A cada 60 dias, a equipe de odontólogos, formada pelo Dr. Acir J. Dirschnabel e a Dra. Karoline Túlio, acompanha os protocolos diários de escovação e compartilha novas técnicas e abordagens

Escovar os dentes da forma correta e com regularidade diminui a proliferação de microrganismos bucais, presentes na placa dental, tártaro, gengivite e cavidades de cárie. Mas se em pessoas saudáveis a higiene bucal é muito importante, em pacientes hospitalizados ganha papel especial – principalmente para aqueles que se encontram entubados ou traqueostomizados e em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Nesses casos, a escovação pode ajudar a prevenir quadros de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV) e, até mesmo, doenças cardiovasculares.
“Às vezes, o paciente já chega ao hospital com a presença de alguns microrganismos patogênicos na boca e, uma vez entubado e com o ressecamento da mucosa bucal, acaba aspirando e proliferando esses microrganismos, que podem desenvolver a pneumonia”, explica o cirurgião dentista, Dr. Acir José Dirschnabel. Pesquisas apontam que realizar a higienização bucal correta na UTI, com o uso de clorexidina (0,12%) e fricção com escova, pode reduzir em até 40% a incidência de PAV em pacientes adultos. “Para isso, utilizamos uma escova dental diferenciada que deve ser descartada em até sete dias”, completa.
Para reforçar esses protocolos e evitar intercorrências, o Hospital Santa Cruz, de Curitiba (PR), iniciou uma atualização em higiene bucal com foco na equipe de enfermagem da UTI Geral. A cada 60 dias, a equipe de odontólogos, formada pelo Dr. Acir J. Dirschnabel e a Dra. Karoline Túlio, acompanha os protocolos diários de escovação e compartilha novas técnicas e abordagens. “Com o apoio do cirurgião-dentista, também é possível diagnosticar diversas alterações, como doenças, presentes na mucosa bucal dos pacientes na UTI, além de diminuir a ocorrência de úlceras bucais traumáticas e sangramentos gengivais”, explica a coordenadora de enfermagem da UTI Geral, Andrea dos Remédios.
Como funciona?
Pode parecer estranho, mas a higiene bucal de um paciente em coma também é feita com o auxílio de uma escova dental. O modelo é um pouco diferente do usado no dia a dia: sem emendas entre o cabo e as cerdas para evitar o acúmulo de bactérias. A técnica utilizada também difere da comum. “Na UTI, a escovação é feita três vezes ao dia apenas com água, fazemos a hidratação da mucosa antes e depois da escovação e selamos com a clorexidina. Logo em seguida, a escova é higienizada e lacrada, com identificação de data e hora da última utilização”, explica a enfermeira Andrea.
Em pacientes desdentados, os protocolos de higiene também são realizados todos os dias. Nesses casos, a equipe assistencial faz a limpeza de toda a mucosa com o auxílio de uma compressa de gaze embebida em clorexidina e depois reforça a hidratação bucal com produto específico.
Segundo a enfermeira Andrea, “a atualização constante desses protocolos ajuda a restringir ainda mais os índices de infecção do hospital, que já são baixos, e a recuperação do paciente, que acaba passando menos tempo internado”, pontua.