campana

                Lula é um profissional da política. Não brinca em serviço e não se ilude facilmente. Ao perceber que a derrota de Dilma Rousseff é iminente, avisou a aliados que, caso o governo não consiga barrar o processo de impeachment na Câmara, entrará em campanha permanente e não sairá mais das ruas. O petista também deixou claro que não pretende dar trégua a um eventual governo capitaneado pelo vice-presidente Michel Temer.

Segundo pessoas próximas, o recado de Lula foi claro: “não estaremos nessa de união nacional. Não vamos colaborar”. A fala é uma referência à pregação que Temer tem feito para se consolidar como a principal opção à presidente Dilma Rousseff. O vice se define como homem aberto ao diálogo e capaz de reunir diversos partidos para tirar o país da crise.

A loira se vira

Rodrigo Janot pediu que Teori Zavascki anule o indiciamento de Gleisi Hoffmann pela Polícia Federal, há duas semanas. Janot concordou com o argumento de Rodrigo Mudrovitsch, advogado de Gleisi, que alegou que a Polícia Federal não pode indiciar um senador em um inquérito presidido pelo STF, como se fosse um inquérito policial.

Lava Jato até dezembro

O juiz federal Sérgio Moro gostaria que a Lava Jato chegasse ao seu fim até dezembro. Ele tem dito a interlocutores que esta é a sua ‘expectativa’. Considera que a sequência de desdobramentos da grande investigação pode provocar um desgaste até mesmo na opinião pública que, hoje, presta apoio maciço à força-tarefa da Lava Jato.

Imprevisível

Mas ele próprio admite que essa é uma meta ‘imprevisível’. A cada desdobramento da Lava Jato surgem indicativos de outras tramas ilícitas envolvendo outros agentes públicos e políticos. O que força a abertura de novos procedimentos no âmbito da Polícia Federal e da Procuradoria da República.

Inelegível

Perguntado se o impeachment tem algum efeito na eleição de Curitiba, Rafael Greca (PMN) saiu se com esta: “tornou o Fruet inelegível”.

Novo Brasil

O governador Beto Richa acredita que neste domingo, 17, “nasce um novo Brasil”, comentou para a imprensa sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em curso na Câmara dos Deputados. “Graças à pressão popular, os políticos estão percebendo cada vez o movimento espontâneo de brasileiros de bem querendo mudança, dizendo um basta, que não aguentam mais corrupção”, disse Richa nesta quinta-feira, 14, em Iretama, na entrega de casas da Cohapar para mais 70 famílias.

Ministério Temer

O vice-presidente Michel Temer começou a traçar com aliados mais próximos a organização de seu eventual governo, caso o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff seja de fato aberto. Uma ideia já consolidada é sobre a necessidade de enxugar a máquina, reduzindo o número de ministérios para cerca de 20, em vez dos atuais 31, extinguindo praticamente todas as secretarias especiais. Temer também quer reduzir sensivelmente os 22 mil cargos comissionados espalhados pela Esplanada.

Nomes escolhidos

Dois nomes são considerados ministros dos sonhos do vice: o senador José Serra (PSDB-SP), para a Saúde, e Armínio Fraga, para a Fazenda — embora este último já tenha sinalizado que tem dificuldades de aceitar um eventual convite. Dois outros economistas são vistos como possíveis indicações para a equipe econômica, especialmente no caso de recusa de Armínio: os presidentes do Insper, Marcos Lisboa, e da Federação Brasileira dos Bancos, Murilo Portugal — ambos ex-secretários do Ministério da Fazenda.

Ministeriáveis

Enquanto o processo de impeachment passa, supostamente, na Câmara e vai para o Senado, Michel Temer assume e até monta ministério. Eliseu Padilha e Moreira Franco estarão no núcleo principal ligado à Presidência; Ronaldo Caiado é cotado para a Agricultura; Marcos Lisboa e Murilo Portugal para a Fazenda (Arminio Fraga já declinou o convite); José Carlos Aleluia para Minas e Energia; e José Serra pode retornar à Saúde.

Canto do cisne

Ministros palacianos já gostariam de jogar a toalha, mas ficam apenas na vontade. Em nova entrevista, Dilma garante que lutará “até o fim” e se vencer, proporá um governo de união nacional, acenando antecipadamente até com um pacto a oposição. E essa mesma oposição não acredita nenhum pouco – nessa possibilidade. Alguns, mais irônicos, dizem que é o “canto do cisne”.

Contra

Se Dilma fala até em “união nacional”, o ex-presidente Lula já avisou que, no caso do impeachment dela e posse de Michel Temer, não dará trégua ao atual vice-presidente. Não quer saber de “união nacional”. Há quem aposte que Lula está à espera de um telefonema de Temer para conversar sobre o futuro, sabendo que, na outra ponta, quem também não lhe dará trégua será o juiz federal Sergio Moro. Aos muito íntimos, o ex-chefe do Governo, mesmo entusiasmado por seus últimos comícios, acha que será preso.

