranaense registrar níveis inéditos. É de se duvidar, salvo as pantomimas, se faria alguma diferença à nossa sensaborona vida pública.

Ou ao centro do poder, em Brasília, onde a corrupção encarregou-se de passar à frente de qualquer terremoto e abalar sozinha nossas estruturas.

Faltou dar o desfecho cômico à máxima do Deus brasileiro. Ele nos poupou dos furacões, das inundações e terremotos. Mas nos deu o povo que aqui se encontra. É cruel e injusto, mas com um quê de verdade.


RENOVAÇÃO NO CEE

Deputado professor Lemos

Que o mundo político não se assanhe: logo, logo o governador Beto Richa terá cinco vagas a preencher no Conselho Estadual de Educação (CEE).

O propósito do governador, segundo me informam boas fontes palacianas, é de fazer prevalecer critérios puramente técnicos nas escolhas. “Uma questão de legado que Beto quer deixar numa área em que não cabe transação política”, disse a fonte.

APP EM DISPUTA

De um observador do cotidiano educacional, a propósito da eleição para renovação da diretoria da APP Sindicato: “A mais moderada das chapas tem o apoio do deputado professor Lemos…” As outras, então, que linhas ideológicas adotam?


CAVALO NA EDUCAÇÃO

Álvaro Dias: “memória”

Línguas afiadas estão apodando o projeto do deputado professor Lemos, que estabelece 30 de agosto como o Dia Estadual da Memória da Educação, como “Dia dos Cavalos na Educação”. Uma referência oblíqua ao famoso episódio dos cavalos da PM que avançaram contra professores, no Governo Álvaro Dias.


CASTIGO DE MANZOTTI

Reginaldo Manzotti: “pecado dominante”

Fonte da Cúria de Curitiba, que sabe tudo de vida clerical católica, garante que o arcebispo dom Peruzzo “deu mais uma prova de sabedoria, pegando o pecador por seu pecado dominante”.

Explicou: “O arcebispo nomeou o padre cantor Reginaldo Manzotti para coordenar a Pastoral dos Idosos da Arquidiocese. Isto levando em conta a declarada, até então, “ojeriza” do padre em lidar com a Terceira Idade.


CLÈVE E OUTROS JURISTAS LANÇAM LIVRO SOBRE TESES JURÍDICAS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

Clémerson Clève: entre os grandes constitucionalistas

Clémerson Clève, jurista e professor da Unibrasil, convida para o lançamento e sessão de autógrafos da obra Teses Jurídicas dos Tribunais Superiores, no dia 4 de outubro, às 19 horas, em São Paulo, no Centro Britânico Brasileiro (R. Ferreira Araújo, 741, bairro Pinheiros).

Escrita por 17 pesquisadores e doutrinadores, a obra aborda, entre outras questões, como estabelecer conexão entre a jurisprudência consolidada nos Tribunais – STJ e STF – e a doutrina jurídica aplicada.


CAPTURAS DO PROSAICO DIA A DIA

Por Sérgio Tavares (*)

Sergio Tavares: colaborador de O GLOBO

A literatura do curitibano Marcio Renato dos Santos faz parte de uma tradição do conto que se aproxima da crônica. Narrativas cuja origem está no olhar afiado sobre os cenários reais e as pessoas, alcançando um efeito semelhante ao da captura fotográfica.

Um trabalho de escrita que, embora cuidadoso, paciente, examinador, funciona em prol de uma prosa leve e ágil, constituída por frases enxutas que desenvolvem o enredo ora pelo teor descritivo ora por meio da ação. Outras dezessete noites, recém-lançada coletânea do autor, é um passo adiante nessa empreitada.

SCHERAZADE

O título faz alusão ao Livro das mil e uma noites, no qual a personagem Sherazade prende a atenção do tirano rei Sahriyar, com histórias que se prolongam sem desfecho por dias. Marcio Renato emula o mesmo artifício, ao se valer de senhas que fornecem um sentido de unidade entre os contos. Do mesmo modo, os fios condutores de suas tramas nunca partem de um início rumo a um final. O que se vê são textos que cingem um recorte de tempo, sugestionando ao leitor uma continuidade além de seus limites.

A DÚVIDA

É o caso de “O benefício da dúvida”, que abre o livro. O narrador, um jovem repórter, refaz os caminhos da amizade entre dois jornalistas veteranos, dos quais um estará ao seu lado na execução do texto seguinte, “Outra miséria”. O mesmo ocorre com o trio “O voo de Ryouji”, “Essa é a nossa canção” e “Mixed emotions”. Ainda que distintas em tema e estilo, as narrativas têm a música (a sentida, a tocada, a escrita) agindo como elemento de conexão.

Outros registros de canções emergem aqui e acolá: Lou Reed, Titãs, Legião Urbana. Esses contos, porém, concentram-se na interação entre personagens, evocando a dinâmica da quadrilha drummondiana. “Maria” é sobre cinco pessoas que se conhecem num mesmo instante e os efeitos a longo prazo desse encontro casual, enquanto “Daqui a alguns degraus” funciona no giro de posições entre três mulheres na antecedência de uma reunião importante.

PORTA ABERTA

“Porta aberta”, por outro lado, segue os saltos de observação de um núcleo familiar, detendo-se às atitudes do patriarca, um homem bem-sucedido que, de uma hora para outra, resolve largar tudo e se tornar invisível para o mundo. Marcio Renato se prova hábil na construção de personagens a partir de seus dramas. “Homem-pássaro” tem a confissão de atos funestos como mote para uma possível tragédia, ao ponto que “João Nulo” é o retrato de alguém sem as rédeas do próprio destino.

Em seus últimos textos, a coletânea parece tomar emprestado o argumento de sua antecessora “Mais laiquis”, de 2015, centrada nas mudanças de comportamento trazidas pela internet. “Deu ruim (Vendetta)” mostra um narrador ciente de que está no universo da ficção e planeja burlar essa condição. Já “Na rede, na onda”, é uma análise sardônica dos escritores que se utilizam das redes sociais para cavar popularidade à base de polêmicas. Preciso fazer barulho no Face para ganhar alguma coisa, qualquer coisa, dispara.

MÁRCIO CRESCE

Com a morte do sergipano Antonio Carlos Viana, em outubro passado, a literatura brasileira perdeu um autor que se dedicou exclusivamente ao conto. Outras dezessete noites confirma o quão é importante o trabalho de Marcio Renato dos Santos, elevando o gênero ao patamar que merece.

Texto publicado originalmente no site A Nova Crítica: https://anovacritica.wordpress.com/2017/05/16/capturas-do-prosaico-dia-a-dia/

(*) Sérgio Tavares é jornalista e escritor. Autor de Queda da própria altura, finalista do Prêmio Brasília de Literatura, e Cavala, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura. Colunista d’O Diário do Norte do Paraná e da Gazeta Niteroiense. Colabora com os jornais O Globo, Opção (GO), Correio das Artes (PB), entre outros. Mantém o site A Nova Crítica, especializado em crítica literária. Mora em Niterói (RJ).