BRUNNO CARVALHO
UOL/FOLHAPRESS

Adriana Araújo recebeu a medalha de bronze de boxe nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, imaginando que sua carreira decolaria. Mas a vida seguiu por outro caminho. A expectativa caiu tanto que, cinco anos mais tarde, bastava pintar uma corrida para a motorista de Uber em Salvador ficar satisfeita.
“Visibilidade eu adquiri, o que não adquiri foi dinheiro”, diz ela.
A brasileira ainda caiu nas oitavas de final dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, antes de decidir se profissionalizar. Duas lutas depois, a falta de patrocínio a obrigou a parar por dois anos. Sem dinheiro, restou completar a renda como motorista de aplicativo por oito meses. O esporte que lhe rendeu uma medalha olímpica -a única do Brasil- ficou em segundo plano.
“Eu dei uma pausa grande no boxe naquela época. Não vou dizer que cheguei a me aposentar, porque na minha mente eu ainda queria lutar. Mas não dava para conciliar o Uber com o boxe. Era cansativo para caramba. Acabava 2h da madrugada. No outro dia, não tinha ânimo nenhum para treinar”.
O trabalho como motorista não era suficiente para pagar as contas. Era preciso dar aulas de boxe também. “Era f… Não fazia porque eu queria, mas porque a necessidade exigia”.
A cada corrida que pegava e era reconhecida, a cabeça girava. “Tinha o sentimento de felicidade de saber que não estava apagada. Mas, ao mesmo tempo, era triste porque não era daquela forma que eu queria que as pessoas me reconhecessem. Não era essa visibilidade que eu queria”.
Um patrocínio no início de 2018 permitiu que Adriana voltasse aos treinos de boxe. As lutas recomeçaram apenas neste ano. Ao vencer a argentina Yamila Abellaneda por decisão unânime em 12 de agosto, conquistou o título latino do Conselho Mundial de Boxe.
“Vou fazer minha quinta luta em outubro. Isso permite que eu tenha uma constância e possa mirar o título mundial. Agora as coisas estão se encaminhando, estou obtendo bons resultados”, diz ela, que não descarta uma mudança para os Estados Unidos no futuro.
“A minha meta é conquistar os títulos e uma melhoria financeira aqui no Brasil, treinando em Salvador. Mas a gente nunca pode dizer ‘não’. Se surgir outra proposta tentadora para mudar de país, por que não?”.