Parece copa

“Estou me sentindo como aquele árbitro que vai apitar a Copa do Mundo”. Eduardo Cunha, presidente da Câmara, provocou risos entre seus principais aliados, durante conversa menos ortodoxa. Ele se considera o homem que consolidou a votação do impeachment, ganhou a parada na comissão da Câmara, uniu partidos e acha que, na Comissão Ética, mesmo com o depoimento de uma testemunha do Banco Central, ainda muita coisa pode acontecer. E mais: Cunha também acredita que chegará ao final de seu mandato – e ainda fará seu sucessor.

Tudo de novo

Nenhum ministro do atual governo permanecerá em sua Pasta, com Michel Temer assumindo o poder. Terá de atender alianças feitas com os mais diversos partidos. E quer comandar pessoalmente com todas as lideranças e ver novos ministros ocupando seus cargos o mais rápido possível. A idéia do Ministério dos Notáveis ficará restrita a Pastas da área econômica para criar otimismo no mercado.

Alô, presidente?

Num jantar, esta semana, entre integrantes do DEM e do PSB, um dos deputados do PMDB presentes telefonou para o celular de Michel Temer e colocou o vice para conversar com todos eles. E todos trataram Temer como “meu presidente”.

Surpresa

Nesses dias, com aliados, Dilma falou em vencer na Câmara e “depois no Senado”. Aí, um generoso amigo disse que se barrar o processo na Câmara não haveria necessidade de enfrentar votação dos senadores. Detalhe: ela pareceu surpresa com essa informação.

Super-policiamento

No domingo, em Brasília, além dos três mil policiais militares que estarão nas ruas, serão mobilizados mais 2,2 mil policiais civis. A preocupação maior é em relação a um enfrentamento entre os dois lados, que estarão separados por um muro, qualquer que seja o resultado da votação. A Secretária de Segurança do Distrito Federal avisou líderes do MST que ninguém poderá carregar “objetos de risco”, do tipo foices e facões nas manifestações.

Arrumando as gavetas

Marcelo Castro, polêmico ministro da Saúde e um dos desobedientes do PMDB, se licencia do cargo para votar na Câmara pela permanência de Dilma. Aos chegados, confessa que seu voto não fará diferença. Antes, já tratou de arrumar as gavetas: sabe que “não terá vez com a turma do Temer”.

Ao lado

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, tem dito aos mais chegados que, “se acontecer o pior”, não fugirá do que se comprometeu a fazer: descerá a rampa do Planalto ao lado de Dilma Rousseff e a acompanhará ao avião que, certamente, a levará para Porto Alegre.

Chiclete

Nesses dias, Dilma Rousseff, em momentos mais íntimos, voltou a mastigar chicletes. Até acha que alivia a tensão. Na prisão, Monica Moura, mulher de João Santana, aboliu o hábito.

Ultimas horas

As próximas horas até domingo poderão ser as ultimas em que a caneta e a chave dos cofres públicos continuam nas mãos de Dilma Rousseff.

Outra situação

Se a abertura do impeachment passar na Câmara, Dilma fica afastada do Planalto, mas pode usar, como residência, não apenas o Alvorada como também a Granja do Torto e manteria seu salário. Há dúvidas sobre o procedimento porque, no caso do ex-presidente Fernando Collor, a situação era diferente. Em 1992, quando foi afastado pelo Senado, Collor morava na Casa da Dinda, sua residência particular. E montou lá um QG. O então vice Itamar Franco permaneceu no Palácio do Jaburu mesmo depois de ter assumido o cargo em definitivo.

Ninguém acreditou

Carlos Lupi, presidente do PDT, anunciou que o partido votaria 100% contra o impeachment e ninguém acreditou. Especialmente por três deputados da legenda já foram incluídos no bloco que quer o impedimento da presidente. Lupi, para quem tem memória curta, é aquele que antes de ser demitido do Ministério do Trabalho, fez declarações públicas (“Eu te amo, Dilma”) para a presidente.

Doadores em campo

Muitos doadores de campanhas eleitorais decidiram entrar em campo e cobrar dos indecisos que votem pelo impedimento da presidente. Na avaliação do Planalto, perto de 60 parlamentares migraram para o impeachment a pedido dos empresários e em menos de 24 horas. O pessoal do nanico PTN englobava alguns deles, mesmo tendo Lula negociado com a cúpula o Ministério do Turismo.

Clima

O clima entre Ronaldo Ésper e Ana Hickman no programa Hoje em Dia não mudou. Às quintas-feiras, dia do quadro do estilista, sentam-se longe e não são enquadrados juntos em hipótese alguma. Ronaldo, há tempos, disse que ela perdeu a chance de ser uma Gisele Bündchen, preferindo ser uma apresentadora de TV.

Sem exageros

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB) circulou pelo Congresso carregando um boneco, no estilo dos pixulecos de Dilma e Lula, com a imagem de Aécio Neves. Os tucanos preferiram não se importar. O que não pode é repetir a dose. Caso contrário, vão lembrar que ele deixou o Ministério do Esporte no primeiro governo de Dilma debaixo de denuncias, enquanto Aécio deixou o governo de Minas Gerais com expressiva votação.

