Laurentino lança novo livro no Paraná

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Nesta segunda-feira  16, às 19h, na Livrarias Curitiba do Shopping Palladium , o jornalista paranaense Laurentino Gomes lança o primeiro volume de uma alentada trilogia sobre a escravidão. Nas páginas, um período de 1444 a 1695, explicitado já no título – Escravidão: do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares (ed. Globo, 480 páginas, R$ 49,90). Além de autografar a obra, o autor vai participar de um bate-papo com o público. E no dia seguinte, na terça-feira, ele estará em Londrina, recebendo leitores às 19h, na Livrarias Curitiba do Catuaí Shopping. O atendimento será feito pela ordem numérica das 300 senhas, que já estão sendo distribuídas no local.

Com 30 capítulos e caderno de imagens, incluindo mapas e tabelas, Escravidão reúne uma série de ensaios e reportagens de campo, resultado de seis anos de trabalho de pesquisas, período em que o autor visitou centros de estudos, bibliotecas, museus e locais históricos de doze países em três continentes.

Os outros volumes, com publicação em 2020 e 2021, serão dedicados ao auge do tráfico negreiro, no século XVIII, em que mais de dois milhões de africanos foram transportados para o Brasil, ao movimento abolicionista e ao fim da escravidão, pela Lei Áurea de 13 de maio de 1888.

“Considero a escravidão o assunto mais importante da história do Brasil”, afirma Laurentino Gomes. “Tudo que já fomos no passado, o que somos hoje e o que seremos no futuro tem a ver com as nossas raízes africanas e a forma como nos relacionamos com elas. E essas raízes são mais profundas do que se imagina. Fomos a maior sociedade escravagista do Hemisfério Ocidental por mais de trezentos anos. Quarenta por cento de todos os 12 milhões de cativos africanos trazidos para as Américas tiveram como destino o Brasil. Portanto, sem estudar a escravidão seria impossível entender o que somos hoje e também o que pretendemos ser no futuro”, diz o autor.

Ele foi a Cartagena, na Colômbia, maior entreposto de comércio de escravos do antigo império colonial espanhol; percorreu o sul dos Estados Unidos, cenário da Guerra da Secessão, que custou as vidas de 750 mil pessoas para que a escravidão fosse abolida nos Estados Unidos; esteve em Liverpool, na Inglaterra, de onde partiam navios para a compra de cativos na África; e morou seis meses em Portugal, de onde fez cinco viagens a oito países do continente africano (Cabo Verde, Senegal, Angola, Gana, Benim, Marrocos, Moçambique e África do Sul).

No Brasil, visitou quilombos da Paraíba; antigos engenhos de cana-de-açúcar de Pernambuco e do Recôncavo Baiano; a Serra da Barriga, em Alagoas, onde morreu Zumbi dos Palmares; as cidades históricas do ciclo do ouro e diamante em Minas Gerais; as fazendas dos barões do café no Vale do Paraíba, em São Paulo; e o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, maior porto de desembarque de escravos do mundo no século XIX.

Embora o foco principal do trabalho seja o Brasil e a África, este primeiro volume da trilogia  também traz alguns capítulos sobre a escravidão em outros períodos da história da humanidade, como na Grécia Antiga, no Egito dos faraós, no Império Romano, nos domínios do islã e no próprio continente antes da chegada dos portugueses.

Os livros anteriores desse paranaense de Maringá, seis vezes ganhador do Prêmio Jabuti, são 1808, sobre a fuga da corte portuguesa de dom João para o Rio de Janeiro; 1822, sobre a Independência do Brasil; e 1889, sobre a Proclamação da República. Somados, os três venderam mais de 2,5 milhão de exemplares no Brasil, em Portugal e nos EUA. Há ainda O Caminho do Peregrino, em coautoria com Osmar Ludovico da Silva.