A cela de Lula indicada na imagem e o espaço onde o ex-presidente toma o banho de sol diariamente no topo da sede da Polícia Federal, em Curitiba: sem drones, sem fotos, sem imagens.

A “Veja” teve acesso à ala restrita do prédio onde Lula está preso em Curitiba e revela os detalhes da rotina do ex-presidente na cela no terraço do 4º da superintendência da Polícia Federal. Antes de se entregar às autoridades, o ex-presidente exigiu quer imagens dele na detenção fossem proibidas. A Justiça aceitou. Agora, agentes da Polícia Federal devem seguir um ritual de preparação do banho de sol a que o petista tem direito diariamente. Se drones forem detectados, por exemplo, a ordem é abatê-los a tiros. “Para evitar surpresas, a Polícia Federal mantém informantes a postos nos aeroclubes de Curitiba. Não é proibido sobrevoar o prédio, mas, ao menor sinal de aproximação de aeronaves, o ex-presidente é recolhido para dentro da sala onde está preso”, diz a reportagem. Lula não pode ser visto. A PF está providenciando a instalação de um toldo na área de banho de sol no topo do edifício para dificultar ainda mais o registro de imagens.

Na semana passada, um procurador do estado do Paraná afirmou, à esta coluna, ter informações balizadas de que Lula pode ser libertado ainda essa semana e cumprir a pena em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, em uma residência na capital paulista. A intenção é preservá-lo de ameaças, provocar o desmonte do aparato de manifestantes e policiais no entorno do prédio, reduzir os custos com sua prisão e evitar que seja fotografado ou filmado dentro das dependências da PF.

Capa da “Veja” desta semana: um toldo está sendo providenciado para “esconder” Lula, caso seja necessário.

 

50 ANOS DEPOIS: MAIO DE 68 FOI O MELHOR DOS TEMPOS, FOI O PIOR DOS TEMPOS

Protesto na praça da Sé, em São Paulo, em maio de 1968: a revolução social ficou só na revolução de costumes.

Charles Dickens não saberia, mas antecipou em pouco mais de um século o maio de 68: “Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero.”

Até agora, o cinquentenário do nosso ano louco passou despercebido e, se foi lembrado, foi do jeito torto. A visão de que 1968 foi o ano que os militares endureceram e nós não perdermos a ternura jamais, para ficar numa frase de camiseta de Che Guevara, peca pela inocência e pelo romantismo e, nesse caso, eles andam juntinhos.

Os jovens que embarcaram em viagens alucinógenas e mesmo aqueles que não embarcaram descobriram, por exemplo, que o fim da ditadura gritada nas ruas não era necessariamente um pedido de retorno à nossa democracia claudicante. O que se queria, mas era devidamente escamoteado, era a instalação da “ditadura do proletariado”, uma aberração logo confirmada e jamais aplicada em países que experimentaram a revolução comunista, e que, ainda assim acalentava os sonhos dos jovens da época, tão esquerdistas quanto, pela ordem, José Serra (o último presidente da UNE), Fernando Henrique Cardoso, Aloysio Nunes Ferreira e Moreira Franco, este membro da Ação Popular, uma organização de tendênica maoista que iria dar muito trabalho.

Zuenir Ventura no clássico “1968 – O Ano Que Não Terminou”, resume o ano de 1968 em seu primeiro dia ou na véspera, no réveillon da cada da Helô, tão notável quanto foi o último baile da Ilha Fiscal, mas com menos rendas, com menos pérolas e, certamente, com menos roupa. Ali antecipou-se a revolução de costumes que, amargamente, seria o que restou de nossa revolução social, tão recheada de discursos, mas alheia aos que de fato deveriam dominar a cena: os pobres.

