João e Maria em um conto sem fadas

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Tanto nas páginas quanto nas telas, de comum nas mais diversas versões de João e Maria, conto infantil dos célebres irmãos Grimm, se tem o casal de irmãos perdidos na floresta e a tentadora casa de guloseimas. É o que se vê também agora com Maria e João: O Conto das Bruxas, novo programa deste fim de semana nos cinemas. De diferente e original, o tom soturno, gótico, e o destino da menina-moça em sua passagem para a vida adulta. Não é filme para criancinha. Só se a criança em questão tiver compreensão que tão terrível são os contos de fada.

O filme, gênero terror, impróprio para menores de 14 anos, tem como personagens a mocinha Maria (Sophia Lillis) e a bruxa Holda (Alice Krige), que quer saborear um João (Samuel Leakey) ao molho pardo. A irmã trata de aprender bruxaria para proteger o irmão guloso. Mas quem dá aulas para ela é a própria dona da casa, que percebe (ou finge) estar diante de uma futura colega.

E é essa percepção o nó górdio da história recontada pelo roteirista Rob Hayes, dirigida por Osgood Perkins, filho de Anthony Perkins (o ator imortalizado em Psicose), e densamente iluminada por Galo Olivares (diretor de fotografia).

A trama é narrada pela própria Maria, o que, já de início, coloca o expectador em suspense e revela o protagonismo feminino. Mesmo saída de um conto de fadas, ela não é ingênua nem sonha com o príncipe encantado. Ao contrário, tem pesadelos (o ponto alto do terror sem sustos do filme).

Essa Maria lembra mais as Marias que ainda agora protegem nossas florestas, cuidam dos irmãos, resistem aos assédios, enfrentam as maldades e lutam pela sobrevivência.