Ameaça

Há uma certa apreensão entre senadores, especialmente do PMDB, diante de uma possível delação premiada do ex-senador Gim Argello (PTB-DF). Se ele falar, tentará envolver gente do PMDB e a presidente Dilma. Eduardo Cunha, presidente da Câmara, torce para que Gim decida fazer delação. Assim, Renan Calheiros seria obrigado a entrar, de novo, na rota defensiva, dividindo a cena do desgaste com o próprio Cunha.

No controle

A direção da Globo pediu que Benedito Ruy Barbosa retome o texto de Velho Chico, que vem sendo escrito por sua filha Edmara e pelo neto Bruno. É que, na nova fase, a transposição de São Francisco ganha destaque e ele está encarregado de conduzir este lado da trama de maneira especial.

Atração especial

Para a tarde de domingo, clubes sociais está colocando televisores em suas dependências, o mesmo ocorrendo com muitos bares e até restaurantes mais sofisticados. A própria Globo interromperá sua programação normal para transmitir a votação do impeachment na Câmara. Parece clima de final de campeonato. Em alguns pontos da periferia de São Paulo, associações de bairros pretendem até instalar telões em pequenas praças.

Depois da votação

Qualquer que seja o resultado da votação de domingo, o PSDB prepara um pronunciamento oficial, que será feito pelo presidente da legenda, senador Aécio Neves. Antes, haverá uma reunião com dirigentes da agremiação. Se Dilma Rousseff perder, os tucanos anunciarão que tipo de relação terão com Michel Temer e apresentarão uma agenda de emergência para o novo governo. Se a presidente escapa, também será Aécio a fazer um balanço da guerra que antecedeu a votação e por quais motivos.

Peregrinação

Nos últimos dias, havia uma verdadeira peregrinação ao Palácio do Jaburu, em Brasília, de políticos que queriam ouvir Michel Temer, que tratou de conversar com todos. No domingo, o vice não estará em Brasília: acompanhará a votação de sua casa, com a família e raros convidados. Qualquer que seja o resultado, sua ideia é falar apenas no dia seguinte, embora repórteres e fotógrafos deverão fazer plantão na porta de sua residência.

Day after

Se escapa do impeachment, Dilma anunciou que quer fazer um pacto de “união nacional”. E nove entre dez analistas lúcidos concordam com a visão, cheia de ironia, feita por Eduardo Cunha, presidente da Câmara. “Quem quer pacto não parte para o ataque como ela faz. Como assim chama os outros de golpistas e no dia seguinte, quer sentar com os mesmos golpistas?”.

Regime

Nos últimos meses, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, engordou alguns quilos. Dia desses, com dose de ironia e até reconhecendo estar fora do peso, disse que “iria seguir uma lição de Dilma”. Está disposto a fazer a dieta do argentino Massimo Ravenna, com a qual a presidente perdeu quase 17 quilos.

Supremo definiu

O Supremo Tribunal Federal cancelou a sessão plenária ordinária desta quinta) e convocou uma extraordinária para às 17h30 onde os ministros irão analisar pelo menos cinco ações movidas por governistas contestando o processo do impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff.

Extraordinária

Assim que a sessão começou, o ministro Marco Aurélio Mello pediu a convocação da reunião extraordinária para decidir sobre ação movida pelo PCdoB hoje pela manhã. O partido contesta a ordem de chamada dos deputados em plenário, estabelecida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O peemedebista decidiu iniciar a votação com os estados da Região Sul, Centro-Oeste, Sudeste, Nordeste.

Ação do PC do B

No início da sessão ordinária desta quinta, o ministro Marco Aurélio Mello, relator de um dos casos, pediu a reunião extra para que o plenário delibere sobre uma ação do PC do B, protocolada hoje, para que a Câmara realize uma votação intercalada, entre deputados do Norte e do Sul do país; ou, alternativamente, em ordem alfabética. Relatores de ações semelhantes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, concordaram com a sugestão e combinaram de intimar as partes ainda nesta tarde para opinarem sobre os pedidos.

Batalha judicial

Umas das ações, sob relatoria de Fachin, foi apresentada no início da tarde pela Advocacia-Geral da União (AGU), pedindo uma liminar (decisão provisória) determinando que seja suspensa a votação. Ele recebeu uma nova ação nesta quinta, do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que, além da suspensão, pede a anulação do parecer da comissão especial que recomendou a abertura do processo.

Frases

“A gente deveria ter duas vidas: uma para ensaiar e a outra para viver. Eu tinha que ter ensaiado, mas fui obrigada a viver.”

Dilma Rousseff, lembrando famosa frase do ator Vittorio Gassman.

“Terminar até dezembro a parte da primeira instância é uma expectativa e um desejo”.

Juiz Sérgio Moro.