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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como de resto a maioria dos políticos brasileiros, não deve estar aplaudindo a atual crise política e econômica. Mas já figura como um nome que, graças a ela, apressou o seu retorno à mídia e aos encontros políticos tanto do PT como de outros partidos e entidades de peso no cenário nacional. Lula fez ministros, fez Dilma recuar em seus propósitos, tirou gente do poder. Em suma, voltou com toda a força a comandar a política do país no Planalto e adjacências. Provou, se é que havia necessidade, que é o político brasileiro capaz de virar o jogo e enfrentar os problemas.

Que fez o ex-presidente? Mandou Aloísio Mercadante de volta ao ministério da Educação, indicou à presidente Dilma os caminhos do diálogo, ainda que engolindo sapos, conversou com as lideranças de outros partidos que não o seu. Lula deitou e rolou. Está aparecendo mais cedo que ele próprio esperava. De impeachment não quer ouvir falar. Afinal, candidato à sucessão em 2018 precisa é de tempo para fixar coligações e apoios.

Não fez o tudo, claro. Mas animou o circo político de Brasília, deu a cara para bater. Poucos se atrevem. É mais fácil bater em Dilma, ainda que mulher. E vai em frente, com cadeira cativa à direita ou à esquerda de quem ele quiser.

Agora, ainda restam para Lula, por si ou por ajudar Dilma, o problema do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, cada vez mais desgastado, porém com fôlego bastante para agitar a política e prejudicar quem deseje, mesmo que tornando problemático o caminho de quem se lhe opõe. Outro importante estorvo, se assim é que entendem os maiores petistas, o ministro Joaquim Levy. Lula não o quer mais, Dilma ainda o defende, talvez só por obrigação. Até o presidente nacional dos petistas, Ruy Falcão, todos de braços dados e com mais gente de penduricalho, querem a saída de Levy.

O ministro da Fazenda está fazendo o seu papel. Convidado deve ter exposto na época os problemas que o governo deveria enfrentar. Mas não contava com uma situação dificílima e uma oposição até de dentro para fora. Pode não concordar com o presidente do PMDB, Michel Temer, de que seria difícil manter-se no poder uma chefe de Estado que só detinha sete ou oito por cento de aplausos. Ao que tudo indica, ainda que pelo esforço demonstrado ultimamente, Dilma não passa muito disso. E tal mediocridade nas pesquisas poderá afetar seriamente as disputas por vir.

Já não dá para dizer que esta semana será decisiva. Todas têm sido. E todos estão empurrando com a barriga os problemas do Governo, os econômicos e os políticos. Haja semanas, prossigam as articulações, os brasileiros têm paciência. Mas tudo pode acabar em novas pesquisas, quando os políticos de todos os partidos sofrerem as mazelas de hoje com reflexos em dobro.

Ayrton Baptista, jornalista

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