Linha Turismo: roteiro hoje é feito com modernos ônibus de dois andares/foto SMCS/Prefeitura de Curitiba

Sem registros ou comemorações oficiais, a Linha Turismo de Curitiba completou 25 anos na terça-feira 9 de julho. A viagem inaugural, há um quarto de século, foi numa ensolarada tarde de sábado de 1994, diante da Catedral-Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais – padroeira da cidade -, com a presença do prefeito Rafael Greca (então em sua primeira gestão) e do ex-prefeito Jaime Lerner, que colocou em prática, a partir de 1971, quando governou Curitiba pela primeira vez, uma verdadeira revolução urbana.

Na terceira gestão de Lerner à frente do Palácio 29 de Março, haviam sido criadas linhas especiais para os parques da cidade, chamadas de PróParque. Greca, meses depois de se instalar no gabinete principal do Palácio, em janeiro de 1993, idealizou consolidar essas linhas num grande itinerário que contemplasse os parques e os novos ícones da vida curitibana, como Jardim Botânico, Ópera de Arame, Universidade Livre do Meio Ambiente, entre outros.

Itinerário atual da linha contempla 24 pontos de interesse

Inicialmente, para a implantação da linha, foi cogitada a compra de ônibus de dois andares, que a Prefeitura de São Paulo, à época do prefeito Jânio Quadros, havia adquirido em Londres. Os famosos “double-decks” vermelhos. Jânio comprou mas não utilizou. Mas os veículos já tinham sido todos vendidos a particulares.

Optou-se, então, por uma solução caseira. E assim surgiram as famosas jardineiras, que cumpriram seu papel durante bons anos. O projeto das jardineiras foi encomendado ao escritório do arquiteto Manoel Coelho – autor, então, da nova programação visual da cidade e de muitos outros projetos de importância. Na carroceria, desenhos dos ícones das atrações do percurso.

Como nenhuma das grandes encarroçadoras do Brasil interessou-se em confeccionar as carrocerias, em função do pequeno número, seis, a missão foi entregue a uma empresa de Colombo, cidade da região metropolitana de Curitiba. Ali as jardineiras foram montadas artesanalmente sobre chassis de ônibus usados. Todas em cor branca, com os ícones aplicados.

Desde a sua implantação há 25 anos, a Linha Turismo tem praticamente a mesma estrutura, com partidas de 30 em 30 minutos, parando em cada ponto para embarque e desembarque dos passageiros. No começo, eram 15 locais e 33 quilômetros de percurso, que logo foram ampliados para 22, com 40 quilômetros e duas horas de duração, com saídas das 9h às 17h30, com a inicial na praça Tiradentes, diante da Catedral. Hoje, são 24 pontos de parada, trajeto de cerca de 45 quilômetros e perto de três horas de passeio. A tarifa, que no começo se equiparava à do transporte coletivo normal, e assim atendia também a população curitibana, hoje custa R$ 50, com o cartão-embarque valendo por 24 horas, um avanço. O cartão substituiu o antigo tíquete que permitia um embarque e três reembarques.

Hoje, a Linha Turismo é cumprida a bordo de modernos ônibus de dois andares, continua circulando de terça a sábado; às segundas, somente nas férias escolares e em feriados nacionais. Mas as velhas jardineiras ainda estão a postos para cumprir o roteiro quando a demanda é muito grande. (Leia mais sobre a Linha Turismo em juliozaruch.com.br).