O salão de moda-design Inspiramais, realizado pela Assintecal em São Paulo, em junho, abriu alas para o espaço Inspira Denim, idealizado pela Style WF para os criadores de moda e amantes da jeanswear. Nele, ao lado de Leopoldo Nóbrega, o mineiro Ronaldo Silvestre, formado pela Universidade Estadual de Londrina, mostrou seu precioso trabalho de moda autoral na concepção, forma e sustentabilidade.

Sempre enaltecendo as mãos femininas do Instituto ITI, que há dez anos gera renda e emprego para famílias carentes de Itabira dentro da economia criativa, as criações sustentáveis de Ronaldo Silvestre primam pelos processos diferenciados a partir do reaproveitamento de tecidos da indústria têxtil (principalmente das têxteis Santanense, Horizonte e Capricórnio). O uso de viés é a marca da artesania de 90 das 180 mulheres do ITI.

A oureola, sempre descartada na automação de corte, são desfiadas e tornam-se os chamados retecidos quando aplicada no tule, onde também se aplica viés que forma incríveis labirintos. São peças exclusivas, alta costura, ainda que feitas de descartes e do democrático denim. Só uma das saias da coleção leva 300 metros de viés sobre oito metros de tule.

“Queremos construir uma história de propostas de soluções para confecções, reaproveitando estoques das indústrias”, diz Ronaldo Silvestre, ao lado de uma jaqueta masculina que se vale de jeans e de couro descartado por uma fábrica de bolsas de Belo Horizonte.

Mas sua história começa em casa. Ronaldo orgulha-se da mãe costureira, que criou a família customizando calça jeans. Com essa lembrança afetiva e pegando esse exemplo de uma economia criativa doméstica, em 2009 ele criou o Instituto ITI na cidade de Carlos Drumond de Andrade, onde, se faz poesia com retalhos.