A incorporação do Concórdia pelo Clube Curitibano não é novidade: a coluna já a noticiou.A novidade será a incorporação do tradicional e centenário Clube Concórdia, a ser homologada pelos associados do Clube Curitibano em votação convocada para o próximo dia 19.

Segundo comunicado da diretoria do Curitibano, o patrimônio imobiliário total a ser incorporado está avaliado em R$ 18 milhões, e o mobiliário (principalmente obras de arte) em R$ 1 milhão. São duas sedes localizadas em áreas nobres da cidade. Uma no bairro Mercês, com 12.288m², e a outra à Rua Carlos Cavalcanti, no centro, com 5.649m². O Curitibano assume a dívida trabalhista e a resultante de empréstimos, num total de R$ 900 mil, valor já reservado para essa finalidade. O Concórdia tem atualmente apenas 5 empregados, sem risco de novos problemas previdenciários e trabalhistas de maior vulto.
Como me dizia ontem um antigo diretor do Concórdia, “foi um bom negócio, só as obras de arte do clube pagarão as dívidas trabalhistas, o grande passivo do Concórdia”. E mais observou a mesma fonte: “Quer dizer, então, que o Curitibano comprou um patrimônio de |R$ 19 milhões por R$ 1 milhão…”

ADAPTAÇÃO PARA OS SÓCIOS
O Clube Concórdia tem 350 sócios, com faixa etária na média dos 70 anos. Destes, 148 já fazem parte do Clube Curitibano. O número de títulos absorvidos pelo quadro associativo do Curitibano, assim, terá um aumento de apenas 3%. Em contrapartida, o aumento patrimonial está calculado em 17%. Ficou acordado que haverá um período de adaptação para os sócios que serão incorporados ao quadro associativo. No primeiro ano da incorporação, associados provenientes do Clube Concórdia pagarão 50% do valor da mensalidade do Clube Curitibano. Não querendo permanecer como associados, terão a possibilidade de vender suas ações para terceiros, sujeitando-se o adquirente à aprovação, conforme normas estatutárias, e pagamento de 40% da jóia, no primeiro ano após a incorporação, 45% após o segundo, e 50% nos anos seguintes, até o fim do prazo desta possibilidade de venda, em 5 anos.

DESTINAÇÃO DAS NOVAS SEDES
Afirma a diretoria que o Curitibano tem. no quadro associativo, 5.571 crianças e adolescentes, “as quais inspiram a diretoria a desenvolver e criar oportunidades”. “Nosso parque aquático de piscinas olímpica e semi-olímpica, tem 2.500 m² mas já está no limite de lotação. O mesmo ocorre com nosso ginásio poli-esportivo, que tem 2.000m². Tudo isso caberá, no futuro próximo, na sede Rua Jacarezinho, em local próximo ao centro, o qual tem potencial de 6.000m² de área para se construir mais uma sede esportiva e aquática. Este endereço também comporta 2 campos de futebol suíço. Na sede da Rua Carlos Cavalcanti, haverá um novo salão social para os eventos do Clube Curitibano: será o Clube Curitibano, sede Concórdia, com todo o glamour e tradição que manteremos dessa sociedade germânica de famílias tão destacadas na sociedade da capital. A incorporação foi aprovada pelo Clube Concórdia, em Assembléia realizada no dia 28 de maio. E também já foi aprovada pelos conselhos Deliberativos do Clube Concórdia e do Clube Curitibano. Resta agora a homologação pelos sócios do Curitibano, em assembléia geral, dia 19 de junho, no Salão Azul, às 18h30 em primeira convocação e às 19h30 em segunda convocação.

DEPUTADO ÍTALO-BRASILEIRO LIBERA LIVRO DE BEATRIZ

Fabio Porta: a justa intervenção do deputado italiano.

Uma história verdadeiramente “kafkiana” terminou com epílogo feliz: o livro da professora Beatriz Pellizzetti, sobre a imigração européia no sul do Brasil, finalmente foi liberado pela alfândega do aeroporto de Guarulhos. Para isso foi necessária a intervenção do deputado Fabio Porta, que representa os cidadãos italianos (e com dupla cidadania) do Brasil no parlamento italiano, Desde o ano passado, a alfândega se recusava a entregar os livros, exigindo taxas exorbitantes e opondo os mais diversos obstáculos. Beatriz Pellizzetti, nascida em Rio do Sul, Santa Catarina, estudou e ensinou História na Universidade Federal do Paraná, especializando-se na pesquisa da imigração italiana. Aposentada há anos, continua produzindo intelectualmente, sendo este seu mais recente livro baseado em tese apresentada à Sorbonne, para pós-doutoramento.

 

SÓ EM FRANCÊS E ITALIANO

Beatriz Pellizzetti: livre de taxas exorbitantes...

Em edições limitadas, o livro já foi publicado em francês e italiano. Os exemplares retidos em Guarulhos e agora liberados foram impressos na Itália (pelo jeito, nenhum funcionário da alfândega foi capaz de perceber que todo seu conteúdo dizia respeito ao Brasil), onde o lançamento se realizou no “Altar da Pátria” ,em Roma, no final de 2011. Parece estranho que o livro sobre imigração (não só italiana) no sul do Brasil tenha sido lançado em italiano e, antes, em francês, sem ter até agora uma edição brasileira, em nossa língua. Se isso ocorre não é por negligência da autora, mas por falta de oportunidade de edição em sua própria terra. Nem sequer a editora da UFPR, onde ela lecionou tantos anos e foi chefe do Departamento de História, se interessou em publicá-la. Agora que os livros em italiano foram liberados, Beatriz pretende que a Universidade, ao menos, auspicie seu lançamento, como parte da programação do centenário. Mas não será fácil, pois os contatos iniciais foram feitos, sem que houvesse boa receptividade à ideia.

