Por Maurício Choinski, adestrador e franqueado da Cão Cidadão

O adestramento dos animais domésticos, mais comum entre cães e gatos, merece, de nossa parte, uma revisão conceitual.  A todo momento somos chamados a refletir sobre os mais variados temas envolvendo nosso comportamento social, econômico-financeiro, nossa saúde, nosso bem-estar físico, psicológico e social. E sempre que o fazemos descobrimos outras maneiras de nos relacionarmos melhor com o mundo.

Percebo que muitas vezes a palavra adestramento ainda remente ao aprendizado de uma ou mais ações de maneira repetitiva e enfadonha por parte do cão ou gato (lembrando aqui de que todos os animais são passiveis de um certo grau de adestramento), muitas vezes aprendido contra a vontade do animal e com técnicas violentas e ultrapassadas. E não raro as pessoas também associam a palavra ao fato de o animal, depois de adestrado, voltar para a casa como um robô.

É exatamente este tipo de visão desatualizada que inibe muitas pessoas de terem um convívio mais agradável e equilibrado com seu cão.

Você já pensou em chamar um adestrador para ajudar seu pet a se relacionar melhor com outros cães na rua? Ou para ajudá-lo a superar aquele medo incontrolável de fogos de artificio? Ou, ainda, apenas para ensina-lo a fazer xixi no lugar certo?

Se sim, ótimo! Com um pouco mais de informação você perceberá que problemas comportamentais das mais diversas origens podem ser resolvidos com a orientação de um adestrador. Se não, maravilha também! Te convido a ler um pouco mais deste artigo para conhecer o universo imenso que o Adestramento Inteligente (AI) pode abranger quando se trata de melhorar a integração do cão na família e na sociedade.

O que é o AI e por que utilizá-lo com seu pet?

A prevenção é o melhor remédio. Este é um velho ditado, que levamos à risca quando falamos em medicamentos, vacinas e antiparasitas. Mas raramente lembramos de prevenir o cão para não ter medos, não ser agressivo e para que seja educado no relacionamento com outros animais, por exemplo.

Dentro da proposta do Adestramento Inteligente, desde filhotes os cães já devem ter orientações sobre seu comportamento. Os três primeiros meses de vida de um cão são os mais importantes na formação de sua personalidade. Por isso, a sociabilização com pessoas, animais, sons e ambientes são primordiais neste período.

Quando não são sociabilizados adequadamente podem ficar agressivos ou medrosos diante de objetos como aspiradores de pó ou secadores, de lugares com avenidas movimentadas, de sons como os trovões das tempestades, podem não gostar de crianças, fazer diferenciações de gêneros ou ainda não conseguir se relacionar com outros cães.

Mesmo com a sociabilização adequada não é garantido que o cão não ficará medroso ou agressivo, mas não fazê-la é uma atitude que só aumenta as chances de isso acontecer.

Nossa comunicação com o cão muitas vezes se limita a um “não” e um “sim”. E quando precisamos que o cão compreenda algo mais elaborado, como não puxar a guia enquanto passeia ou ficar parado esperando enquanto você entrar em uma farmácia ou padaria, não conseguimos que ele nos compreenda.

Para aumentarmos significativamente nossa capacidade de se comunicar com nosso amigo, ensina-lo a fazer comandos é fundamental. Não estamos falando em uma apresentação, que é o que o senso comum imagina quando falamos em “truques”, mas sim ensinar um cão a se sentar, deitar, dar a pata, ficar, vir quando for chamado, entre outros necessários para o bom convívio e segurança dele na sociedade.

Ensinar comandos faz o cão ter maior atenção em nossos movimentos permitindo que tenhamos mais controle e foco por parte dele.

E em contrapartida, o cão fica muito mais relaxado pois sabe que você está na liderança e se comunicando com ele. Ele ainda deixa de ficar reativo esperando apenas um “sim” ou um “não”. E tudo isso por meio de uma metodologia de reforço positivo, onde o comportamento adequado do cão é recompensado.

A Cão Cidadão oferece muitos serviços como palestras, workshops, cursos e, claro, o Adestramento Inteligente em domicilio, pois o ideal é que se tenha um trabalho em conjunto entre o adestrador e as pessoas que convivem com o cão.

Que tal deixar de lado esse mito de que adestrar é tornar o bichinho um robô e abrir as possibilidades de ter uma relação ainda mais harmoniosa com o melhor amigo?