Em aula clássica no início do século 20 o filósofo hispano-americano George Santayana ensinou que “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. Para  historiadores, o professor explicava a seus jovens alunos a importância de aprender com as experiências passadas, de modo a evitar a repetição de erros e construir o futuro, “porque a civilização – cumulativa – se fundamenta no que aconteceu antes”.

LIÇÃO DA (II)

“Quem esquece o passado, alem de estar condenado a repeti-lo, não potencializa os acertos” (complementa um estudioso do tema, com responsabilidade na área militar), no sentido de não aproveitar as lições derivadas do exame dos fatos passados.  Devemos, por isso, ter presente que “aprendemos com o passado para construir o futuro”.

ANÁLISE

Após a celeuma em torno das comemorações – ou “rememorações” – dos acontecimentos de 1964 no Brasil, restou uma lição da História: naquela ocasião a classe política falhou em sustentar o pluralismo democrático, cedendo terreno a um regime autoritário que durou 21 anos. Relembrando aqueles episódios o jornalista Carlos Castelo Branco, o “Castelinho”, escreveu um livro que deve servir de alerta: “1963 – a agonia do poder civil”.

ANÁLISE (II)

Na obra, Castelinho narra como a ambição cega e o radicalismo de pré-candidatos presidenciais do abortado pleito de 1965 – Juscelino, Carlos Lacerda – contribuíram para a derrocada do regime de João Goulart. Mais recentemente pesquisadores em documentação norte-americana, como Matias Spektor, revelaram que autoridades dos Estados Unidos lamentaram a marcha para o arbítrio do governo surgido em 1964: “O Brasil foi incapaz de obter sucesso com a democracia implantada pela Constituição de 1946”.

 

LIÇÃO DE PORTUGAL

Passou por Curitiba uma delegação portuguesa, integrada entre outros pelo secretario para internacionalização Ricardo Brilhante Dias e pelo embaixador Pedro Cabral. Durante evento na Associação Comercial, Brilhante Dias que, como secretário de Estado é membro do governo lusitano, explicou que o país funciona com um executivo dual, dividido entre um presidente eleito pelo voto direto e um gabinete ministerial aprovado pela Assembleia.

ANÁLISE

O modelo português, que remonta à História recente do país (após a Revolução dos Cravos, 1974), confere poderes ao presidente da República, mas atribui a função de governar a um conselho de ministros cujo programa é submetido à legislatura nacional. Eventuais conflitos são arbitrados por um Conselho de Estado e um Tribunal Constitucional, permitindo funcionamento estável para o sistema: Sob esse “semipresidencialismo”, Portugal cresce, atrai investimentos e hoje, para os brasileiros, representa um paraíso.

 

 

 

Pedágio, obrigações

O deputado Luiz Claudio Romanelli perguntou, em requerimento aprovado pela Assembleia Legislativa, se o recente acordo de leniência firmado por empresa concessionária do pedágio deixou de fora o compromisso de duplicação da Rodovia do Café (BR-376), a espinha dorsal que liga o Centro-Sul ao Norte do Paraná. No documento, enviado a autoridades que lidaram com assunto, o Legislativo quer saber se o “Estado figura como parte nos acordos de leniência feitos pelo Ministério Público Federal e as concessionárias”.

Análise

Enquanto não há resposta oficial ao questionamento da Assembleia, o assunto poderá ser retomado na próxima segunda-feira, dia 15, quando o secretário de Infraestrutura, Sandro Alex, participará de evento coordenado por várias entidades na Associação Comercial. O núcleo do problema: saber se “o Paraná ficou de fora”, num acordo de leniência costurado pela área federal sem aparente intervenção do ente federativo.

 

MAIS CRÉDITO

A lei do cadastro positivo, sancionada pelo presidente da República, deve elevar em mais de 20% o número de pessoas habilitadas a fazer compras a crédito, ampliando o ritmo da economia. A avaliação é do empresário Gláucio Geara, presidente da Associação Comercial do Paraná. A entidade opera um birô de crédito em conjunto com outras associações comerciais e investidores, com presença em todo o estado e no país.

Análise

Executivos do setor explicam que o cadastro torna automática a inclusão no sistema de avaliação de risco de crédito, incluindo consumidores hoje excluídos do sistema financeiro. É que os birôs passarão a analisar o histórico desses potenciais consumidores a partir do pagamento de contas de luz, água, etc. A nova forma de comprovação de renda poderá incluir de 20 a 30 milhões de pessoas no mercado de consumo, dando impulso à economia.

 

NA OCDE

Outro impulso poderá ocorrer com a aceitação do Brasil como membro da OCDE, a entidade que reúne os países mais qualificados sob o aspecto econômico. O ministro Paulo Guedes, que viajou para os Estados Unidos em companhia de Marcos Troyjo, secretário de Comércio Exterior, vai se encontrar com Angel Gurria, diretor da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, buscando apressar a decisão.

Análise

A pretensão brasileira foi apoiada recentemente pelos governos dos Estados Unidos e de Israel, além de contar com o aval de outros integrantes desse “clube dos ricos”. Entrar na OCDE envolve obrigações que os países-membros se comprometem a observar: boas práticas de gestão, ambiente de negócios e outros fatores similares, mas o resultado é positivo por representar um certificado de boa conduta fiscal e segurança jurídica, a facilitar investimentos, acesso a mercados, etc. Estabilidade que traz maior chance de evolução sócio-econômica.

Rafael de Lala e Vagner de Lara, jornalistas

David Ehrlich – Graduado: Comunicação Social – Jornalismo pela UFPR