O Brasil vai liderar o crescimento da produção de petróleo entre os países fora da OPEP, declarou o diretor geral da Agência Internacional de Energia, durante o Fórum de Davos. Segundo Fatih Birol, a abertura do setor adotada pelo atual governo está atraindo o interesse de empresas operadoras do exterior que, ao lado da Petrobrás, deverão perfurar mais poços dentro da área do pré-sal e em outros campos, elevando a produção para até 5,2 milhões de barris por dia.

ANÁLISE
A projeção feita pela Agência que acompanha o setor no mundo tornou-se possível depois que o Brasil aderiu à organização, ligada à ONU, e abriu seus dados para análise de experts internacionais. Com base nos levantamentos feitos, o diretor Birol acredita que o país vai agregar um milhão de barris adicionais por dia já no curto prazo, com as rodadas de concessão de jazidas anunciadas para os próximos meses, superando com isso países como México e Canadá.

BEM NO FÓRUM
Apesar de um retorno discreto o Brasil marcou presença no Fórum Econômico Mundial, realizado na semana passada. Ao acompanhar o presidente Temer até o palco principal para um pronunciamento que, se não atraiu a atenção geral (reservada apenas aos líderes dos países de topo) o diretor do evento, Klaus Schwab, expressou consideração pelo país. É que uma edição especial para a América Latina será realizada em S. Paulo, em março, a confirmar o discurso do presidente Temer: “O Brasil está de volta” ao cenário da economia global.

ANÁLISE
De fato o país apresenta indicadores seguros de retomada, com melhoria nos setores-chave da atividade: indústria, comércio, serviços, agricultura, comércio exterior e consumo interno. O processo de recuperação é difícil e lento, em função da severa queda exibida nos últimos anos, mas a direção é irreversível, apostam investidores externos e empresários nacionais. Números que não foram ofuscados pelo anúncio do déficit público, que recuou em relação ao PIB, dando mais conforto aos gestores.

REFORMISMO BRANDO
No Brasil não se espere adoção de reformas radicais, porque o padrão nacional é realizar mudanças de baixo impacto. A colocação é do analista político Murilo de Aragão, ora ministrando um seminário sobre nossa realidade na Universidade americana de Harvard. Aragão ajunta que, apesar do ritmo, as reformas prosseguem, marcando a evolução nacional.

ANÁLISE
A colocação do pesquisador político baseado em Brasília é confirmada pela História. Ao longo da nossa formação as mudanças foram em geral representadas por pequenos passos, desde o processo que levou à independência, passando pela abolição da escravatura, transição da monarquia para a república e assim por diante. Colocada na ordem do dia, a reforma política também, aos poucos, melhora o sistema.

CRÉDITO SEGURO
A dívida pública brasileira poderá chegar perto de R$ 4,3 trilhões ao final do ano (na realidade, variando entre 3,7 e 3,9 tri), segundo o plano anual de financiamento do Tesouro. Em 2017 o montante chegou a 3,5 trilhões, dentro das metas estipuladas pelo governo. Mas a dívida global, além de ser rolada com títulos emitidos até o valor de 637 bilhões, representa redução do montante: se a economia continuar crescendo ela tende a permanecer em pouco mais de 70% do PIB.

ANÁLISE
Sem alarmismo: enquanto o Estado brasileiro deve perto de 3,5 trilhões de reais ou 70% do PIB, há países com débito três vezes maior em relação ao PIB nacional, perfeitamente rolados no mercado. Mais, da dívida rolada ano passado, apenas 9 bilhões de reais eram detidos por estrangeiros. A secretaria do Tesouro reclamou: não há conforto em lidar com tais montantes. Porém boa administração desses débitos evita insegurança, como demonstram países como Japão, Estados Unidos e outros.

ENXUGAR O ESTADO
Computados todos os dados, o déficit primário do Tesouro ficou em 120 bilhões, quase 40 bilhões inferior ao total de 159 bi autorizados pelo Congresso. O resultado foi obtido com boa gestão das despesas e controle do caixa, evitando os excessos do ciclo anterior, quando o Governo Federal se endividou para irrigar financiamento de obras no exterior (que já estão dando calote), inflou programas subsidiados da Caixa, etc. O governo Temer, até aqui, controlou os gastos, mesmo enfrentando pressões.

