Limpa no MDB

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O presidente estadual do MDB, ex-deputado federal João Arruda, afirmou durante encontro em Londrina que fará uma limpa nos diretórios municipais paranaenses e que não vai abrir mão das “convicções” do partido. “O MDB do Paraná será reconstruído. Vamos recomeçar do zero, substituir diretórios e encontrar novas pessoas para nos representar nas eleições do ano que vem”.

Arruda garantiu que “os interessados em fundo eleitoral e tempo de TV que procurem outra legenda”. “Não vamos abrir mão das nossas convicções”, completou.

Na verdade, o MDB se ressente dos maus resultados nas últimas eleições, quando seu principal nome, Roberto Requião, perdeu a eleição para o Senado. As bancadas de deputados estaduais e federais minguaram.

A votação do próprio João Arruda para governador foi muito menor do que o esperado, como reflexo da queda na votação da majoritária para senador que deveria alavancar o partido.

Lua de mel

O ex-presidente Lula quer aproveitar o final do ano para ir a Paris receber o título de Cidadão Parisiense. Até lá, poder estar casado com a socióloga Rosângela da Silva e quer curtir sua lua de mel com Janja (é o apelido dela), que está saindo da Itaipu através do PDV – Programa de Demissão Voluntária da usina (quer ficar ao lado dele onde Lula decidir ir morar). O ex-presidente poderá ter problemas com o passaporte brasileiro, mas viajará com seu passaporte italiano (tem cidadania). E como não tem dinheiro (tudo está bloqueado), o Fundo Partidário do PT arcará com as despesas (Lula é o presidente honorário do partido).

“Banca cara de pau”

Homens do mercado financeiro, economista e até titulares de secretarias do Ministério da Economia, ou seja, ligados a Paulo Guedes, além da Febraban, a federação dos bancos, muitos se manifestaram contra o limite de 8% para juros no cheque especial decidido pelo BC. Dizem que a área pretende ser controlada pelo Planalto e a Febraban acha que “melhor seria que o governo criasse condições para os bancos tivessem menos taxas e eles resolvessem tomar decisões semelhantes por conta própria”. Um executivo de grande banco ironizou: “A banca é cara de pau”.

 

Lucros

Para que não tem ideia nessas horas de quanto tem sido o lucro anual líquido das principais instituições financeiras: em 2018, o Itaú embolsou R$ 24,9 bilhões, o Bradesco R$ 19 bilhões, o BB, R$ 12,8 bilhões, o Santander, R$ 12,1 bilhões e a Caixa R$ 10,3 bilhões.

 

Desamarradas

As sapatilhas dos integrantes da Cia. Débora Colker ficam desamarradas por algum tempo, enquanto o pessoal da administração do grupo sai em campo à procura de novos patrocinadores. A Petrobras suspendeu seu patrocínio à companhia, iniciado em 1995 e que até junho de 2020 significaria apoios de R$ 4,9 milhões. Nada de novo: a Petrobras cumpre as determinações do Planalto, ou seja, acabou a farra dos patrocínios. No caso da companhia de Débora, uma curiosidade: Bolsonaro nunca assistiu um espetáculo dela e nunca assistiu um balé em toda sua vida.

 

Origem

Agora é que se sabe a origem do súbito poder de Roberto Alvim, que Funarte xingou Fernanda Montenegro e hoje comanda a Secretaria da Cultura, que funciona dentro do Ministério do Turismo: ele é amigo do guru Olavo de Carvalho que até ajudou na escolha de outros nomes para determinadas áreas. A nomeação de maioria é questionada (ninguém tem a ver com áreas ligadas à cultura), mas a ida de Katiane Fátima de Gouvêa é uma surpresa. Em sua campanha a deputada federal, queria a redução da maioridade penal, incentivava o casamento homofóbico e era contra facilitar o porte de armas.

 

Também cartão

Antes mesmo de fevereiro, o BC também entrará no terreno dos cartões de crédito para reduzir os juros de lá hoje estacionados em torno de 317% ao ano, o que não existe em pais algum do planeta. O presidente Jair Bolsonaro desfruta das regalias do cartão corporativo da Presidência, extensivo à primeira-dama Michelle. E todos seus gastos são protegidos pelo rótulo “confidencial”.

 

De novo

A Band quer tirar o humorístico Encrenca (uma das raras audiências da Rede TV!) da emissora de Almicare Dallevo e Marcelo Carvalho e levar para a televisão do Morumbi. As negociações estão quase finalizadas mesmo porque a Rede TV! não tem mais condições financeiras de manter o programa. A Band tem uma história de roubar programa da Rede TV!: em 2012 tirou o Pânico de lá.

 

Só fitas

Se muitas artistas andam exibindo suas intimidades nas redes sociais – e com certa constância, que é para não perder admiradores – agora também a cantora Perlla, que ficou conhecida com a música Totalmente demais, resolveu seguir a mesma trilha. Está toda nua na rede com regiões estratégicas cobertas apenas por fitas adesivas pretas.

