Estrelado por um elenco formidável, liderado pelo astro Ricardo Darín, A Odisséia dos Tontos é um hilariante filme e bem oportuno nesses tempos estranhos em que estamos mergulhados. Estreia nas telas brasileiras neste 31 de outubro, sendo um bom programa de cinema neste fim de semana.

A história se situa numa pequena vila nas cercanias de Buenos Aires, em 2001, quando os argentinos amargavam uma de suas terríveis crises. Nesse clima de desalento, o confisco dos saldos bancários   surpreende a população. Entre as vítimas está um grupo de vizinhos, cotistas de uma futura cooperativa agrícola. Mas seus dólares foram surrupiados, antes, por um gerente de banco e um advogado, que dão o golpe nos correntistas, sabedores antecipadamente do corralito ( apelido do congelamento das contas bancárias).

O grupo, entretanto, descobre a tramoia e resolve se vingar. O plano é daqueles que faz a plateia se lembrar dos bons faroestes ou, melhor,  das tramas de gato e rato. E a Odisseia dos Tontos, ainda que se trate de um roubo colossal, ganha a cumplicidade da plateia, claro.

O ex-jogador de várzea e ídolo na cidade, personagem de Darín, representa a credulidade dos honestos (os tontos), bem como as demais vítimas do sistema inescrupuloso. Essa humanidade do grupo e o humor entremeado na trama, principalmente nas referências ao peronismo e ao anarquismo, dão sentido ao filme e angariam a simpatia da plateia.

Dirigido com doce simplicidade por Sebastián Borensztein (sim, o mesmo de Um Conto Chinês), o filme não se presta para levar multidões à rua, como no Chile, nem sair fazendo revolução, como não se vê no horizonte latino. Mas é uma lavada de alma: delícia poder rir com nossos hermanos. Aceita um chimarrão?