ANÁLISE
A orientação é enxugar o Estado, privatizando estatais, reduzindo mordomias e, se possível, continuando com reformas poupadoras de déficit – como a da Previdência. Por isso não faz sentido a arruaça promovida em S. Paulo por um grupo de radicais, a reclamar dos cortes no programa (altamente subsidiado) Minha Casa, Minha Vida. Apoiar a construção sim (setor estratégico para a economia) porém em bases realistas.

ANÁLISE
O dado divulgado pelo IBGE deve ser visto na sua dimensão ampla: a economia brasileira assiste a uma subutilização da força de trabalho. Pessoas que gostariam de voltar ao mercado produtivo, estão subocupadas, desempregadas ou – quando conseguem uma vaga – enfrentam a precarização da informalidade. A reforma recente da vetusta legislação de origem fascista está facilitando essa retomada, porém é preciso fazer mais: juntar todas as energias da nação para acelerar o processo produtivo, com a abertura de postos de trabalho suficiente para absorver o potencial humano do Brasil.

EMPRESÁRIOS LÍDERES
O Corpo Consular do Paraná prestou, na última quarta-feira, homenagem a lideres paranaenses que dirigem duas das principais entidades do setor: Darci Piana, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo; e Gláucio Geara, presidente da Associação Comercial do Paraná. Após historiar a trajetória e contribuição de cada um deles, o presidente do Corpo Consular, Thomas Neves fez a entrega de placas evocativas. Edson Campagnolo, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, não pôde participar, por ter sido convidado para encontro com o presidente Temer.

EMPRESÁRIOS (II)
No seu discurso de saudação, o dirigente da entidade representativa dos cônsules destacou que “os três homenageados – congregados no G-7 ao lado de outros dirigentes, das Federações da Agricultura e dos Transportes, mais a Organização das Cooperativas – fazem, na sua atuação firme mas equilibrada, o contraponto entre o poder público e a sociedade civil; expressando o nível superior civilizatório que configura – no Paraná – um Brasil que dá certo, orgulho dos nossos habitantes e espelho positivo para as relações internacionais”.
MODERNIDADE NA ESG

Ao passar por Curitiba, onde fez conferência sobre os princípios e valores éticos da carreira militar, o general Décio Schons, comandante da Escola Superior de Guerra, assinalou o papel modernizador desempenhado por esse instituto de altos estudos nacionais. Concebida para o exame dos problemas que bloqueiam o desenvolvimento do Brasil e a formulação de propostas de solução, a ESG reúne oficiais militares de alta patente e personalidades civis em torno de um método próprio, o de trabalho em grupo. Substitui a abordagem anterior, de meros pareceres para a aplicação conjunta do conhecimento, da “expertise” e da energia dos participantes visando a obtenção de resultados.
ANÁLISE
Criada no pós-guerra em 1949, a Escola estuda principalmente estratégias relacionadas ao potencial nacional. No caso, acelerar a remoção de obstáculos ao aproveitamento dos recursos potenciais do país para obter seu pleno desenvolvimento. A idéia de criação de um instituto de alto nível teve formulação inicial de Alberto Torres, pensador originário do movimento republicano, que cedo intuiu não bastar ter substituído a monarquia pela República; era preciso aperfeiçoá-la via esforço racional de estudo e solução dos problemas do Brasil.

RÁPIDAS

Caiu finalmente, mais um “soba” africano, o ditador do Zimbabwe, Robert Mugabe =/= No Chile a primeira rodada da eleição presidencial remete Sebastiãn Piñera e Alejando Guillier para o segundo turno, em dezembro =/= No Brasil instalou-se um contencioso entre áreas do Judiciário e do Legislativo, em torno das imunidades parlamentares, com a prisão de deputados do Rio =/= Geraldo Alckmin, governador paulista, inicia pelo Nordeste giro de sua pré-candidatura à Presidência.