O Paraná esteve inserido no contexto (uma expressão da época), porque, em 1968, José Dirceu estava entre os presos que trocados pelo embaixador norte-americano Charles Elbrick. Sete anos depois, ele desembarcaria no Paraná para viver uma clandestinidade confortável em Cruzeiro do Oeste, onde ganhou o apelido de Pedro Caroço e o amor de Clara Becker, a dona da butique da cidade. Assim, era recebido no bar que frequentava: “Ele tá de olho é na butique dela”. Nada mal para um “terrorista” procurado.

Na França onde, ao que parece tudo começou, lá se vai meio século, uma das frases pichadas no muro dizia: “É proibido proibir”. O que não impediu anos depois que o proibissem o uso da burca, um símbolo muçulmano que guarda a identidade das mulheres fora de casa.

De resto, ficou o gostinho de quero mais cantado em prosa e verso pelos hippies que anunciavam a Era de Aquário. Bem, passaram-se quase duas décadas desde que adentramos no tal período de conjunção dos astros e até agora necas.


FORO PRIVILEGIADO: 54.400 AINDA ESTÃO EM REGIME ESPECIAL

A presidente do STF, ministra Carmen Lúcia: “fã do juiz brasileiro”.

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de restringir o foro privilegiado, é bom que se diga, só atingiu os 594 deputados e senadores do Congresso Nacional. Os demais 54.400 que gozam do mesmo regime especial não foram atingidos. Sequer arranhados. O Judiciário, em peso, fico de fora. Talvez a decisão não tenha nada a ver com o comentário infeliz da presidente do STF, que disse ser “fã do juiz brasileiro”. Nem tampouco da insistência do ministro Dias Toffoli em elencar, nos seus argumentos, o fato de políticos julgados no STF não contar com nenhum privilégio, já que não há instância recursal para seus casos. Disse ele tratar-se de “lenda urbana”.

Pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas, no entanto, mostrou que 95% dos casos envolvendo políticos com foro, entre 2006 e 2016, poderiam ser julgados em primeira instância e com maior celeridade se tramitassem em primeira instância. Sua conclusão seria mais breve e as chances de prescrição menores.

Toffoli, assim, parece ter lançado mão do argumento desonesto para encarar uma realidade de privilégios. Carmen Lúcia, pobre, foi só corporativa.


ESTELITA FOI A JANTAR QUE TRUMP NÃO FOI

Estelita Haas Carazzai: ex-correspondente em Curitiba da Folha, agora em Washington.

Ex-repórter da sucursal da Folha de São Paulo, em Curitiba, a jornalista Estelita Hazz Carazzai brilha em Washington como correspondente do jornal. No último fim de semana, esteve presente no célebre jantar dos correspondentes da Casa Branca, tradição quase centenária em celebração à liberdade de imprensa. É de dar inveja. A Constituição americana data de 1787, onze anos depois da independência, e segue a mesma. A primeira Emenda, das 27 acrescidas à carta magna, trata justamente da liberdade de imprensa e de opinião. Estelita foi a uma festa onde Trump, quebrando o protocolo, não deu as caras. Em seu lugar foi convocada a humorista Michelle Wolf, que provocou uma saia justa entre jornalistas e autoridades. “Como diria uma estrela de filme pornô preste a transar com Trump: vamos acabar logo isso”, disparou. Foi a primeira de muitas piadas ácidas e algo constrangedoras mesmo para os padrões americanos de humor.


AS AMARGAS DE PAULO BERNARDO

O ex-ministro Paulo Bernardo e a esposa, a senadora Gleisi Hoffmann, do PT: enrolados.

O ex-todo poderoso ministro dos governos Lula e Dilma, Paulo Bernardo da Silva, foi visto em um supermercado localizado no bairro Água Verde, em Curitiba. Olhava as prateleiras sem curiosidade e sem disfarçar a feição com óculos escuros ou os poucos cabelos da cabeça com um boné. Ainda assim, passou ileso. Ninguém o reconheceu. Na semana passada, Bernardo que é casado com a senadora petista Gleisi Hoffmann, foi denunciado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, por corrupção passiva no âmbito da delação da Odebrecht. Gleisi também está na lista.