 

Barrada no baile

Jair Bolsonaro resolveu excluir a Folha de S.Paulo da licitação para assinaturas de veículos que recebe em Brasília. Na lista estão apenas O Globo, Valor Econômico, e O Estado de S.Paulo e os internacionais The New York Times e o The Wall Street Journal, além das revistas Época, Veja, Time e The Economist. Também IstoÉ ficou de fora. Detalhe: do núcleo duro do governo, apenas Paulo Guedes fala e lê corretamente inglês. O chanceler Ernesto Araújo tropeça.

 

Balanço

E por falar em juros cobrados pelos bancos: em outubro, o volume de operações de crédito foi de R$ 3,37 bilhões (47,57% do PIB). Desse total R$ 1,9 bilhão foi emprestado pelas instituições financeiras do mercado com juro médio de 35,9% ao ano; R$ 1,46 bilhão foi concedido por bancos públicos (Caixa, BB e BNDES) com juro médio de 7,7% ao ano. A taxa média dos juros das operações contratadas em outubro alcançou 23,9% ao ano.

 

Nada de novo

Ainda o novo limite de 8% de juros para os cheques especiais: parte da mídia brasileira, especialmente a presente em grandes centros, acabou dedicando até editoriais na defesa dos bancos. Nada de novo: instituições financeiras sempre socorrem os veículos em caso de penúria. Fora propaganda e publicação de balanços.

 

Quem faturou

Nessa novela dos juros 8% nos cheques especiais quem ficou na linha de frente da defesa da medida foi Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. O ministro Paulo Guedes, da Economia, mesmo tendo participado dos antecedentes da norma, não quis nem ficar perto do anúncio do limite. E quem faturou foi mesmo Jair Bolsonaro junto aos 30 milhões de superendividados no Brasil.

 

Renegociação

Ao mesmo tempo, a Câmara desenterra a proposta que altera o Código de Defesa do Consumidor e cria capítulo para prevenir e tratar o superendividamento no país. Prevê a renegociação simultânea com diversos credores, numa espécie de recuperação judicial da pessoa física.

 

Contra diplomacia

Dos 47 novos embaixadores brasileiros indicados em 2019 apenas 29 passaram até agora pelo crivo do Senado. Os demais estão na gaveta de Davi Alcolumbre, que não conseguiu indicar Mauro Vieira na ONU (é ex-ministro de Dilma). A indicação do diplomata Hermano Telles Ribeiro para embaixada do Líbano sequer foi lida. Agora, avisou que a indicação de Nestor Foster, amigo de Olavo de Carvalho, para Washington, só será lida no ano que vem.

 

Troca

Há quem aposte que o atual secretário do Governo e velho amigo de Jair Bolsonaro, general Luiz Eduardo Ramos, que se aposentou antes do prazo para atender convite do presidente e que sai de férias dentro de semanas, poderá não voltar ao cargo. Ele é mais do que esforçado, mas articulação política não é sua praia e os resultados não aparecem. O nome mais cotado para a secretária do Governo é do ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), amigo de Jair há muitos anos.

 

Homofobia

A recente decisão da Hungria de abandonar a Eurovision, competição muito popular no continente, despertou dúvidas: o The Guardian acha que foi por causa de que a competição televisiva “estava gay demais” para o gosto do governo húngaro. Seu primeiro-ministro Viktor Orbán lançou uma política de “a família em primeiro lugar” destinada a ajudar lares heteronormativos e impulsionar as taxas de natalidade no país.

 

Deputado correndo

Em seu voto em defesa da não limitação e compartilhamento de dados sigilosos do antigo Coaf atual UIF e outros órgãos de fiscalização com o Ministério Público Federal, o ministro do STF Luís Roberto Barroso lembrou o esforço das instituições nos últimos anos no enfrentamento da corrupção e os escândalos recentes. “Eu vi o deputado correndo pela rua com uma mala de dinheiro com a propina recebida, em uma cena que bem serve de símbolo de uma era. Todos vimos o apartamento repleto com 51 milhões de reais com as impressões digitais de um ex-secretário da Presidência da República”.

 

Sério risco

Ao ver seu nome sendo ventilado como possível candidata a prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, ainda sem partido, diz que não tem interesse em voltar a política. “Ser candidata não é o meu propósito. Meu propósito é ajudar. Estou numa situação privilegiada. Eu não tenho o desejo de disputar cargos. Não vou brigar para ser isso ou aquilo. Não estava no meu radar. Meu radar é criar uma frente forte, mesmo porque acho que estamos correndo risco sério”.

Frases

 “Não é no canetaço, aí. Decidido pela CVM. O Brasil caminha nessa direção de os números passarem a ser compatíveis com a taxa de juros e com aquilo que estamos fazendo na economia.”

Jair Bolsonaro