Lula e Requião defendem governo para mais pobres e criticam mídia

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Em discurso para mais de 6 mil pessoas, a maioria moradores do Novo Guarituba, a maior obra de urbanização em andamento no País.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (24) os investimentos em saneamento básico e fez coro às críticas do governador Roberto Requião a setores da mídia. Os aplausos da população, que lotou o ginásio da Escola Municipal Henrique de Souza, no Novo Guarituba, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) interromperam a fala do presidente diversas vezes.

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o governador, tem sido alvo dos poderosos, da mídia deletéria, dos que não acreditam que um governo possa se voltar preferencialmente pra pobreza. O presidente precisa ter conhecimento claro do apoio e do estímulo. Por isso, essa nossa reunião está sendo transmitida pela Paraná Educativa para o Brasil inteiro”, afirmou Requião.

“As críticas que o companheiro Requião fez ao comportamento de determinados setores da imprensa brasileira não atingem os profissionais da imprensa, os jornalistas, que vivem de salário, mas aqueles que pensam que, por falar na televisão ou escrever, são os donos da verdade”, afirmou o presidente. “A inveja e o preconceito são duas doenças malignas na cabeça de algumas pessoas. Eles vão morrer sem entender porque um metalúrgico, que não tem diploma, é capaz de fazer mais que eles”, disse.

“Eu sei que tem quem não ache legal a gente investir R$ 40 bilhões para fazer saneamento básico”, disse Lula. “É esse País que nós precisamos mudar, o que não é uma tarefa fácil. Mas temos que começar, e o PAC é um grande instrumento que nós criamos para isso. Serão R$ 504 bilhões em quatro anos, dos quais R$ 40 bilhões são para saneamento básico e urbanização de favelas, R$ 106 bilhões para habitação, além de investimento em estradas, ferrovias, aeroportos e portos. Há mais de 30 anos o Brasil não via isso”, falou.

“A gente anda Brasil afora e vê cidades importantes que quase não têm coleta de esgoto, uma demonstração de que isso nunca foi uma grande preocupação dos governantes brasileiros. Entre 1988 e 2001, no Brasil, morreram 300 mil crianças de doenças adquiridas por inexistência de saneamento básico”, discursou Lula.

“As pessoas não perceberam que o troféu mais extraordinário que um político pode carregar como legado, depois de ter administrado uma cidade, um Estado, um País, é saber que, da sua ação política, uma criança pode brincar na rua com o pé descalço sem pisar em esgoto a céu aberto, uma dona-de-casa tem água potável em sua casa para beber, para lavar a louça”, afirmou o presidente.

“O que vocês estão vendo aqui hoje, não é um comício demagógico de promessas de vésperas de eleição. É a concretização da parceria da prefeitura de Piraquara, do Governo do Paraná e do Governo Federal, para mudar a vida dessa população pobre e honrada do Guarituba. Os muito ricos que me perdoem, mas eles não precisam de prefeito, de governador e de presidente. Os muito ricos são os donos dos bancos, o grande empresariado enriquecido, e eles têm força política para resolver os seus problemas”, discursou Requião.

“Num Estado democrático, não são os banqueiros nem as multinacionais quem elegem os governos, e sim o povo, no voto, como o povo do Guarituba, que garantiu, para mim e para Lula, 80% de seus votos. Durante a campanha eleitoral, eu dizia a vocês que o nosso seria o governo da Carta de Puebla, da opção preferencial pelos pobres, e o que nós estamos fazendo aqui no Guarituba, no Paraná, e Lula, no Brasil, é pôr em prática esses princípios”, disse o governador.

“A Rede Globo, os jornalões, que batem na gente dia e noite, que batem no Requião, no governo e em Lula, precisam entender que o dinheiro que nós não damos pra eles é o dinheiro que está mudando a vida da população do Guarituba. É o dinheiro que nós investimos para gerar trabalho e gerar emprego para esta população, que tem a tarifa da energia elétrica reduzida a zero pela Copel no caso dos mais pobres, que tem a Tarifa Social da Sanepar, a custo baixíssimo”, afirmou Requião.