No curto prazo, a indústria nacional de materiais de construção não vai sofrer reflexos provocados pela crise econômica mundial.

No curto prazo, a indústria nacional de materiais de construção não vai sofrer reflexos provocados pela crise econômica mundial. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvyn Fox, os investimentos  para aumento da capacidade de produção já estão sendo feitos há cerca de dois anos e não sofrerão interrupção. “Com certeza, vai ter continuidade”, disse ele ontem à Agência Brasil.

Fox admitiu, contudo, que poderá haver daqui para a frente uma pequena retração em relação à programação de investimentos futuros. Tudo vai depender da continuidade da crise. “Se ela vai realmente se consolidar como crise ou se ela vai se retrair, para a gente ter perspectivas melhores”, analisou.

Do mesmo modo, Fox disse que as vendas do setor no atacado não foram prejudicadas. Elas continuam crescendo, afirmou. E esse movimento está alicerçado principalmente no desempenho do setor habitacional, que apresenta muitos lançamentos nos últimos meses e obras novas em todo o país. Fox advertiu que se houver novos aumentos da taxa de juros básica, o custo do financiamento pode aumentar, o que poderá causar problemas na área da venda direta ao consumidor final.

No curto prazo, porém, a expectativa é que as vendas não serão  afetadas pela crise externa. “Nós temos um pouco de fôlego, eu diria, para que a gente possa enfrentar essa crise, sentir como ela vai se desenvolver para, aí sim, tomar medidas que possam atenuar um pouco seus efeitos”.

Por enquanto, assegurou ele, a perspectiva é continuar com o crescimento previsto nas vendas, entre 18% a 20% em comparação a 2007, até o final do ano. No acumulado janeiro/agosto, as vendas do setor para o mercado interno tiveram expansão de 32,33% em relação ao mesmo período anterior.

Melvyn Fox acredita que os números de setembro também deverão ser bastante positivos. Já o último trimestre deverá puxar para baixo o crescimento, “não por causa da crise, mas porque nós estamos comparando com um patamar muito maior nos últimos três meses do ano passado”, explicou. “Então, o fechamento previsto para este ano ainda continua em 18%, mas usando a terminologia dos economistas, com um viés de alta.”

O presidente da Abramat considerou normal também que haja uma pequena redução nas vendas de materiais de construção no varejo, “porque, sempre que se fala em crise,  se fala em falta de capacidade de pagamento,  aumento de taxa de juros, dificuldades maiores no financiamento”.

Ele classificou essa possível retração de “mais emocional do que real. É se precaver para uma realidade que poderá vir a acontecer”. Reconheceu que o primeiro impacto da crise, “se houver”, será no varejo, diferentemente do que ocorre na compra de um imóvel pronto via construtora. Reafirmou, porém, que “ainda não existe nenhuma retração. O que pode ocorrer é um comportamento do consumidor, preocupado com essa crise futura”.