Informação correta é a melhor prevenção

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Vivemos a primeira pandemia da era da desinformação das redes sociais, uma situação grave e que pede, mais do que nunca, responsabilidade no compartilhamento de conteúdos. Porém, as fake news, com receitas caseiras, teorias da conspiração, vídeos com “cientistas de internet” e até lista de medicamentos indicados, disseminaram-se mais rapidamente do que a própria Covid-19.

Para orientar a população tendo por base o que é real, derrubando assim informações falsas, prejudiciais ao enfrentamento da pandemia, o Viva + preparou uma edição especial sobre o assunto. Entrevistei o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Clóvis Arns da Cunha, que esclareceu os pontos mais importantes sobre a Covid-19.

Dr. Clovis, vamos começar com o que a gente mais vê circulando nas redes sociais: medicamento, vacina e até mesmo alimento que mate o coronavírus existem mesmo?

Fake! Ainda não há nenhum tratamento eficaz contra o vírus e nenhuma vacina  disponível. As pesquisas estão em andamento e acredito que, em dois, três meses, pelo menos, teremos novidades. Hoje, inicialmente, para pacientes sem complicações, fazemos tratamento de sintomas, como é para o resfriado. Paracetamol para diminuir a dor, dipirona se a febre for mais alta, chazinho quente, sopinha da “vozinha”, mas nada disso mata o vírus. Quem vai curar a Covid-19 é o próprio organismo. A grande maioria das pessoas vai ser curada pela própria imunidade. A letalidade desse vírus é em torno de 2,5% a 3%, o que significa que 97% vão se curar.

O isolamento é exagero, como muitos têm falado, ou é realmente necessário?

 Estamos em uma pandemia, situação nova que causou um dano enorme na Itália, na Espanha, nos Estados Unidos. Não queremos viver isso no Brasil, até porque a nossa estrutura de saúde é mais precária do que as desses países.  Sabemos que em outros estados já foi iniciada a transmissão comunitária (paciente com Covid-19 que não chegou de países de risco nem esteve com pessoas que chegaram de viagem). Por isso, o isolamento social, para todos, não é exagero. E quem tiver sintomas de resfriado ou gripe (tosse, dor de garganta, febre) deve ficar em casa. Se testar positivo para Covid-19, isole-se em um quarto, sem contato com outras pessoas. Se tiver que ter contato com os familiares, use máscara e fique a, no mínimo, um metro de distância deles.

Quando é hora de ir ao pronto-socorro?

 Os sintomas de alerta são tosse, dificuldade para respirar, dor de garganta e febre. Mas, quando os sintomas forem leves, como uma coriza, não vá ao pronto atendimento. Se você vai ao posto por um resfriado, o sistema de saúde fica mais sobrecarregado, e os casos graves podem não ser atendidos. Mas, claro, se a febre passar de 24h, procure assistência médica. Pode ser também uma pneumonia ou até outro vírus, porque continuamos com outras doenças circulando.

 Qual a mensagem que o senhor deixa para toda a população neste momento de medo e incertezas?

Uma das principais mensagens dessa doença é: temos que nos manter atualizados. É tudo muito dinâmico e estamos aprendendo a cada dia com os novos dados epidemiológicos e científicos publicados. Não acreditem nem compartilhem fake news. Recebeu uma informação? Cheque com órgãos oficiais de saúde antes de encaminhá-la para outras pessoas.

NÃO ACREDITE QUE:

– Álcool gel pode ser fabricado em casa com gelatina incolor;

– Vinagre, chá quente e bebidas alcoólicas matam a Covid-19;

– Já existe vacina contra o novo coronavírus.


Você precisa saber

Transmissão: por gotículas aéreas, originárias da saliva, do espirro ou da tosse.  Pelo contato das mãos, com essas gotículas, nos olhos, na boca ou no nariz.

Grupo de risco de complicações: pacientes idosos com doenças cardíacas ou pulmonares, diabetes e hipertensão. Pacientes de qualquer idade com deficiência imunológica e com todas as outras comorbidades também têm risco de agravamento da Covid-19. Não há registros sobre complicações em gestantes com o vírus.

Prevenção: aderir ao isolamento social, evitar contato físico com as pessoas, lavar com frequência as mãos com água e sabão/sabonete e usar álcool gel para reforçar a higienização.

Contraindicação: O uso do ibuprofeno, substância encontrada nos ati-
-inflamatórios, está contraindicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Estudos apontam que o medicamento pode potencializar os sintomas do coronavírus.

Clovis Arns da Cunha – Presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI)


Testei positivo para Covid-19, posso amamentar?
Sim. Estudos feitos na China mostraram que mães com coronavírus que amamentaram seus filhos não transmitiram a doença.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) informou que, até o momento, é favorável à manutenção da amamentação em mães portadoras da Covid-19 (se for este o desejo delas). As principais publicações acerca do tema, até agora, indicam que, como em várias outras viroses, os benefícios da amamentação superam os riscos de transmissão do coronavírus, por transferir anticorpos maternos para o bebê.

Dessa forma, as mulheres portadoras da Covid-19 que desejam amamentar devem ser estimuladas a fazê-lo e tomar as seguintes precauções para evitar a disseminação viral para o recém-nascido:

✔ Lavar as mãos antes de tocar no bebê, em bomba extratora de leite ou mesmo em mamadeira;
✔ Usar máscara facial durante as mamadas;
✔ Seguir rigorosamente as recomendações para limpeza das ordenhadeiras após cada uso;
✔ No caso de a mãe não se sentir à vontade para amamentar, poderá solicitar a ajuda de alguém que esteja saudável para oferecer ao bebê o leite materno ordenhado da própria mãe.

“É importante reforçar, neste momento de muita oferta de informações, que a SBP não recomenda a amamentação cruzada, ou seja, feita por outra mãe ao bebê. Em caso de dúvida, procure sempre o médico da criança”, alerta a pediatra Juliana Rangel.

Alimentos para estimular a imunidade

De modo geral, pessoas fortalecidas imunologicamente superam determinadas doenças e tratamentos com mais facilidade, e isso não é diferente em relação ao coronavírus.  “Mais do que nunca, agora é tempo de reforçar o estado nutricional a partir de alimentos ricos em nutrientes e que estimulem a imunidade. Não existe dieta nem alimento milagroso, mas a ingestão de probióticos, frutas ricas em vitamina C (como acerola, limão e laranja),  própolis, alimentos com Ômega-3 (atum, linhaça e sardinha), aveia, carnes  e frutos secos, entre outros, auxilia no sistema imune. Não é difícil adquirir esse hábito, e isso deve ser feito ao longo da vida inteira”, afirma Marina Lopes, supervisora do Serviço de Nutrição e Dietética do Hospital Erasto Gaertner.

A nutricionista destaca ainda que, neste momento, o cuidado deve ser redobrado para pessoas com deficiência do sistema imunológico. “A alimentação desses pacientes precisa ser completa e equilibrada. Um cuidado ainda maior deve ser dedicado à higienização de tudo o que é servido”, orienta Marina.