“NINGUÉM É PROFETA EM SUA TERRA”
O lançamento realizado na Itália entusiasmou os mais conceituados professores e especialistas em imigração da península. Por ironia, notou-se a ausência de representantes da cidadezinha lombarda de Revere, na província de Mântua, onde nasceu, no século XIX, o pai de Beatriz, Ermembergo Pellizzetti, pioneiro da colonização italiana em Santa Catarina. Em compensação, esteve presente o “sindaco” Arnaldo Marchetti , prefeito da comuna limítrofe a Revere, Magnacavallo, que inclusive doou à professora brasileira documentos sobre a emigração dos lombardos para o Brasil, exaltando o papel desempenhado nesse contexto por Ermembergo Pellizzetti. um dos personagens centrais da obra escrita por sua própria filha. Também esteve presente ao lançamento do livro de Beatriz uma delegação da “Associazione Mantovani nel Mondo” (Associação dos Mantuanos no Mundo), criada para congregar, como indica o próprio nome, os originários da cidade e província de Mântua (em italiano Mantova) que praticamente já se espalharam pelos cinco continentes.

“TULIPAS NEGRAS” REVELA IZABEL CAMPANA
Nova escritora em vias de revelação. Márcio Renato dos Santos nos diz que ela é curitibana, tem 30 anos, vive em Brasília e, questionada sobre por que escreve, conta que faz essa viagem pelo imaginário a partir da palavra escrita por não saber dançar. A resposta já revela uma de suas qualidades, o humor. E, a partir dessa nuance que relativiza tudo, ela segue a produzir alguns dos textos mais inusitados do tempo presente. Quem ainda não conhece a prosa dela, pode, por exemplo, fazer uma consulta via Google. Basta digitar “Izabel Campana”. É possível que o trampolim do mundo digital leve até algumas das crônicas que ela publica, já há algumas estações, na revista “Idéias”. Foi a partir desses textos que a Editora “Tulipas Negras” decidiu publicá-la.

QUÁDRUPLO LANÇAMENTO
No dia 26 de junho, a partir das 19 horas, a “Tulipas Negras” lançará quatro livros-contos no Museu Guido Viaro, em Curitiba. Quatro autores terão textos de ficção veiculados pelo selo que publica apenas contos, e apenas em papel – a “Tulipas Negras” não acredita em formato digital para livros, apenas para blog, site e outras possibilidades de difusão de notícia.
Ao lado de Luci Collin, Guido Viaro e Andrey Michalzechen, Izabel Campana terá um livro publicado, com tiragem de 1 mil exemplares – a distribuição é gratuita. O público terá a oportunidade conhecer “O destino do poeta”, um conto diferente de tudo o que se lê por aí. Não tem a ver, por exemplo, com a dicção a la escritores norte-americanos que fazem cursos de escrita criativa – mania disseminada entre autores tupiniquins. Nem lembra as experimentações, que pululam de Pelotas a Recife, nas quais nada se conecta, nunca. Izabel Campana elabora um texto leve, mas denso – diz escrever para se divertir e problematiza questões muito pessoais. “Meus embates são comigo mesma”.

VONTADE DE VIVER

Izabel Campana: nas pisadas paterna e materna.

“Minha desilusão com a vida e o mundo nada tem a ver com vontade de morrer” – diz Izabel. “Tudo tem a ver com vontade de viver. Olho ao redor e sinto a vida esvaindo-se pelos dedos. Tenho a gana de um paciente terminal.” “Sou muito egocêntrica. Eu me escrevo. Ainda que seja só um eu momentâneo, ou um eu inventado, imaginado. Esse aí no conto sou eu”. Obviamente, um texto de um homem é diferente de um texto de uma mulher. Há argumentos, até demais, para sustentar a afirmação. Seu texto, no entanto, está além disso. Trata-se de uma prosa ágil, leve, característica da advogada, que gosta, entre outros cineastas, de Woody Allen. Também gosta de chá: “Coleciono sabores, mas prefiro o preto”.
Izabel é fruto de pais fortemente identificados com ações culturais: a mãe é a psicóloga, doutora pela PUCSP, Denise Camargo Campana; o pai, o escritor e jornalista Fábio Campana, um dos personagens de meu livro Vozes do Paraná 4. Ele é um dos profissionais do jornalismo mais influentes no Paraná de hoje.

 

Morre Eva Piolla, mãe de Gilmar Piolla
Morreu nesta manhã no Hospital Costa Cavalcanti, Eva Piolla, mãe do jornalista Gilmar Piolla. Dona Eva, de 63 anos, há um ano e mês, sofreu um AVC hemorrágico enquanto era submetida a uma angioplastia no Hospital Vita em Curitiba. Em seguida foi transferida para o hospital em Foz do Iguaçu para ficar mais perto dos familiares, mas não recobrou a consciência durante todo esse tempo. Seu estado de saúde era grave, hoje pela manhã teve uma parada cardiorespiratória e não resistiu. O corpo foi transladado à cidade de Dois Vizinhos e está sendo velado na capela mortuária local. O enterro será amanhã, quinta-feira, 14, às 11h, no cemitério municipal de Dois Vizinhos.